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Destaques

Dias de silêncio

Nos dias de silêncio estava dividido entre a fadiga e a ansiedade. Amava escrever, mas sentia como se não tivesse energia suficiente. Não poderia negar: gostava da sensação de estudar. Porém, os conteúdos difíceis eram como pedras: sabia que para algumas coisas precisava de um tempo a mais.  Entre aulas mais calmas, intermediárias e complexas, tentava fazer o melhor possível para aprender, sem se comparar com os outros, sabendo que cada um era único e todos tinham suas facilidades e dificuldades. A verdade era que mesmo coisas que gostávamos poderiam nos deixar cansados e tínhamos que tomar cuidado para não entrar em estado de esgotamento. Estava fazendo o possível para deixar a rotina equilibrada, de forma que não tivesse mais sobrecarga mental. O excesso de estudo poderia ser pior do que não estudar. Escrevia para registrar como os dias estavam sendo. Escrevia para matar a saudade de escrever. Escrevia para estudar. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Auto...

O Amor e os Contos de Fadas


Nem todos os contos de fadas têm finais felizes. Depende do final de quem você está analisando. Se pudéssemos escolher entre ser a princesa que se casou com o príncipe no final ou ser a bruxa malvada, poucos escolheriam a segunda opção. Todavia, como tudo na vida, nem sempre temos direito à escolha.

Toda princesa já se transformou em bruxa malvada um dia, mas nem toda bruxa conseguiu virar ou voltar a ser princesa. Talvez o processo seja irreversível, ou se existisse algum psicanalista dentro dos contos de fadas, este levaria uma eternidade para encontrar uma maneira de transformar o coração de pedra de uma bruxa amarga em um coração vivo novamente. Tal qual o menino Pinóquio desejou ser um garoto de verdade um dia, existem aqueles que anseiam durante a sua vida toda por um final feliz.

Cinderella não se lembra exatamente quando foi que aconteceu, mas sabia que nunca mais seria a mesma. Enquanto algumas pessoas mudavam para melhor e se fortaleciam diante dos problemas e situações da vida, ela se via cada vez mais enfraquecida e cética. Talvez seu príncipe tivesse se perdido no caminho, talvez nunca tivesse existido. Tudo o que restavam eram muitas indagações e poucas respostas.

"Por que eu preciso de um príncipe para ser feliz?", Cinderella fazia a pergunta toda vez que se sentia sozinha. O amor ou a falta dele muda as pessoas. Todas as vezes em que ela observava como a bruxa maltratava todos os que cruzavam o seu caminho não conseguia entender o por quê de tanta amargura. Cinderella pensou desta maneira até o dia em que ela própria começou a passar pela mesma transformação da bruxa.

Depois de conhecer muitos sapos pelo caminho e o pior de tudo, se interessado por alguns deles, Cinderella chegou a pensar que algum deles poderia ser o seu príncipe, mas no final, todos a decepcionaram. A tristeza de cada decepção cresceu tanto que sufocou o que restava de esperança dentro dela. Então, a bruxa que ela julgava ser uma má pessoa, de repente não era tão ruim quanto ela achava. Cinderela conseguia entender como foi que ela chegou aquele ponto, mas sabia que não tinha nada que ela pudesse fazer para ajudar a velha bruxa, quando ela não conseguia ajudar nem a si mesma.

A bruxa contou uma história para ela sobre como tinha perdido o homem que tanto amava. Por um minuto Cinderella sentiu pena da mulher, até perceber que mais triste do que a história da bruxa era a sua, em que nunca chegou a encontrar o seu príncipe encantado.

Antes de perder toda sua fé e esperança, Cinderella se rendera a outras pessoas e chegou a desejar um príncipe que não fosse tão encantado assim, mas a tratasse bem.

O homem da bruxa morrera há anos. A mulher nunca mais encontrou alguém que pudesse fazê-la feliz novamente. Ela tentara inutilmente e após inúmeras tentativas, optou por nunca mais se abrir e deixar ninguém conhecer como ela verdadeiramente era.

Cinderella estava tão perdida quanto à bruxa. A velha estava quase morrendo, quando chamou a garota para conversar. E pela última vez na vida, a bruxa se abriu e entregou para a garota toda a esperança que guardara dentro de si. Cinderella conseguiu evitar por pouco sua transformação total em bruxa malvada, mas não o suficiente para acreditar novamente na vinda do seu príncipe encantado. Ela não sabia o que era pior, viver uma vida acreditando em contos de fadas e algo que nunca poderia acontecer ou viver uma vida sem acreditar em mais nada.

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