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Destaques

Um ano sem fumar cigarro

Em um ano muita coisa pode acontecer. Depois de tanta espera, finalmente completei um ano sem fumar cigarro. Confesso que no início não tinha certeza se iria conseguir, assim como muitas pessoas. A sensação de que parece impossível toma conta, mas a de que é possível também vem à tona. Um ano sem fumar cigarro. Poderia fazer a conta de quanto havia economizado, mas estava mais interessado no quanto havia ganhado de saúde. O que antes parecia uma estratégia para lidar com a ansiedade, descobriu tarde demais que também causava ansiedade. Estaria mentindo se dissesse que estava completamente livre do risco de recaída, ninguém estava, mas estava feliz pelo dia finalmente ter chegado. Então, respirava com mais tranquilidade e mesmo nos dias de ansiedade, aprendera que o cigarro não era a resposta. Pelo contrário, que criava mais problemas. Um ano acreditando em si mesmo e confiando no processo. Um ano sem fumar cigarro. Um ano.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do...

Eutimia

Dias de Eutimia. Não fazia a mínima ideia de quanto tempo ia durar, mas sabia que precisava confiar no processo, sem deixar o medo de um próximo episódio bipolar acontecer.


Era verdade que não era fácil. Tinha ficado com hipervigilância – era a forma do cérebro entrar em estado de alerta a qualquer alteração –, mas se preocupar em excesso poderia ser pior do que não se preocupar.

Três anos sem uma crise, estava mais do que contente com a eutimia. Até quando ia durar? Não sabia. O que sabia é que poderia prever os gatilhos e comportamentos e diminuir o seu impacto.

Para quem vicia com transtorno bipolar, era preciso não só tomar remédios e fazer terapia, mas alterar hábitos e rotina.

Há alguns meses tinha começado a monitorar o humor, energia e ansiedade diariamente. Nem sempre era agradável e tinha dias que tinha preguiça de preencher a ficha, mas sabia que era uma forma a mais de garantir mais consciência sobre a própria saúde mental.

Então, mesmo quando tinha um dia bom, às vezes ficava com medo do fantasma da bipolaridade. Mas era verdade que estava em eutimia a tempo suficiente para se tranquilizar.

Era estranho estar com a saúde mental em equilíbrio. Torcia por melhores tratamentos no futuro. Por vidas com menos restrições. Havia abandonado o cigarro. Tentava diminuir o café e reduzir Coca-Cola. 

Estar em eutimia era tudo o que desejara. Mas sabia que a natureza do transtorno fazia com que tudo poderia mudar a qualquer momento. Seguia firme, desta vez, sem alimentar o medo diário de um surto.

Desejava a todos dias de Eutimia. Sabia que alguns casos eram mais graves do que outros e mesmo com a medicação e todas medidas, nem sempre era possível evitar uma crise. Sabia o pior que poderia acontecer, mas escolhera ser otimista.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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