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Destaques

Calor anormal

Calor anormal. Era mais um dia de onda de calor. Era incrível como o tempo era imprevisível. Há alguns dias estava desejando por dias de sol, mas não desse jeito. O calor desconfortável era fazê-lo desejar a volta dos dias de frio. Parecia que não tinha um meio-termo. Ora estava com dias cinzentos e de chuva, ora estava com onda de calor. Quantos dias de ondas de calor aguentaria? A verdade era que dias assim o faziam sentir uma inquietação e parecia que sentir as coisas à flor da pele. Escrevia para registrar, para desabafar e para mostrar que mesmo diante do desconforto, ainda estava aqui. Escrevia, antes que as palavras queimassem e derretessem com a pele. Era mais um dia de calor do qual não queria lembrar, mas também difícil de esquecer.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , di...

Carta aos Leitores - Julio Mesquita


Meu querido leitor, vivo cada momento escapulindo e evitando um cotidiano comum, que possa igualar-me aos demais mortais, que vivem seus dias à procura do tesouro dos piratas e do prêmio de loteria acumulado por eles mesmos. Vivo cada instante me reciclando dessa contaminação estúpida de querer o mundo, quando que o próprio mundo já faz sua contagem progressiva da hora em que ele, o próprio mundo, irá se esgotar.

Tenho ganhado tempo com o próprio tempo e assim, perco menos tempo com o tempo que tenho livre pra mim. Estou sorvendo a vida lentamente, num prato quente e bom, identificando cada ingrediente, selecionando deles o melhor e reinventando novos pratos. Minhas energias são gastas com atitudes benevolentes a mim, ao próximo e ao planeta. Não desejo o que não possa ser útil. Aos outros, quem saberá dizer o que é útil? Penso que ainda escrevo minhas histórias, por isso penso em tudo o que estará presente nelas, das pessoas que delas farão parte, do cenário que servirá de pano de fundo, das alegorias e das emoções entre os correlacionados.

Vai longe à intenção da glória, da vitória e da ambição. Vejo-me num futuro de muita contemplação humana, às vezes profano na carne de alguém, mas sem fugir da serenidade à qual me presenteei. Importa-me povoar mentes e corações com meus escritos, tornar-me um exemplo vivo de discussão e especulação. Eu me posiciono de frente sem medo de olhar nos rostos, falando quase sempre de meus profundos entendimentos. Estou de frente agora com você leitor. Geralmente caricaturo meu vocabulário escrito. Aqui não, aqui inundo o discurso do modo que eu gostaria que ele sempre fosse: cru.

Caminho órfão e diligente rumo ao tato de cada um dos leitores que farão juízo de mim. Depois, depois vejo e analiso e concluo: somos ou não somos a evolução de uma promessa? Acrescento: estamos em um estágio embrionário.

A razão para esta carta são as respostas de cada artigo publicado nos jornais e revistas para os quais eu tenho me doado de alma. Os holofotes estão sobre quem se entrega, se expõem, se dilacera. Nem assim perco o ânimo e continuo propondo ordem analítica frente ao meu estimado leitor. Quanto a mim, fixo nesse enervante final de texto, sepulto o meu convívio com os homens, para ser Deus e soprar a narina deste artigo que viverá em ti. Obrigado!

Julio Mesquita é publicitário e escritor. Site: www.juliomesquitaescritor.com / E-mail: mesquita.julio@uol.com.br

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