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Destaques

Neurodiversidade: Autismo não só biológico ou só identidade social

A Neurodiversidade dá um tiro no pé ao tratar o autismo como algo meramente social (identidade social), ignorando as particularidades neurobiológicas de CADA autista. Mas o extremismo científico também erra ao ver como algo meramente biológico, ou até mesmo patológico.


O ideal seria ver o melhor dos dois mundos, algo impossível diante da polarização. Todo mundo sai perdendo.

É utopia esperar que a sociedade vá se adequar completamente aos autistas, especialmente porque cada autista pode ser completamente diferente do outro. O ambiente adaptado para um autista, é o ambiente desadaptado para o outro – isso entre os próprios autistas.

Enquanto as pessoas continuarem tratando o autismo como algo 'universal', ignorando as especificidades, esse debate não vai para frente.

O Asperger que não precisa interagir com os outros, não precisa trabalhar, não precisa fazer nada que o tire da zona de conforto, talvez não sinta muita dificuldade em viver em um mundo não adaptado. Mas não é a re…

Autismo: Capacitismo, fofocas e crimes virtuais

Dizem que toda história tem três lados. Já falei um pouco dos meus hiperfocos, hoje vou falar sobre capacitismo = preconceito contra pessoas com deficiência. Para quem não sabe, o autismo é considerado uma deficiência/condição invisível e muita gente assim que descobre, logo presume incompetência.


Tenho 29 anos. 1 graduação completa, 2 graduações incompletas. Trabalho há anos como escritor independente e blogueiro, formado em jornalismo. É a segunda vez que moro sozinho em outra cidade. Tive meu diagnóstico oficial há 2 meses, mas já faz dois anos que estou falando do assunto.

Muita gente imagina que por eu ter Síndrome de Asperger, que eu talvez seja um peso para os outros, ou que eu dependa do meu namorado. Para vocês, recomendo conhecerem melhor minha vida antes de julgar.

Sempre fui independente, desde a infância. Fui autodidata em muitas coisas e hiperléxico (eu devoro vários livros desde criança). Embora meu diagnóstico formal só veio aos 29 anos, na infância fiz acompanhamento com psicóloga que dizia que eu aparentava ter uma maturidade bem maior do que a real e até hoje me sinto assim, deslocado entre pessoas da minha idade e entre muitas pessoas da sociedade, seja pelo autismo ou por não me interessar por certas coisas triviais.

Sempre preferi fazer trabalhos e provas sozinho e mesmo trabalhos que deveriam ser em trios ou grupos maiores, quando fazia sozinho, eu tirava nota alta ou máxima.

Isso tudo é só para dizer que as pessoas deveriam ter cuidado ao julgar qualquer pessoa, independente se ela é autista ou não. Muita gente me conhece superficialmente, mas me trata como se fôssemos amigos ou como se tivéssemos intimidade para julgar minha história de vida. Para vocês, assim como eu e muitos autistas aprendemos na marra: desejo que vocês aprendam a diferença entre colegas e amigos; entre respeito e reciprocidade.

“Algumas pessoas ao redor não vão entender sua jornada. Elas não precisam; não é para elas”  Vi no twitter do Paulo Coelho, mas não posso garantir a autoria

Só para deixar claro: muitos autistas realmente são dependentes, especialmente porque o autismo se manifesta de formas diferentes. E está tudo bem, os graus do autismo definem as necessidades de apoio: pouco, moderado ou muito. Sou completamente independente? Talvez não, afinal, o autismo influencia minhas questões sensoriais e de interações sociais. Sou tão dependente como as pessoas imaginam? Não!

Sempre fui o tipo de pessoa que fez minhas próprias escolhas na vida e sempre vou ser. Hoje estou aqui, amanhã posso não estar – o mesmo para círculos sociais virtuais ou reais. Para muitas pessoas, meu perfil virou um fantasma virtual. Para outros, algo completamente inacessível. Decidi separar minha vida pessoal e profissional e não me arrependo.

Neste ano, tentaram derrubar meu perfil (fui hackeado), meu livro e me atingirem com problemas pessoais. Não vou mais permitir isso acontecer. E quanto aos crimes virtuais e difamação de pessoas que espalham que eu comprei diagnóstico (entre outras coisas), se continuar se repetindo e se eu julgar necessário, tomarei as devidas providências. O Brasil pode ser bem atrasado em crimes virtuais, não quer dizer que eles não existam e que as pessoas não sejam punidas.

A vida me deu muitos limões neste mês e decidi tirar o melhor deles. Minha vida está mais leve após ter feito uma limpa no perfil do Facebook: sem tantas notificações aleatórias, pessoas aleatórias me pedindo favores por inbox e gente fuçando minha vida sem ter intimidade para tal. A vida é um eco.

Posso ser bondoso, mas também posso ser muito justo quando necessário.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Livros na minha lista de desejados:


Ciência picareta: https://amzn.to/2DoNaWE

Autism's False Prophets: https://amzn.to/2IM6LmY

Neurocomic: https://amzn.to/2ILUZJj

A Scientist in Wonderland: https://amzn.to/2VmQlsg



Algumas indicações de livros sobre o autismo:


Autismo (2018-2019): https://amzn.to/2Dsnokp

O Cérebro Autista: https://amzn.to/2VjXIjY

A Diferença Invisível: https://amzn.to/2DraoLV

Outra Sintonia: A história do autismo: https://amzn.to/2XzTn9H

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