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Destaques

Neurodiversidade: Autismo não só biológico ou só identidade social

A Neurodiversidade dá um tiro no pé ao tratar o autismo como algo meramente social (identidade social), ignorando as particularidades neurobiológicas de CADA autista. Mas o extremismo científico também erra ao ver como algo meramente biológico, ou até mesmo patológico.


O ideal seria ver o melhor dos dois mundos, algo impossível diante da polarização. Todo mundo sai perdendo.

É utopia esperar que a sociedade vá se adequar completamente aos autistas, especialmente porque cada autista pode ser completamente diferente do outro. O ambiente adaptado para um autista, é o ambiente desadaptado para o outro – isso entre os próprios autistas.

Enquanto as pessoas continuarem tratando o autismo como algo 'universal', ignorando as especificidades, esse debate não vai para frente.

O Asperger que não precisa interagir com os outros, não precisa trabalhar, não precisa fazer nada que o tire da zona de conforto, talvez não sinta muita dificuldade em viver em um mundo não adaptado. Mas não é a re…

Escritor Independente: 10 Anos de blog, burnout e profissionalismo

São dez anos apostando de forma independente em meu blog e 6 anos como escritor/jornalista, mas ao longo dessa jornada vi muitos me tratarem como se tivesse acabado de entrar no mundo do jornalismo, da escrita e da internet.


Persisti, independente da falta de apoio e das tantas propostas duvidosas que recebi e neguei. Já quiseram até me 'agenciar', mesmo sem a pessoa ter qualquer experiência.

Eu sei que ser escritor no Brasil não é algo que as pessoas levam a sério e muitos autores não se importam com o ofício, veem como um hobby, mas eu levo a sério desde a minha estreia 'oficial' (2013) e sou macaco-velho.

Não faço só pelo dinheiro: se fosse por isso, eu já teria apagado meu blog há anos, pois tenho mais gastos de energia, tempo e financeiros do que retorno. Dinheiro é possível recuperar, o tempo e a energia nem sempre.

neguei dezenas de oportunidades que poderiam me dar grana, se eu quisesse. Antes de tudo, vem a minha ética. Depois, vêm as coisas que eu acredito e eu sempre luto para levar mais informações. São duas coisas que ninguém pode tirar de mim nem tentar me corromper.

Meu blog passou por tantas mudanças. Começou como um espaço para divulgar conhecimentos sobre jornalismo e tecnologia, depois foi para a literatura e outras produções culturais; até que eu comecei a incluir meus próprios materiais literários e fiquei fatigado de tantas pessoas me pedindo ajuda e poucas me ajudando: a vida é um eco, sejamos todos mais coerentes e tenhamos o bom senso de não pedir algo que não fazemos. Foram mais de 250 resenhas de livros.

Encerrei TODAS parcerias com editoras que eu tinha, até mesmo com uma das minhas favoritas. Eu peguei tanto trauma da quantidade semanal de pessoas me pedindo ajuda, que mesmo tendo publicado meus livros, eu nunca fiz um programa de parcerias. Fiz uma ou outra parceria com quem entrou em contato demonstrando interesse, mas por iniciativa própria mesmo, não fiz nenhum programa. Por qual motivo?

Para evitar que as pessoas ficassem sob pressão, como eu fiquei. Poucos sabem como é estar esgotado por causa de parcerias e blogs que nem geram retorno financeiro, entrar em Burnout várias vezes e ao mesmo tempo, ter que cumprir seus compromissos. Poucos sabem como é se matar de escrever, virar semanas revisando, editando, produzindo suas próprias capas e materiais de divulgação e aguentar as pessoas te perguntando: "Com o que você trabalha? Além de escrever (hobby), você trabalha?".

Essa é a realidade brasileira. Antes que alguém venha me corrigir dizendo que os autores gringos também passam por isso, guarde sua carteirada – e conheça bem quem você está tentando dar uma de palestrinha em cima. Sei muito bem da realidade em outros países.

Em alguns meses, cheguei a ler mais de 15 livros. E diferente das pessoas que leem devagar e espalham que quem lê muito, não absorve. Sinto muito, sou hiperléxico e leio desde a infância. Aos que leem pouco e espalham essas mentiras, talvez seja o que vocês precisam acreditar, pois transformaram a leitura em uma competição patética de quem lê mais e/ou quem lê materiais de mais "qualidade". Para mim, ler é natural como respirar. Para quem gosta de brincar do jogo dos números, segundo o Skoob, foram mais de 850 livros lidos. Mas o Skoob foi criado há dez anos. Perdi a conta de quantos livros li ao longo da vida, afinal, não ficava contando quando era criança ou adolescente e não preciso fazer parte deste jogo infantil. Cada um lê o que quer, quando quer, se quiser.

De todo jeito, esta semana decidi reorganizar minha vida digital no meu perfil PESSOAL. Alguns não gostaram e não me importo. Poucas coisas me incomodam tanto quanto dizer coisas sérias, não ser escutado e ser procurado logo em seguida.

Para quem está estranhando minha postura profissional, quando chegar a vez de vocês, talvez vocês entendam que é impossível ajudar todo mundo, independente de ter vontade e que é intragável um ambiente de pessoas que só querem mais e mais, mas fazem o mínimo pelo outro. Já paguei meu bom karma da vida inteira ajudando pessoas de graça.

Até lá, boa sorte para sobreviver nessa selva onde pessoas tentam te derrubar; criam perfis fakes para negativar seu livro; querem o seu sucesso, mas menos do que os delas; ficam especulando sobre sua vida, como se tivessem intimidade e vários assuntos não-relacionados aos seus trabalhos e ignoram seus livros; entre tantas coisas antiprofissionais e antiéticas que eu poderia mencionar de pessoas tratando outras como concorrentes e, ao mesmo tempo, implorando por ajuda!

Não me importo de não ter um selo de editora na capa dos meus livros, desde que eu não precise abrir mão de quem eu sou; não me importo de ficar por fora de situações que poderiam ser lucrativas, mas também custariam a minha voz. Como autor independente, posso não ter tanta visibilidade quanto autores tradicionais, mas como diria a cantora Rachel Platten que, antes do sucesso comercial, seguiu muitos anos em carreira independente:

“Posso ter só um fósforo, mas consigo fazer uma explosão”. 

Não preciso da simpatia dos outros escritores, especialmente quando só me procuram quando querem algo. Não escrevo para outros autores; meu público-alvo é meu leitor. Quem é esse leitor? Depende se estou escrevendo para o meu blog, depende da temática do livro e por aí vai. Se não sabiam, agora já sabem e deveriam saber. Afinal, cada projeto é um projeto e o leitor sempre muda. Escrita 1.1. Quer ser levado a sério como escritor profissional? Seja profissional!

Odeio ser sufocado. Não suporto gente fingindo intimidade que não tem e não preciso ser simpático com pessoas antipáticas. Tudo o que conquistei como escritor foi por esforço, sem puxar o saco de ninguém. Não gosta de mim? Bem-vindo ao clube!

Sempre fui livre. Sempre serei.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

  1. WOW, muito corajoso admitir os tropeços em um mundo que todo mundo simula sucesso.
    A Síndrome de Burnout segue fazendo vítimas mundo afora enquanto as pessoas não sabem direito o que é.
    Aqui tem um teste para saber o seu nível de Burnout: https://motivaplan.com/teste-de-burnout/

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