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Destaques

Um ano sem fumar cigarro

Em um ano muita coisa pode acontecer. Depois de tanta espera, finalmente completei um ano sem fumar cigarro. Confesso que no início não tinha certeza se iria conseguir, assim como muitas pessoas. A sensação de que parece impossível toma conta, mas a de que é possível também vem à tona. Um ano sem fumar cigarro. Poderia fazer a conta de quanto havia economizado, mas estava mais interessado no quanto havia ganhado de saúde. O que antes parecia uma estratégia para lidar com a ansiedade, descobriu tarde demais que também causava ansiedade. Estaria mentindo se dissesse que estava completamente livre do risco de recaída, ninguém estava, mas estava feliz pelo dia finalmente ter chegado. Então, respirava com mais tranquilidade e mesmo nos dias de ansiedade, aprendera que o cigarro não era a resposta. Pelo contrário, que criava mais problemas. Um ano acreditando em si mesmo e confiando no processo. Um ano sem fumar cigarro. Um ano.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do...

A Fuga da Estética Homossexual - Julio Mesquita

O homossexual, (o personagem dessa história), nada mais é que o estereotipo de uma analogia psiquiátrica do século 20. Um autor brasileiro chamado Lúcio Cardoso (1913-1968) tratou a homossexualidade como um doloroso atestado de incompreensão.

“Médicos, professores do futuro; exponho-me nu aos vossos olhos de certeza”, escreveu ele, sintetizando sua posição de rejeitado. Crítico e autodestrutivo, Cardoso via na trajetória desses profissionais, o sarcasmo com a causa alheia e o pouco caso com as deficiências didáticas em se falar do tão emblemático assunto.

Com sua observação pessoal de quem sofria na própria pele, Cardoso se esforçou para exprimir uma explicação “simplória” para sua homossexualidade, da qual nunca afastou seus ideais religiosos.

Menos dogmático que Cardoso, o furioso Oscar Wilde (1854-1900) lustrou sua vida sexual com o verniz do desafio, do vício e da decadência. Ao descrever quão efêmera é a beleza, um relato como (O retrato de Dorian Gray), reafirma um vínculo entre a homossexualidade e o “Metro-sexualismo”, seja ele nobre ou doentio. O amor homossexual, nesse caso, não passaria de uma afetação, como o esnobismo e o pedantismo. – que estão sempre presentes nos escritos do intelectual inglês.

Em carta ao amigo Robert Ross, escrita dois anos antes de sua morte, o intelectual inglês se arrepende dessa posição. Mas, em vez de procurar progredir com suas batalhas internas rumo à aceitação de si, fez recuar abruptamente. Escreveu: “Eu teria alterado a minha vida se admitisse que o amor uranista era ignóbil”. De fato, o intelectual não havia chegado a uma conclusão de si.

Eu, como um leitor voraz que sou, li muitos autores e escritores que, bem e mal diziam, a homossexualidades em seus escritos. O intelectual francês Marcel Proust (1871-1922), autor de uma escrita poderosa, farta, complexa e de altíssima competência, via as práticas homossexuais como uma espécie de maldição. Algo que, de alguma forma, se ligava às asmas que, desde cedo, o infernizou. Em uma versão, Proust fez da homossexualidade uma versão mundana da elevação espiritual, que ele encenou com sua vida reclusa.

Eu, como pensador, julgo o amor (seja ele qual for) como, antes de tudo, uma manifestação da natureza puramente humana. Portanto, o amor entre iguais, seja ele em baixa ou alta dosagem, sempre será um ato que provem dos mais puros dos sentimentos que temos uns pelos outros.

Assim como a homossexualidade não existe – o homossexual virou um personagem para reverberações psiquipatológica, a fim de alimentar os consultórios de mercenários pseudo-curadores da anomalia social. Politizada pela contracultura, essa manifestação tornou-se não só marginal, mas contestadora. Por conta disso, é que sua força tomou proporção de violência, tom político e de representação. E diante de caminhos ainda bastantes longos à percorrer, esperamos respectivos avanços dos quais certamente ouviremos falar.

Julio Mesquita é publicitário e escritor. Atualmente é colunista da Revista Momento Inesquecível – uma revista brasileira sobre o Casamento Gay . Para saber mais informações sobre o autor, visite o site dele: www.juliomesquitaescritor.com. E-mail para contato: mesquita.julio@uol.com.br.

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