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Destaques

Causa Autista, História e Divergências Políticas no mundo inteiro

Para quem acha que o que acontece no Brasil é inédito, basta conhecer a história do autismo. As divergências políticas são parte da história do autismo. Cada conquista aconteceu por causa das lutas dos movimentos sociais organizados.


Leia: A História do Autismo: 10 Motivos para ler o livro Outra Sintonia

O Brasil não inventou o fogo. As pessoas poderiam fazer escolhas melhores se estudassem mais. Serve para quem quer falar de política, mas não conhece as questões biológicas também.

Sobre o mundo das organizações brasileiras, já falei algumas vezes: nenhuma me contempla. Nenhum dos lados acerta sempre nem vai acertar, pois cada lado tem seu viés e puxa mais para o que acredita.

O que é melhor para um autista, pode não ser para o outro, seja por questões sociais ou neurobiológicas: o assunto SEMPRE será complexo, pois o autismo é complexo, não é simples como as pessoas fazem parecer.

Quem paga o preço? Quem é invisibilizado. Quem já tem diagnóstico, dificilmente se importa com os que não…

Saúde Mental do brasileiro: Entre o tabu, a negação e a negligência

As pessoas que fogem de entender de saúde mental e transtornos, muitas vezes, são as que mais precisam de ajuda e vivem em constante negação.


Quanto mais estudo neurociências e transtornos, mais percebo que todo mundo usa uma máscara social, intencionalmente ou não – quem representamos publicamente, na frente dos outros.

Máscaras enganam outras pessoas, mas nunca a si mesmo.

Estamos em 2019, mas as pessoas têm muito tabu com saúde mental. Fogem de diagnósticos igual o diabo foge da cruz, como se isso fosse limitador.

“Diagnóstico não é rótulo, é orientação”, repete até fixar.

E quanto mais entendo, mais percebo que a quantidade de problemas e suicídios não é tão aleatória quanto as pessoas pensam, mas um acúmulo de negligência com a própria saúde mental.

Por isso é tão importante investir em saúde mental desde a infância. Desde triagens e diagnósticos, até intervenções. E na vida adulta, todo mundo é grandinho para fazer escolhas mais acertadas (ou deveria ser).

Autocuidado deveria ser diário. Não algo ocasional. Negar os problemas não faz eles desaparecerem. O brasileiro precisa amadurecer e perder o medo de discutir saúde mental, parar de tratar como se fosse um tabu.


Tive meu diagnóstico de Asperger aos 29 anos. Muita gente não sabe, mas a taxa de suicídio entre autistas com inteligência acima da média é altíssima, bem maior do que entre a população geral, seja na infância, adolescência ou vida adulta.

Eu fiquei quase dois anos até conseguir o diagnóstico, não porque não queria, mas por falta de profissionais capacitados no Brasil que entendam de adultos no espectro autista: mal existem profissionais capacitados para diagnosticar crianças e adolescentes, imagina na vida adulta?

Eu poderia entrar em modo de negação e fingir que não era autista, afinal, passei a vida inteira sem um diagnóstico, mas todas informações que temos sobre nós mesmos, nossas limitações e habilidades, refletem na nossa autoestima e nos dão ferramentas para traçar melhores escolhas.

E aí, eu me faço a pergunta: quantas pessoas que se matam eram autistas e nem sabiam? Quantas delas iriam atrás de um diagnóstico? E não só isso, mas quantas têm TDAH e fogem de um diagnóstico? Quantas tem depressão, ansiedade, transtorno bipolar, transtorno de personalidade Borderline e a lista só aumenta e aumenta...

Por trás do "nem parecia triste" e "era uma pessoa tão feliz", muitas vezes, se esconde uma pessoa que só mostrava aos outros o que ela queria. Todos vestimos máscaras diariamente: mais de uma. O que não quer dizer que internamente, não precisamos tentar entender quem somos e cultivarmos o autocuidado e amor próprio.

Cuidar de si mesmo é também cuidar dos outros. Não confundam amor próprio com egoísmo, pelo contrário, é um ato de gratidão. 

Muitas pessoas, quando entram em uma jornada de autoconhecimento são mal-interpretadas pelos outros. Geralmente, quem nega os próprios cuidados de saúde mental estranha quem busca se entender diariamente.

Dica: Cuidados diários com a saúde mental não são só para quem tem transtornos neurológicos, mentais e/ou neurodegenerativos, mas para todas pessoas, sem exceções.

*Este texto não tem a intenção de julgar ninguém, mas de levar a uma reflexão sobre como o orgulho e o desconhecimento fazem com que muitas pessoas fujam de ajuda. Estamos em 2019, mas muita gente tem medo e vergonha de diagnósticos, como isso mudasse quem elas são. Eu ainda sou o mesmo Ben de antes do diagnóstico de Asperger, por exemplo, só tenho um repertório bem maior de informações sobre mim mesmo. Inúmeros transtornos influenciam nossas habilidades de funcionamento diários (isso é cientificamente comprovado). Não saber que você tem um transtorno é bem pior do que saber, mesmo que você lute diariamente para se aceitar, eventualmente você reencontra o equilíbrio. Muita gente prefere o 'rótulo' de preguiçoso, excêntrico, impulsivo etc. do que diagnósticos com medo de outros 'rótulos'. Mas diagnósticos não são rótulos e servem para orientar.

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*Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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