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Destaques

Um ano sem fumar cigarro

Em um ano muita coisa pode acontecer. Depois de tanta espera, finalmente completei um ano sem fumar cigarro. Confesso que no início não tinha certeza se iria conseguir, assim como muitas pessoas. A sensação de que parece impossível toma conta, mas a de que é possível também vem à tona. Um ano sem fumar cigarro. Poderia fazer a conta de quanto havia economizado, mas estava mais interessado no quanto havia ganhado de saúde. O que antes parecia uma estratégia para lidar com a ansiedade, descobriu tarde demais que também causava ansiedade. Estaria mentindo se dissesse que estava completamente livre do risco de recaída, ninguém estava, mas estava feliz pelo dia finalmente ter chegado. Então, respirava com mais tranquilidade e mesmo nos dias de ansiedade, aprendera que o cigarro não era a resposta. Pelo contrário, que criava mais problemas. Um ano acreditando em si mesmo e confiando no processo. Um ano sem fumar cigarro. Um ano.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do...

Nostalgia Sombria

Fora do pedestal, encarava o outro como um ser humano qualquer, sem todas fantasias e idealizações, sem o desejo alimentado pela nostalgia. Nada mais justo a fazer, especialmente quando deixara claro que não queria fazer parte da sua vida.

Os meses voaram, mas as palavras continuavam ecoando dentro dele. Não havia sentido. De uma coisa ele tinha certeza, sua vida seria diferente se não tivesse Transtorno Bipolar, mas era incapaz de mudar a realidade.

Não importava o que fizesse. Não importava o quanto tentasse. Tudo o que restava era aceitação. Aceitar que independente do que o outro importava para ele, não tinha a mesma importância. Aceitar o não e continuar seguindo em frente, consciente de que encontraria um sim pelo caminho.

Era quando encarava o vício de frente, que a nostalgia voltava para lhe confortar de alguma forma. Pensar em como as coisas tinham sido boas e se esquecendo da parte ruim, assim alimentava a nostalgia, criando uma espécie de edição de memórias da vida e o outro fazia parte das suas favoritas – ainda que para o outro fosse um capítulo esquecido e sem tanta importância.

A nostalgia era gostosa, mas precisava saber a hora de deixá-la ir e se reconectar com o presente. Aceitar a desimportância que tinha para o outro, aceitar que nada será como foi um dia e não podemos mudar o passado. Simplesmente aceitar, se livrando do canto hipnotizante do amontoado de desejos.

Ia, então, levando os dias, sem se esquecer, mas aceitando as coisas que não poderia mudar. Era, no mínimo, irônico, como a vida era cíclica. Havia passado por algo parecido e entendia mais a perspectiva do outro, mas ainda não havia chegado o dia em que deixara de se importar completamente, era como uma velha cicatriz que ainda ardia e coçava.

De volta ao momento presente, se permitia deixa tudo para trás, o bom e o ruim, e todas idealizações que jamais serão realizadas. Em uma espécie de nostalgia sombria, sabia que às vezes, precisava deixá-la passar fome a alimentá-la, até que os pensamentos perdessem força e pudesse se soltar de uma vez por todas, vivendo no aqui e no agora, sem pensar em todos “e se”, simplesmente aceitando as coisas como elas eram.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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