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Destaques

Limites

Estava aprendendo a cada dia mais a importância dos limites. Era ao usar as redes sociais quando via limites sendo ultrapassados o tempo todo e muitos comentários desrespeitosos, que levavam à importância de bloquear. Bloquear alguém no início poderia ser desconfortável, mas depois era libertador. Por que damos tanta importância para as opiniões dos outros? Por que abrimos a porta para que entrem e bagunçam nossas mentes? Não sabia porquê, mas havia um intervalo de tempo em que as coisas começavam a fazer sentido. “Eu não preciso passar por isso... Opiniões de estranhos não deveriam importar tanto assim”. Então, ia percebendo um padrão nesses comentários, mas preferia bloquear silenciosamente. A verdade era que nós ensinavámos aos outros como poderiam nos tratar. Escrevia como um lembrete e uma forma de autovalidação, de se confortar de que estava fazendo o certo. Escrevia para lembrar aos outros que seus limites também importavam. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jo...

Quando borboletas ganham vida


Sabe quando dizem que a qualquer momento tudo pode mudar? Às vezes nos custa acreditar nesta verdade, até que ela aconteça conosco. Foi preciso um olhar e um par de sobrancelhas se erguendo para que algo mudasse dentro de mim.

Tudo começou quando nós dois conversamos pela primeira vez na internet. Ele falando bastante e cheio de perguntas, enquanto eu com preguiça e cansado fazia questão de responder as dúvidas, mas sem dizer muito. Conversamos sobre filmes e cantores, todavia, até então, nada que pudesse chamar tanta atenção.

Eu estava em um daqueles dias em que a preguiça toma conta do seu corpo e não adianta o que você faça, dificilmente você conseguirá sair dessa maré de letargia. Conversa vem, conversa vai, ele me convidou para ir ao shopping. Ele perguntava se eu iria ou não e dizia que eu parecia não estar no clima de sair de casa. Eu realmente não estava com muita vontade, mas pensei: "Por que não?". A vida é tão curta e são nas pequenas ações que muitas coisas acabam transformando tudo ao nosso redor. Tomei um banho, me troquei e antes de sair de casa para me encontrar com ele, fiz uma pausa para tomar um café. Acredite, se não fosse pelo líquido preto, eu nem mesmo teria saído da cama.

Então, eu cheguei ao local em que tínhamos marcado de nos encontrar, um supermercado. Eu olhava para o relógio e nenhum sinal dele aparecer. Tive tempo de percorrer alguns dos corredores do mercado e até mesmo mandar uma mensagem de preocupação para um amigo: "Já sei qual desculpa vou usar caso não role nenhuma afinidade entre nós dois: o meu gato acabou de morrer". Eu nem mesmo tinha um gato e todo o meu receio de que pudesse passar por mais um encontro frustrado acabou no momento em que vi a imagem dele se aproximando de mim.

"Para onde nós vamos?", perguntei.
"Vamos andar por aqui", ele me respondeu.
"No mercado?", questionei.
"Não, por aqui".

Juntos nós dois andamos pelo quarteirão do mercado até decidirmos ir para outro lugar. Sabe aquele momento estranho em que você se pergunta: "Tá. Ele parece ser legal, mas falta saber o principal, será que vai rolar alguma química entre nós dois?". Foi preciso alguns beijos e uma troca de olhares para entender que tudo seria melhor do que eu esperava.

Após o primeiro encontro, nos vimos outras vezes e desde então o sentimento que eu nutria por ele só aumentou. Um beijo levava a outro. O calor do corpo dele em contato com o meu fazia diferentes reações químicas acontecerem dentro de mim. Encantado... Eu estava encantado de o ter conhecido. Tudo aquilo só me fazia pensar: "Como é que eu só fui conhecê-lo agora?".

Foi neste momento em que eu percebi que não importa quantas vezes nós tentemos perseguir a felicidade ou procurar a pessoa certa, algumas coisas estão simplesmente fora de nossos controles. De um encontro inesperado algo mágico ressurgiu dentro de mim. Ah, as borboletas... eu que pensei que elas estivessem mortas e nunca mais pudessem aparecer, elas estavam vivas novamente! Mais do que meras borboletas no meu estômago, algo se acendeu dentro de mim. Meu corpo se encheu de vida e mesmo que eu tentasse disfarçar os meus sentimentos, eles estavam em cada parte do meu rosto, como nos meus olhos e no meu sorriso.

Este era só o começo de uma história. Dizem que nada acontece por acaso, principalmente quando se tratam de histórias, já que o narrador tem o poder de dizer o que acontece ou não, e de acordo com os motivos que o agradem. Eu não tinha nenhum direito autoral sobre esta história, era um mero personagem, mas o que eu mais queria era poder fazê-lo feliz e aproveitar sua companhia o tanto quanto eu pudesse.

Quando dizem: "Cuidado com o que você deseja, pois você pode conseguir", as pessoas se esquecem do poder que as palavras tem. Olho para ele neste exato instante e percebo que talvez realmente tudo tenha um motivo e hora certa para acontecer, pois ele está aqui ao meu lado, onde eu mais desejei que alguém especial pudesse estar.

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