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Destaques

Criminologia, Jornalismo e Ativismo Social: Uma Tríade Maquiavélica, Subjetiva e Tosca – Ben Oliveira

Uma coisa que precisa ser dita sobre Ciências Humanas e Criminologia . Vocês distorcem quase tudo com subjetividade. Nem todo assassinato de LGBTQ é LGBTQFOBIA , racismo etc etc. Estudem mais e passem menos vergonha na internet por ativismo burro.  Já falei e repito: quem define a motivação do crime é o assassino. Quem descobre? Quem está investigando. Não é a 'opinião' da sociedade nem todos mimimis que muita gente leva nas costas, como se fosse a vida deles, e sempre sofrem, sofrem e sofrem. Iluminação significa enxergar as coisas com clareza. Equilibrar ciência e magia, yin-yang, wicca e yoga. Mas muitos de vocês não estão e nunca estarão prontos para essa conversa. É triste? Mas real.  Se for para fazer ativismo burro é melhor não fazer, pois presta desserviço à sociedade e pânico desnecessário. Para quem é jornalista, responsabilidade SEMPRE. Vida profissional e vida pessoal, identidade pessoal e coletiva, justiça pessoal e coletiva, coisas completamente diferentes. Eu po

Twin Flames: Chamas gêmeas devoradas pelo ouroboros – Ben Oliveira

Entre o karma e o destino, nossos caminhos se cruzaram em uma tarde de domingo. Hipnotizado pelos seus olhos castanhos brilhantes, minha alma reconheceu a sua em cinco segundos. Eu sabia que era jogo perdido e que não adiantava lutar: a paixão estava anunciada na maneira que o meu coração batia freneticamente e nossos beijos eram como oráculos sussurrando que o amor estava vindo e não havia para onde correr.

Como duas flores que nasceram na mesma planta e se enroscavam, nossas pétalas brilharam tanto e queimaram pelos dias de sol, de chuva e de frio, bem como pelos olhares invejosos daqueles que não suportavam a ideia de que um amor como o nosso era real e eles jamais encontrariam algo assim em suas vidas.

Você, vermelho como o sangue que queimava dentro de mim sempre que te via e me fazia arder da cabeça aos pés, de dentro para fora; eu, azul da cor que fiquei e fico sempre que nossos olhos se cruzam pela última vez e sou consumido pela sua ausência, capaz de fazer até o filme mais colorido da Disney se tornar cinzento e me fazer jorrar lágrimas, como se a existência sem você fizesse toda e qualquer possibilidade de felicidade se tornar passageira. 

Conviver com a ideia de que nenhum outro amor fará meu espírito queimar como o nosso me atormenta diariamente, enquanto revivo nossas memórias, tiro o pó dos ossos que enterramos em nossas mentes, deixo as emoções me derrubarem e levantarem de forma frenética. “O fantasma de nosso amor ainda vai me matar um dia”, eu penso enquanto ando pela rua e te vejo em todo lugar.

É como se uma parte de mim desejasse que não importa quanto tempo a gente fique sem se ver, nós dois sempre seremos os mesmos e eu poderei contar com você para me salvar, como eu sempre estarei ali para te proteger com unhas e dentes como um leão que não consegue encontrar paz até ter a certeza de que o seu parceiro não estará em perigo.

No final, sou engolido pela cobra de duas cabeças: como uma criatura mitológica e metamórfica, feita de duas esfinges que jamais eram decifradas pelos outros, mas adoravam se devorar.

Eu poderia falar da água que era como uma tempestade perfeita e carregava um veneno de serpente misturado ao de escorpião, capaz de fazer um coração acelerar como se fosse explodir no peito, só para depois paralisar e o órgão ser dissolvido, até não restar cinzas e escuridão. 

Mas também poderia falar da terra, que tentava prover estabilidade nos dias de terremoto e prendia seus galhos e raízes com toda força, evitando que o furacão que eles carregavam no peito os separassem. 

Poderia falar da cura que um sentia quando estava perto do outro, das energias que eram recarregadas de forma mágica e instantânea, e de como mesmo quando o mundo estava em chamas, um fazia chover dentro do outro, uma chuva capaz de apagar qualquer incêndio, só para que outro recomeçasse logo em seguida e ambos queimassem quando suas mãos se tocavam, seus lábios colavam um no do outro e seus corpos, mentes e espíritos se fundiam em perfeita harmonia, como yin-yang.

Somos luz e sombra um do outro. Somos a centelha divina que brotou no mesmo cálice do amor. Somos tudo aquilo que poderia ter sido, mas não foi. Somos aqueles que as pessoas lembrariam mesmo após quase dez anos. Somos aqueles que as pessoas torciam por um final feliz e outras insistiam em tentar separar. Somos aqueles destinados a se encontrar, só para depois sermos arremessados em uma encruzilhada, a qual nos levaria a duas possibilidades: algum dia ficarmos juntos para sempre, ou nossos caminhos nunca mais se cruzarem.

Fomos melhores amigos, amantes, colegas de classe, colegas de profissão. Fomos duas pessoas incompreendidas pelos outros, mas que quando estavam juntas encontravam alguma luz. Fomos. Hoje, já não somos.

Como cão e gato, estamos destinados a um correr atrás do outro e o outro continuar fugindo. Em um misto de medo, nostalgia, confusão, paixão e amor verdadeiro, as emoções vibram de forma que mesmo quando estávamos distantes, era possível saber quando o outro estava verdadeiramente feliz ou fingindo, ou se estava destruído por dentro e não tinha forças para dar um grito de socorro.

Os mesmos que eram capazes de incendiar castelos; os mesmos que tentavam proteger um ao outro, em uma espécie de juramento silencioso de que suas almas sempre estariam ali.

Somos. Fomos. O que seremos talvez seja decidido pelos dados, o que não seremos talvez seja decidido pelo medo, pelo ego, pelos mal-entendidos. Neste jogo macabro de charadas, a princesa virou vilã, a rainha devorou o próprio coração para sobreviver. De todos sapos engolidos, das dores de dentes, das ligações em lágrimas, um dos dois estava decidido a nunca repetir o que ele via como erro, enquanto o outro via como o acerto perfeito.

O que eles não sabiam era que em um universo de um milhão de possibilidades, suas vidas jamais seriam as mesmas. Alguns amores não podem ser esquecidos. Alguns relacionamentos te assombram até os últimos dias da vida. Enquanto um enterrava os esqueletos, o outro ia lá com a pá e revirava diariamente. 

Enquanto um mantinha o outro como segredo, o outro transformaram a peça de uma velha pulseira e carregava no peito com orgulho, na esperança de que um dia, após terem passado por tantas provações na vida e amadurecerem, seus espíritos andariam pela grama e se encontrariam na árvore que carregava marcas de um amor épico capaz de causar inveja naqueles que sonham com um conto de fadas.

Passando os dedos pela casca da árvore, dois nomes e um coração cravados despertavam memórias doces e a assombrosa noção de que os dias dourados jamais voltarão. Um se jogava no lago das emoções, o outro deitava na grama da razão. Se ao menos algum leitor, ouvinte ou telespectador pudessem alertá-los, eles saberiam que aquele amor era de um em um milhão. 

Até o dia do julgamento chegar, um focava no trabalho e em seguir em frente, e o outro aprendera a vestir um sorriso capaz de enganar a todos. Seus nomes continuariam sendo espalhados pelo vento. Algo morria, curava, renascia, como o parque em que eles tanto iam e sempre estava igual, sempre diferente. 

Como duas chamas que queimavam e apagavam, queimavam juntas e longes, apagavam distantes e ausentes. Eles queimaram dentro do mesmo cálice do amor, mas agora um dos dois não queima mais. A serpente da terra provocava a de água e mostrava que seus olhos, embora secos, às vezes tinham mais água do que o oceano.

Mas, a musa, esta permanecia viva, sempre produzindo sua magia na mente daquele que padecia de uma doença incurável, ter nascido com coração de artista, uma condição capaz de fazê-lo chorar todas lágrimas do mundo e, ao mesmo tempo, sorrir como uma criatura que perdeu a sanidade mental quando pensava no outro, naquele que ele julgava como uma parte amputada e perdida.

“Certa vez, alguém sábio me disse que escrever é perigoso, pois nem sempre você pode garantir que suas palavras serão lidas no espírito em que foram escritas” – Jojo Moyes, A Última Carta de Amor

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo e bruxo há 25 anos. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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