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Destaques

Causa Autista, História e Divergências Políticas no mundo inteiro

Para quem acha que o que acontece no Brasil é inédito, basta conhecer a história do autismo. As divergências políticas são parte da história do autismo. Cada conquista aconteceu por causa das lutas dos movimentos sociais organizados.


Leia: A História do Autismo: 10 Motivos para ler o livro Outra Sintonia

O Brasil não inventou o fogo. As pessoas poderiam fazer escolhas melhores se estudassem mais. Serve para quem quer falar de política, mas não conhece as questões biológicas também.

Sobre o mundo das organizações brasileiras, já falei algumas vezes: nenhuma me contempla. Nenhum dos lados acerta sempre nem vai acertar, pois cada lado tem seu viés e puxa mais para o que acredita.

O que é melhor para um autista, pode não ser para o outro, seja por questões sociais ou neurobiológicas: o assunto SEMPRE será complexo, pois o autismo é complexo, não é simples como as pessoas fazem parecer.

Quem paga o preço? Quem é invisibilizado. Quem já tem diagnóstico, dificilmente se importa com os que não…

Autismo: Jogos Políticos, generalizações e viés

No mundo inteiro, o mundo do autismo tem polarização.


Há quem veja como identidade social x diagnóstico; há quem veja como doença (visão errada), quem veja como transtorno e quem veja como uma variação natural da diversidade neurológica (entre outros pontos de vista).


Tratar o autismo como algo meramente social revela o profundo desconhecimento do funcionamento cerebral, mas também tratar só de forma médica não é saudável. O ideal seria um equilíbrio, algo que falta quando falamos de polarização.

Infelizmente, muita gente passa informação errada o tempo todo, desde tratamentos, intervenções, generalizações, aprendizagem e por aí vai.

Alguns são contra o diagnóstico precoce, outros são contra tratamentos. Alguns buscam a cura que não existe, outros não percebem que o cérebro faz quem nós somos: um autista curado seria OUTRA pessoa.

Nenhum extremismo e generalização ajuda nenhum autista. Muitas vezes, é preciso deixar de lado o viés e pensar no coletivo, não em birras pessoais. Isso na teoria... Na prática, é um show semanal do qual nenhum protagonista me cativa e eu tenho vontade de desligar a TV.

Então, vamos lá:


1) Minha página não é palanque. Eu me recuso a participar dos jogos políticos e vejo movimento de todos lados. Só não vê quem é muito ingênuo e não consegue captar as coisas (muitas pessoas).

2) Tenho histórias de bastidores com algumas pessoas e não me justifico. Se você não é bem-vindo na minha página ou grupo, não espere ser bem recebido. Minha página é pública. Meu grupo e meu perfil não.

3) Aos que são facilmente influenciáveis e têm dificuldade de pensar por conta própria, sinto muito por vocês. Pensamento crítico é tudo.

4) A todos, recomendo mais leitura, estudos e pesquisa. Toda semana uma confusão diferente, muitas vezes, por falha de interpretação de leitura/baixa compreensão de leitura, dificuldade de empatia e de bom senso. Pessoas transformando experiências pessoais e generalizando como se contemplassem todos.

Spoiler: Não me contempla nem me representa. Por esse e tantos outros motivos, fico BEM LONGE do mundo das associações brasileiras e não tenho o mínimo interesse de fazer parte. Prefiro ajudar de forma independente.

“É uma verdade básica da condição humana que todo mundo mente. A única variável é sobre o quê” – Dr. House

Qualquer dúvida, não me pergunte.

Sobre as reclamações do Censo de Autistas:


1) O autodiagnóstico serve como um pontapé inicial para a pessoa ir atrás de um diagnóstico formal. Se ela não quer um diagnóstico formal na vida adulta, é uma escolha dela. Toda cidade tem profissional capacitado? Absolutamente não. O diagnóstico é acessível para todos? Estamos bem distantes desta realidade, porém, existem diagnósticos diferenciais e sobreposições do autismo com outras condições e a pessoa precisa ter os comportamentos desde a infância (critérios do diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista e/ou Síndrome de Asperger);

2) As pessoas se esquecem de um detalhe básico: muita gente foge dos diagnósticos. Os números sempre vão dar alterados, querendo ou não. Não só há uma falha de subdiagnósticos, como há uma questão de tabu e estigma: muitas pessoas não querem o diagnóstico. Se é na infância, é errado, afinal, é um dever dos pais se responsabilizarem pelo desenvolvimento saudável do filho e atualmente temos muito mais informações do que antigamente. Se é na vida adulta, a pessoa será forçada a ir atrás de um?

3) Qualquer dado sobre os números do autismo no Brasil é melhor do que nenhum. Ficar dando tiro no escuro não vai favorecer ninguém.

4) O problema da falta de diagnóstico é uma questão, o número de autistas diagnosticados é outra. Os dados podem ajudar na percepção de que o país precisa de mais profissionais capacitados, mais conscientização sobre autismo, afinal, a proporção é semelhante em vários países. Interromper um processo pelo outro não é esperto.

5) Eu nem deveria lembrar, mas vamos lá: Se você não tem um diagnóstico formal, você precisa ser mais cauteloso nos posicionamentos. Existe um problema de subdiagnósticos? Sim. Acreditar que todo mundo é autista, é um cenário completamente diferente. Adoro a ingenuidade de muitos de vocês (só que não), mas nem tudo que parece é. Eu com o papel, sei que muita gente não entende. Usei UMA VEZ o papel até o momento. Usar benefício de autista sem ter o diagnóstico formal é errado. Não sabia? Agora, sabe.

PS: Os números sempre vão dar alterados, seja pela desigualdade social, falta de acesso ao diagnóstico e à informação sobre autismo ou pela cultura preconceituosa. E isso não é exclusivo do Brasil. Os problemas de diagnóstico são mundiais, mas alguns países têm processos de triagem e diagnósticos mais organizados e eficientes. No Brasil, tudo é muito bagunçado. Deveria ser obrigatória a avaliação desde a infância. Já na vida adulta, a questão é mais complexa, estamos falando de centenas/milhares de pessoas que nem sabem que estão no espectro autista.

Quando eu fui atrás de um diagnóstico, profissionais me perguntaram porque eu queria, se eu sou 'bem desenvolvido', afinal, alguns Aspergers são mais desenvolvidos do que outros, no meu caso, por causa da inteligência e dos estímulos que tive ao longo da vida. Alguns autistas aprendem a camuflar seus traços por imitação, mas essa não é uma realidade para todos autistas, tampouco para todos Aspergers. Como saber se a pessoa então é autista, se ela passou a vida inteira sem um diagnóstico? Investigando a vida dela desde a infância, adolescência e vida adulta.
***
Para quem não está familiarizado com a história do autismo e não entende nada dos bastidores, e acha que todas associações são unidas, sinto muito.

A causa do autismo nunca foi unida. Em vários países existem esses conflitos de perspectivas, lobby e política. Por isso é importante ter uma leitura crítica da vida.

O que é novo no Brasil, já aconteceu há 10, 20, 30 anos lá fora.

Já recomendei várias vezes o livro Outra Sintonia: https://amzn.to/2jLS9Kv

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Ensinem/aprendam compreensão/interpretação de texto, especialmente se querem conviver bem na internet. Indicação de livro Ler e Compreender: https://amzn.to/2LAau8G

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