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Destaques

Emocionados

Emocionados, talvez seja o que somos. Criamos expectativas, torcemos pelo melhor e mesmo quando as coisas estão difíceis, não desistimos. Eu não me lembro de quando tinha sido a última vez que tinha me envolvido tanto assim por uma causa: reeleger alguém que eu acredito que vai representar meus interesses. Não me lembro de ver tanta gente fazendo correntes. Tanta gente se seguindo, comentando, compartilhando e enviando conteúdo. Enfim, tanta gente engajada. Não posso mentir que no início não tenha ficado com medo de entrar em euforia, mas logo tudo foi se encaixando e me dei conta que independente de diagnósticos, sou um humano com os meus desejos como qualquer outra pessoa. Escrevo na esperança de lembrar os dias de luta. Escrevo para lembrar que mesmo diante da impossibilidade de se posicionar no Instagram, muitos encontraram outras redes sociais para fazer isso, como o X/Antigo Twitter, o Threads, o Facebook e o TikTok. Há algo mágico em conhecer novas pessoas e compartilhar suas af...

Taça de Cristal - Julio Mesquita


A masculinidade, do ponto de vista do próprio macho, não é objeto de discussão e tampouco um contraponto a argumentações científicas ou pedagógicas. O macho se julga macho por excelência e pronto! Variou disso, é sinal de desvio comportamental, de caráter ou mesmo uma passível afetação de origem biológica que tomou proporções doentias, como a maioria das vezes costumam dizer.

No início deste novo século, o macho se contradiz com a contemporaneidade de suas ações, buscando propostas antes malvistas por ele. E quando imaginamos que já terminou, o mais distinto dos machos vem a público e dá identidade à sua feminilidade. Quem é o macho atual? É natural que o galo cante aprumado no galinheiro, onde sua presença se faz dominar sobre as demais. Mas há tempo que esse ímpeto ejaculatório e bestial vem deixando de ser unilateral para dar lugar ao bilateral, atuação inconcebível quando falamos das funções e prerrogativas inerentes ao reprodutor e promovedor da nossa frágil espécie masculina.

Hoje, portanto, reduzido ao próprio reconhecimento de que o pênis e o coito não são garantia de milhares e milhares de obviedades, ele o macho, a partir de então, perde o protagonismo para o início de uma nova história.

A ilha, uma vez habitada, abre exceções conflitantes para as quais o macho não foi eventualmente preparado. E, diante desse confronto inédito, ele o macho, se pergunta qual é o seu verdadeiro papel atual junto do que se formou e como se adequar a ele sem que se perca a identificação embrionária. O macho continua virial. No entanto, suas tarefas não são mais exclusividades, muito menos as escolhas da natalidade que sempre lhe coube determinar a data e o lugar. Tantas aberturas e renúncias deixam sequelas traumáticas, que logo terá que rever. E na contramão das suas opiniões, o jeito é a adaptação ao que aí está. As metamorfoses do macho ficam evidentes: a depilação corporal, a busca pelo rosto lânguido e fino, os apetrechos da moda, a inversão dos papéis no lar, o diálogo com a fêmea, o sexo compartilhado no prazer, na tentativa de saciar o sexo oposto, o advento refletido em comum acordo, a homossexualidade e a bissexualidade mais assumida e a obrigação de ter que repassar isso claramente às futuras gerações. Sendo assim, fica esclarecido aqui que o macho que todos nós conhecemos não mais existe, Seu (DNA) ficará nos fósseis do passado hostil lembrado por uma nova contemplação humana.

*Julio Mesquita é publicitário e escritor. Site: www.juliomesquitaescritor.com /  E-mail: mesquita.julio@uol.com.br.

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