Pular para o conteúdo principal

Destaques

Posicionado

Diante de mais de 5 mil denúncias de Assédio Eleitoral, começo a me perguntar se poder se posicionar é um privilégio que nem todos têm. Então, o não posicionamento do outro nem sempre tem a ver com o que ele pensa, mas por questões que não precisa se justificar. Quando colocamos expectativas em algo e/ou alguém, estamos sujeitos à frustração. É normal sentir decepção quando algo não acontece do modo que esperávamos, mas nem tudo é simples como parece. Enquanto milhões de brasileiros usaram as redes sociais para se posicionar, teve muita gente que não fez, não necessariamente porque não queria. Então, diante do medo e do assédio eleitoral, ou por qualquer outro motivo, temos que aceitar que cada um fez o melhor que pode e cada um sabe o que é melhor para si mesmo. Tenho muita gratidão por cada pessoa que se manifestou. Mas também carrego a esperança de que nem todo mundo pode ou quer, seja lá por qual motivo e está tudo bem. Amadurecer envolve lidar com a frustração.  Então, só entã...

Carta aos Leitores - Julio Mesquita


Meu querido leitor, vivo cada momento escapulindo e evitando um cotidiano comum, que possa igualar-me aos demais mortais, que vivem seus dias à procura do tesouro dos piratas e do prêmio de loteria acumulado por eles mesmos. Vivo cada instante me reciclando dessa contaminação estúpida de querer o mundo, quando que o próprio mundo já faz sua contagem progressiva da hora em que ele, o próprio mundo, irá se esgotar.

Tenho ganhado tempo com o próprio tempo e assim, perco menos tempo com o tempo que tenho livre pra mim. Estou sorvendo a vida lentamente, num prato quente e bom, identificando cada ingrediente, selecionando deles o melhor e reinventando novos pratos. Minhas energias são gastas com atitudes benevolentes a mim, ao próximo e ao planeta. Não desejo o que não possa ser útil. Aos outros, quem saberá dizer o que é útil? Penso que ainda escrevo minhas histórias, por isso penso em tudo o que estará presente nelas, das pessoas que delas farão parte, do cenário que servirá de pano de fundo, das alegorias e das emoções entre os correlacionados.

Vai longe à intenção da glória, da vitória e da ambição. Vejo-me num futuro de muita contemplação humana, às vezes profano na carne de alguém, mas sem fugir da serenidade à qual me presenteei. Importa-me povoar mentes e corações com meus escritos, tornar-me um exemplo vivo de discussão e especulação. Eu me posiciono de frente sem medo de olhar nos rostos, falando quase sempre de meus profundos entendimentos. Estou de frente agora com você leitor. Geralmente caricaturo meu vocabulário escrito. Aqui não, aqui inundo o discurso do modo que eu gostaria que ele sempre fosse: cru.

Caminho órfão e diligente rumo ao tato de cada um dos leitores que farão juízo de mim. Depois, depois vejo e analiso e concluo: somos ou não somos a evolução de uma promessa? Acrescento: estamos em um estágio embrionário.

A razão para esta carta são as respostas de cada artigo publicado nos jornais e revistas para os quais eu tenho me doado de alma. Os holofotes estão sobre quem se entrega, se expõem, se dilacera. Nem assim perco o ânimo e continuo propondo ordem analítica frente ao meu estimado leitor. Quanto a mim, fixo nesse enervante final de texto, sepulto o meu convívio com os homens, para ser Deus e soprar a narina deste artigo que viverá em ti. Obrigado!

Julio Mesquita é publicitário e escritor. Site: www.juliomesquitaescritor.com / E-mail: mesquita.julio@uol.com.br

Mais lidas da semana