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Destaques

Um ano sem fumar cigarro

Em um ano muita coisa pode acontecer. Depois de tanta espera, finalmente completei um ano sem fumar cigarro. Confesso que no início não tinha certeza se iria conseguir, assim como muitas pessoas. A sensação de que parece impossível toma conta, mas a de que é possível também vem à tona. Um ano sem fumar cigarro. Poderia fazer a conta de quanto havia economizado, mas estava mais interessado no quanto havia ganhado de saúde. O que antes parecia uma estratégia para lidar com a ansiedade, descobriu tarde demais que também causava ansiedade. Estaria mentindo se dissesse que estava completamente livre do risco de recaída, ninguém estava, mas estava feliz pelo dia finalmente ter chegado. Então, respirava com mais tranquilidade e mesmo nos dias de ansiedade, aprendera que o cigarro não era a resposta. Pelo contrário, que criava mais problemas. Um ano acreditando em si mesmo e confiando no processo. Um ano sem fumar cigarro. Um ano.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do...

Resenha: Veronika Decide Morrer - Paulo Coelho

Ao entrar na livraria uma obra chamou a minha atenção: "Veronika Decide Morrer", escrita por Paulo Coelho, conhecido como "o autor brasileiro mais lido do mundo". Já havia assistido ao filme, cujo roteiro foi adaptado do livro e confesso que fiquei surpreso com a atuação de Sarah Michelle Gellar no papel da protagonista.

Nunca tinha lido nenhum livro do escritor tão aclamado por alguns e criticado por outros. A linguagem simples permite a fluidez da leitura e talvez seja um dos motivos de tamanho sucesso pelo mundo, já que permite a sua tradução para diversas línguas sem a perda do sentido, o que também provoca uma certa ira nacionalista nos amantes dos escritores clássicos da literatura nacional.

Chega um momento da vida em que todos nós nos perguntamos o que temos feito e a insatisfação toma conta de nossos dias. A rotina traz a miséria e ficamos acomodados com nossos empregos, relacionamentos e ações. A falta de novidade e a repetição robótica está relacionada à normalidade, mas também pode nos levar a depressão. Já a loucura, seria necessária e vista como o aproveitamento da vida.

Inspirado em experiências pessoais, o livro nos faz refletir sobre a loucura e traz uma mudança de perspectiva sobre a mesma. "A loucura é a incapacidade de comunicar suas ideias", comenta uma personagem internada no mesmo hospício em que Veronika.

Veronika é uma eslovena de 24 anos,  insegura e frágil, porém como somos representações sociais, a imagem que a mulher sempre transmitiu para os outros era de independente e forte, como ela mesmo cita no livro, do tipo que poderia causar inveja e admiração nos amigos.

Formada em Direito por orientação de sua mãe, a mulher trabalhava em uma biblioteca e morava num lar de freiras, no qual alugava um quarto. Deixando seus desejos de lado durante toda a sua existência, ela começou a sentir que sua vida não tinha mais sentido, pois todos os dias eram iguais e decidiu que queria morrer. Veronika planejara seu suicídio tomando remédios e quase conseguiu, mas acorda em um sanatório e descobre que só tem mais alguns dias de vida, por conta de uma condição cardíaca resultante da sua ação.

Tendo ignorando o ódio e o amor durante anos, a mulher vivencia experiências diferentes no sanatório e reflete como seria sua vida se tivesse mais tempo sabendo o que sabe agora. Da tentativa frustrada de suicídio e descoberta de que morreria em alguns dias, na obra acompanhamos Veronika tocando piano, realizando um sonho antigo e lutando finalmente pela sua vida.

O livro nos faz refletir sobre a vida, morte, loucura, justiça, prazer e sexo, elementos que dão sentido às nossa existências pessoais e em sociedade. Nascemos sabendo que vamos morrer um dia, mas deixar de viver torna-se um dilema quando já não temos esta opção e temos uma data definida para acontecer.

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