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Destaques

Neurodiversidade: Autismo não só biológico ou só identidade social

A Neurodiversidade dá um tiro no pé ao tratar o autismo como algo meramente social (identidade social), ignorando as particularidades neurobiológicas de CADA autista. Mas o extremismo científico também erra ao ver como algo meramente biológico, ou até mesmo patológico.


O ideal seria ver o melhor dos dois mundos, algo impossível diante da polarização. Todo mundo sai perdendo.

É utopia esperar que a sociedade vá se adequar completamente aos autistas, especialmente porque cada autista pode ser completamente diferente do outro. O ambiente adaptado para um autista, é o ambiente desadaptado para o outro – isso entre os próprios autistas.

Enquanto as pessoas continuarem tratando o autismo como algo 'universal', ignorando as especificidades, esse debate não vai para frente.

O Asperger que não precisa interagir com os outros, não precisa trabalhar, não precisa fazer nada que o tire da zona de conforto, talvez não sinta muita dificuldade em viver em um mundo não adaptado. Mas não é a re…

Preconceito contra Aspergers Altas Habilidades que não são de Exatas

Comprei o livro 7 Tipos De Inteligencia (Thomas Armstrong) em um sebo hoje e estou gostando. Especialmente porque quando falamos de inteligência, superdotação ou altas habilidades, logo associam aos gênios de exatas.


Sou péssimo com exatas. Sorry not sorry. Mas sou ótimo com as palavras. Existem vários tipos de habilidades, inteligências e ilhas de conhecimento. Mais informações sérias, menos estereótipos e preconceitos.

Quando falamos de autistas com altas habilidades, muita gente logo pensa em Einstein. E, sim, existem autistas matemáticos, mas eles não representam o espectro autista inteiro.

“O analfabetismo científico é comum entre pessoas 'altamente educadas'” Thomas Armstrong, 7 Tipos de Inteligência

Para quem vive mergulhado na escuridão e na ignorância, os livros podem ser assustadores. Abrir a mente, quebrar preconceitos, conhecer diferentes vivências, um constante processo de quebra e reconstrução.

A leitura transforma, mas o leitor sempre paga o preço. Em um país no qual as pessoas fogem dos livros, gostar de livros é desagradar, é provocar estranhamento. Ser escritor, então...

“O melhor conselho é: não ponha suas fichas numa única inteligência, seja ela qual for, ou correrá o risco de vê-la se tornar "obsoleta" quando você a tiver dominado” – Thomas Armstrong

Confira a descrição da inteligência linguística:


”O primeiro tipo de inteligência, a linguística, é aquela das palavras. É a inteligência do jornalista, do narrador de histórias, do poeta, do advogado [...] As pessoas que são particularmente aptas nessa área podem discutir, persuadir, entreter ou instruir com eficácia através da palavra falada. 

Essas pessoas adoram brincar com os sons da linguagem através de trocadilhos, jogos de palavras e frases difíceis. Algumas vezes eles também são verdadeiros bancos de dados de curiosidades, devido à sua capacidade de reter fatos em suas mentes. Ou então são especialistas em literatura. Elas lêem vorazmente, sabem escrever com clareza e podem gerar outros tipos de expressões através da mídia impressa” – Thomas Armstrong

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“Ler é perigoso. Ler sempre conduz a metamorfoses pessoais, às vezes, irreversíveis” – Harold Brodkey

Sobre Altas Habilidades. No caso das pessoas no espectro autista com altas habilidades/superdotação, o termo é Dupla Excepcionalidade.

Mas não é só para autistas. Pessoas TDAH com Altas Habilidades e outras condições + Altas Habilidades, também podem ser chamadas de Dupla Excepcionalidade.

O diagnóstico de Dupla Excepcionalidade não é tão fácil no Brasil. Por aqui, estamos anos-luz atrasados em várias coisas. Assim como o diagnóstico de autismo ainda é um desafio. Existem muitos profissionais não capacitados.

“Anos antes de os médicos me informarem sobre meu autismo de alto funcionamento e a desconexão que isso causa entre a pessoa e a linguagem, eu tive que descobrir o mundo da melhor forma que pude. Eu era um desencaixado. O mundo era composto de palavras. Mas eu pensei e senti e às vezes sonhei em uma linguagem secreta de números” – Daniel Tammett, Thinking In Numbers*

*Daniel Tammet nasceu em 1979. Gênio da matemática e fenômeno no domínio de idiomas, bateu recordes usando suas habilidades em cálculo e memorização. Sua trajetória foi tema do documentário britânico The Boy with the Incredible Brain, parte da série Extraordinary People, apresentada no Channel 5. Mora em Kent, Inglaterra.

Somente aos 25 anos descobriu ter a síndrome de savant, mais especificamente a síndrome de Asperger, uma forma de autismo relativamente branda.


Texto da imagem: “Grande parte da minha obra... foi concebida enquanto caminhava. Também considero o movimento a céu aberto como a melhor forma para recuperar minhas energias para trabalhar” – Thomas Mann


Texto da imagem: “Num sentido mais amplo, a alfabetização numérica representa a capacidade de usar números para melhorar a qualidade de vida” – Thomas Armstrong


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Autismo: Importância da leitura e das histórias para a compreensão social 


Aspergers: Tabu e o preconceito contra autistas artísticos 

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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