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Autistas com Altas Habilidades: Mais adaptáveis ao mundo neurotípico

Por que eu não gosto de ser acompanhado no meu perfil pessoal por muitos familiares de autistas? Não gosto que queiram saber minhas vivências, como fazem com outros autistas?


Texto da imagem: Os autistas com altas habilidades (dupla excepcionalidade) podem compensar as limitações usando habilidades cognitivas, navegando em situações sociais e se adaptando aos desafios da vida cotidiana (Autism Calgary).

Todos autistas são diferentes. Eu repito isso quase que diariamente. Muita gente fica comparando experiências e vivências, achando que por estarem no mesmo grau, vão encontrar as respostas que precisam. Spoiler: Nem sempre.

Dois autistas podem ser completamente diferentes. Dois aspies podem ser completamente diferentes.

Existem muitas dificuldades que alguns aspies têm na vida adulta, que eu tinha na infância ou adolescência. Isso significa que eu preciso esconder que me adaptei? Não. Significa que somos todos diferentes e sou mais adaptável em alguns aspectos. 
Isso me torna um fake auti…

Autísticos: Avisos de Ética e Transparência

Administrar página no Facebook é muito estressante. Lidar com comentários chatos também. Muitas pessoas têm dificuldade de interpretação textual. A realidade do Brasil é essa: da falta de leitura. Recomendo mais leitura e menos comentários descontextualizados/distorcidos.


Este aviso vai estar fixado na página principal junto com os outros 2 [https://www.facebook.com/autisticos/].

1) Estou bem longe de ser um anjo, mas tenho minha ética. Uma coisa que não suporto é gente distorcendo minhas palavras. Estou sempre de olho no que dizem e não me importo muito. Minha página tenta trazer novidades sobre o que está acontecendo pelo mundo e não se limita ao Brasil, mas muita informação chega atrasada aqui. Para quem gosta de me pintar como vilão, não me importo. 🖤🐍

Temos um problema sério de falhas de diagnósticos/subdiagnósticos, profissionais desatualizados, pessoas no espectro e familiares que acham que todos autistas devem ser iguais (SOMOS TODOS DIFERENTES, independente do grau), tratamentos falsos/com zero comprovação científica – a negação abre porta ao charlatanismo. Fica minha recomendação de mais leitura, menos julgamento, especialmente se não conhece o suficiente sobre um assunto. Opinião é opinião e eu posso não estar interessado se você acha que existem autistas que fingem que são, quando na verdade te falta leitura suficiente sobre o assunto. Não tente dar carteirada em cima de mim, que eu posso dar carteirada de volta.

2) Esta página não é vinculada à nenhuma organização de autismo do Brasil ou internacional/nenhum profissional. É administrada por UMA pessoa e não faço milagres. Não tenho como responder todas mensagens e comentários. Seria humanamente impossível e é um trabalho voluntário. Comentários ofensivos são excluídos, vez ou outra. E quem tenta causar demais pode ser banido.

Eu fico por dentro, sim, das organizações internacionais e nacionais, isso não significa que eu faça parte delas. No momento, não tenho nenhum interesse de participar. Desde que hiperfoquei em autismo, atrapalhou minhas outras atividades. Peço que respeitem minha decisão. Se eu indico algum profissional ou conteúdo produzido por ele, é porque acho que vale a pena.

Ainda sobre isso, apenas PAREM de achar que eu tenho poder de mudar informações dos outros. Não tenho como alterar se alguém falou transtorno/doença/distúrbio, entre outros termos que são usados por médicos, tampouco de mudar estatísticas e informações erradas. Se eu for compartilhar só informações do jeito que as pessoas querem, não ia compartilhar nenhuma. Novidade: a perfeição não existe e as pessoas têm perspectivas diferentes.

3) Eu criei a página para não precisar falar no meu perfil pessoal sobre autismo. É um hiperfoco temporário (assim espero) e é mais fácil direcionar o conteúdo aqui para quem tem interesse do que ficar falando para quem não quer consumir o conteúdo.

Peço que não me adicionem no perfil pessoal/tampouco em grupos de autismo, especialmente se for preconceituoso (machista, homofóbico, racista, neonazista etc.). Não ganho nada para produzir conteúdo na página, tampouco para aguentar gente assim no meu perfil pessoal. Não quero comentários sobre 'autismo' em postagens descontextualizadas do meu perfil pessoal. Tenho direito a sair, beber, fazer o que eu quiser, sem ter alguém comentando "Mas você não é autista?". Meu anjo, se atualiza! Mais informações, menos tabu. Não preciso me enquadrar na sua visão desatualizada e estereotipada do que é autismo para agradar a ninguém.

4) Mesmo antes de ter um diagnóstico formal, recebi propostas comerciais e eu neguei todas. Eu preciso de dinheiro como muitos autistas, mas não sou ingênuo a ponto de aceitar qualquer proposta, sem pensar nas consequências. Não subestimem autistas. Tenho uma carreira que é mais importante do que a página e também direito à minha privacidade.

5) Se algum dia tiver alguma parceria profissional (no momento não tenho e não tenho interesse), eu avisarei. Eu prezo pela ética, transparência e minha liberdade.
***
Profissionais, familiares e pessoas no espectro, vamos nos atualizar? Aprendam de uma vez por todas que nem todo autista é igual e alguns têm altas habilidades [e a gente argumenta mesmo e dá patada sem querer se pisar no pé/envolver nossos hiperfocos]. Obrigado. Está tudo bem ser diferente. Por isso se chama Neurodiversidade.

Dica: A patada nunca vem de graça. Às vezes começa no "você não parece autista" / Você escreve muito bem para um autista / [Adicione qualquer frase preconceituosa + autista]

6) Mostrar só um lado da história dá a impressão de que basta procurar ajuda. O outro lado da história: dependendo da sua condição, muitos médicos e psicólogos não entendem do assunto e/ou sabem só o básico. Nada de idealizar medicina e psicologia. Médicos não são deuses. Como em toda área profissional, tem os profissionais que se atualizam e os que pararam no tempo.

7) Pelo tom das minhas postagens, vocês devem achar que odeio profissionais de saúde. Não é assim. Mas que tem muita gente precisando de reciclagem profissional, tem. Mitos e informações que qualquer pessoa que tenha lido UM LIVRO sobre autismo saberia.

O Brasil tem um problema crônico de falta de leitura e desinteresse. Não passo a mão na cabeça, pois deveria ser o básico. Eu, sinceramente, não gostaria de ser atendido por muitos, nem se fosse de graça a consulta. E os bons, eu não poupo elogios.

Como resolver esses problemas? Investindo em capacitação. Saindo da zona de conforto.


8) Respeitem as privacidades de autistas adultos. Nem todo autista adulto é ativista e quer falar de autismo 24 horas do dia, tampouco aguentar gente sem conhecimento querendo opinar na vida.

Para quem me acha grosso, a patada nunca vem de graça. Quem me conhece sabe que não sou (tão) assim.

A história sempre se repete se você não der um jeito de cortar os ciclos. Tenho amigos que já foram atacados/perseguidos/questionado laudos e ninguém defendia. Às vezes, você tem que dar uma patada e colocar as pessoas no lugar. Depois as pessoas desistem de ajudar e perguntam: "Onde está fulano? Adorava o conteúdo produzido por ele". Não sejam chatos (isso serve para todos).

Para o pessoal das bolhas que acha que não existe uma série de problemas no universo do autismo e tudo é um arco-íris. Que acham que todo mundo tem diagnóstico e que as pessoas 'inventam que são autistas'. Tenho nojo de quem pensa assim. Não tentem me adicionar no perfil pessoal. Obrigado.

9) Com exceção de alguns colegas, poucos moveram um dedo para me defender dos vários ataques que sofri ao longo de um ano, mas vamos lá. Vez ou outra, vejo comentários assim em páginas e grupos de autismo, de pessoas questionando laudos dos outros, de palestrantes e dos autistas adultos.

Não sou egoísta e acho que informação deve circular: acusar autistas de estarem fingindo estar no espectro autista pode te dar problemas judiciais, especialmente se a pessoa tiver laudo. Sejam mais conscientes. Vocês estão brincando com fogo. Muita gente não faz nada para não ter dor de cabeça, mas estejam avisados.

Tenho um grupo e no meu grupo é proibido fazer isso. Algumas pessoas fazem vista grossa. Espero não ter que repetir várias vezes a mesma coisa. Já recomendei mil vezes aqui vários livros/artigos/pesquisas sobre autismo. Falta interesse em se atualizar.

O autismo tem forte relação genética e também existe a questão da camuflagem: duas coisas pouco conhecidas no Brasil por familiares, pessoas no espectro autista que não leem sobre o assunto que querem dar opinião sem base (achismo) e profissionais desatualizados.

Vocês precisam ter mais consciência crítica. Fica dica.

É isso.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

  1. Eu procuro há anos por respostas e acho muito complicado entender que vários profissionais que conheci falavam com toda a certeza do mundo sobre assuntos os quais não entendiam. E na verdade preciso fazer um grande exercício mental para me convencer de que eles não sabem o que estão dizendo...Fico pensando qual o motivo de tão poucos profissionais estarem por dentro do assunto...

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  2. Tão bom poder ler você e saber que você faz algumas coisas normais, eu tenho um filho com autismo, ele tem 10 anos, um menino muito gentil. Mas eu me pego pensando se um dia ele poderá sair pra beber com os amigos, ir em uma festa, coisas normais de qualquer jovem. E ler você é entender que isso poderá ser possível pro meu menino. Se não for paciência, mas é bom saber que cada um tem suas diferenças, suas conquistas e limitações. Obrigada por compartilhar .

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