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Destaques

Resenha: Candyman – Clive Barker

Um presente para os leitores de Clive Barker, assim é a edição para colecionadores de Candyman, publicada pela editora DarkSide Books, em janeiro de 2019, com tradução de Eduardo Alves e posfácio de Carlos Primati.


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Candyman (The Forbidden) é um conto, portanto a leitura é enxuta, mas envolvente, e transporta o leitor para o clima de lendas urbanas. Embora já não sejam mais comuns na tradição oral e tenham ganhado o ambiente virtual, histórias sobre acontecimentos assustadores e questionáveis fazem parte da existência humana.

Com uma atmosfera sombria e mais urbana, Clive Barker leva o leitor ao gueto, onde a violência e a criminalidade por si só já contrastam com a realidade de outros bairros da cidade e acabam tão banalizadas que a história faz a personagem principal, Helen, se interessar pelo caso contado por uma das moradoras.

“E as histórias que contaram para ela – seriam confissões de crimes não cometidos, relatos do …

A Chave, o Livro e o Cadeado

Ganhei um marcador de páginas de corrente. Quem me conhece sabe que amo livros e que não poderia deixar de gostar de um presente assim. Meu melhor amigo disse que escolheu este marcador por causa de seus pingentes: uma chave e um cadeado. “É como se a cada livro você fosse entrar por uma porta para um mundo desconhecido”. Ele não poderia definir melhor a sensação de uma boa leitura.

Quantas portas eu tenho aberto ultimamente? A cada viagem feita, é como se eu trouxesse novas histórias para contar, novas vivências, novas experiências. Creio que da mesma forma que uma chave te permite adentrar em outro universo, ela também pode ser usada para fechar aquela porta a qualquer momento, caso a leitura não seja agradável ou se torne pesada demais.

A minha corrente de chave e cadeado são minha proteção. Uma maneira de garantir que eu não me perca no meio das centenas de páginas. Também pode significar um convite. O marcador de páginas é tão lindo que já pensei até em usá-lo no meu pescoço – quem sabe deste jeito eu me transforme em um guardião dos livros.

Ler também significa viajar. Fecho os olhos e me lembro das horas no aeroporto aguardando o voo. Enquanto algumas pessoas só tem nestes pequenos momentos a oportunidade de mergulharem na leitura, outras tornam a ação diária em sua vida. Meu amigo está ao meu lado, lendo um livro de bruxaria. A cada página que lemos, contamos o que mais gostamos da história um para o outro. Longe de atrapalhar, aquilo é a nossa maneira de compartilhar nossas vivências, o que estamos aprendendo, o que nos agrada ou desagrada.

Entre cafés e histórias, observo meu amigo balançar o seu livro animadamente. Seu marcador de páginas também é de corrente, porém o seu pingente é um avião que balança, como se estivesse planando. Estávamos viajando dentro de outra viagem. Seria como uma viagem dupla, já que aproveitávamos para ler somente quando estávamos cansados demais para andar pelas ruas do Rio de Janeiro.

De volta à nossa cidade, olho para o pingente e me pergunto se a vida também não é como uma leitura. Quantas portas nós abrimos com nossas chaves e quantas nós deixamos de abrir, seja por que não temos uma chave ou porque ela não se encaixa no cadeado. O livro que alguém gostou, você pode odiar ou não se empolgar. A chave e o cadeado certos te dão o poder de abrir novos caminhos, novas aventuras e emoções, porém quando incompatíveis podem te trazer dor de cabeça e mágoas. Abracei o livro, como se abraçasse a mim mesmo e repeti em minha mente: “Tudo vai ficar bem. Você tem a chave e tem o cadeado. Da mesma forma que pode se abrir para o desconhecido, também pode se fechar quando necessário”.

E talvez, mas só talvez, uma forma de não se decepcionar com uma leitura ou uma viagem, seja não criando tantas expectativas. Deixando-se aberto ao que vem pela frente, é possível se surpreender com tudo, afinal, você está em uma área desconhecida. Inesquecível ou horrível, quem faz a sua jornada é você mesmo.

*Texto: Ben Oliveira

Comentários

  1. Queria um marcador assim... Você realmente ama mesmo livros, por isso escreve tão bem. E seu amigo acertou em cheio no presente. Abraço!

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