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Destaques

Caderno

Uma folha em branco, uma oportunidade de colocar para fora o que estava sentindo. Há dias em que tudo parece intenso demais, em que preciso me ancorar para não deixar a tempestade me arrastar. Dia após dia, ia anotando suas vivências. Memórias que poderiam ser consultadas com o tempo. Emoções que estava sentindo e acontecimentos que de alguma forma ou outra tinham o tocado. Nada passava despercebido. Aprendera com o autoconhecimento que mesmo quando tudo estava complicado, nomear as emoções e identificar gatilhos poderia deixar as coisas um pouco mais fáceis. Tirar pedaços do dia para escrever. Escrever o que estava sentindo, o que estava acontecendo, usá-lo como um confidente. Da mesma forma que em alguns dias tinha muito a escrever, em outros havia pouco ou quase nada, é isso também era um sinal, seja de que talvez estivesse melhorando ou da importância das pausas. Escrevia para dar propósito. A escrita começava solitária, mas chegava a pessoas de diferentes partes do mundo. De repen...

Tempestade Interior


Enquanto os ventos e trovões anunciavam que uma tempestade estava chegando, dentro de mim uma já estava acontecendo. Os sons dos alarmes e das vozes em minha cabeça me mantinham acordado. Sentimentos se colidiam com pensamentos e giravam em meu interior.

A chuva chegou sem pedir licença. Inesperada e forte, como a tristeza que eu sentia. Os barulhos do impacto na janela e no telhado davam a sensação de que estes iriam quebrar a qualquer momento, como uma parte do meu espírito que eu já não tinha certeza se existia.

"Não deveria mais doer", era tudo o que eu conseguia pensar. Não era a primeira vez que eu me machucara. Todavia, era o mesmo que acreditar que um raio não poderia cair no mesmo lugar. Ele não só cai, como às vezes, pode atingir com mais intensidade e queimar até transformá-lo em cinzas.

O céu azul que havia sido pintado tornou-se tão escuro que já não era possível enxergar. O dia se confundia com noite e despertava o meu lado sombrio. A oscilação da energia mostrava que a lâmpada se apagaria a qualquer momento. Medo do escuro? Não. Aprendera a enxergar através das sombras e brilhar por conta própria.

O barulho do trovão anunciava que era só o começo. Enquanto alguns rezavam para esta acabar, outros sabiam apreciar a beleza da desordem que esta trazia. No momento certo ela pararia, mas como boa tempestade deixaria rastros de destruição por onde passara. O mesmo som que assustava alguns foi o que finalmente me fez dormir.

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