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Destaques

11 Meses Sem Fumar Cigarro

Quase completando 11 meses sem fumar cigarro, se dera conta de que um dia parecia impossível, havia se tornado real. E faltava tão pouco para completar o primeiro ano sem cigarro. Estaria mentindo se dissesse que vez ou outra não sentia uma vontade súbita de fumar cigarro, mas se sentia no controle da situação e era capaz de dizer não. Dizer não se tornava cada vez mais fácil com o passar do tempo. Mas era ilusão achar que nunca mais seria tomado pela vontade. A diferença era que agora era muito mais fácil se negar. Dizer não ao cigarro significava dizer sim para outras coisas. Parar de negar o quanto fumar fazia mal à saúde e aceitar que por mais difícil que fosse se manter longe do cigarro, os benefícios valiam a pena. Então, era um dia qualquer para os outros, mas para quem havia parado de fumar, celebrar esses pequenos passos fazia toda diferença. Só mais um dia sem fumar cigarro. Só mais um dia para ignorar os pensamentos de que não ia conseguir. Só mais um dia provando que era ca...

Taça de Cristal - Julio Mesquita


A masculinidade, do ponto de vista do próprio macho, não é objeto de discussão e tampouco um contraponto a argumentações científicas ou pedagógicas. O macho se julga macho por excelência e pronto! Variou disso, é sinal de desvio comportamental, de caráter ou mesmo uma passível afetação de origem biológica que tomou proporções doentias, como a maioria das vezes costumam dizer.

No início deste novo século, o macho se contradiz com a contemporaneidade de suas ações, buscando propostas antes malvistas por ele. E quando imaginamos que já terminou, o mais distinto dos machos vem a público e dá identidade à sua feminilidade. Quem é o macho atual? É natural que o galo cante aprumado no galinheiro, onde sua presença se faz dominar sobre as demais. Mas há tempo que esse ímpeto ejaculatório e bestial vem deixando de ser unilateral para dar lugar ao bilateral, atuação inconcebível quando falamos das funções e prerrogativas inerentes ao reprodutor e promovedor da nossa frágil espécie masculina.

Hoje, portanto, reduzido ao próprio reconhecimento de que o pênis e o coito não são garantia de milhares e milhares de obviedades, ele o macho, a partir de então, perde o protagonismo para o início de uma nova história.

A ilha, uma vez habitada, abre exceções conflitantes para as quais o macho não foi eventualmente preparado. E, diante desse confronto inédito, ele o macho, se pergunta qual é o seu verdadeiro papel atual junto do que se formou e como se adequar a ele sem que se perca a identificação embrionária. O macho continua virial. No entanto, suas tarefas não são mais exclusividades, muito menos as escolhas da natalidade que sempre lhe coube determinar a data e o lugar. Tantas aberturas e renúncias deixam sequelas traumáticas, que logo terá que rever. E na contramão das suas opiniões, o jeito é a adaptação ao que aí está. As metamorfoses do macho ficam evidentes: a depilação corporal, a busca pelo rosto lânguido e fino, os apetrechos da moda, a inversão dos papéis no lar, o diálogo com a fêmea, o sexo compartilhado no prazer, na tentativa de saciar o sexo oposto, o advento refletido em comum acordo, a homossexualidade e a bissexualidade mais assumida e a obrigação de ter que repassar isso claramente às futuras gerações. Sendo assim, fica esclarecido aqui que o macho que todos nós conhecemos não mais existe, Seu (DNA) ficará nos fósseis do passado hostil lembrado por uma nova contemplação humana.

*Julio Mesquita é publicitário e escritor. Site: www.juliomesquitaescritor.com /  E-mail: mesquita.julio@uol.com.br.

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