segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Ensino pós-moderno e alunos distraídos

Com o desenvolvimento tecnológico, as escolas, universidades e centros de ensino estão lidando com o desafio de prender a atenção dos alunos. Estes adolescentes e jovens estão cada vez mais dispersos em sala de aula. Enquanto o professor está ministrando a aula, há quem esteja escrevendo, conversando, mexendo no celular, navegando na internet, pensando na vida, ouvindo música, lendo um livro. Se antes o professor era autoridade, agora é visto pelos alunos como um plano de fundo, um mero ornamento.

Cena do desenho Os Simpsons retrata a desatenção dos alunos em sala de aula.
Foto: Reprodução.

O desinteresse e a falta de concentração são algumas das características do ensino atual. O professor age como se estivesse em um monólogo. Ninguém faz questão de ouvir, interagir, aprender. Em tempos onde as pessoas precisam tirar fotos e fazer check-in virtual para se sentirem presentes em algum lugar, há quem ainda pense que frequentar a universidade é suficiente, bastando responder a chamada e conseguir o tão desejado diploma. Parecer um estudante tornou-se mais interessante do que se comportar como um estudante. Eles frequentam as escolas, mas delegam os seus futuros à sorte.

A mesma Internet que poderia ser uma ferramenta útil para os estudos, não é aproveitada. Com inúmeros artigos, ensaios, reportagens, livros eletrônicos, vídeos, web aulas, áudios, documentários, programas educativos, entre outros conteúdos disponíveis no ciberespaço, poucos sabem desfrutar desta tecnologia para o próprio desenvolvimento e a construção de conhecimento. Prova disto é a quantidade de alunos que ao invés de usarem os buscadores para encontrarem referências bibliográficas, utilizam trechos dos textos para fazerem seus trabalhos, praticando um plágio mascarado, diluído, remendado. Ao acharem que eles enganam os seus professores, eles enganam a si mesmos.

Cada professor se comporta de uma maneira em sala de aula. Mesmo estudando um curso superior, muitos alunos entram muito cedo na vida acadêmica e precisam de algum tempo para se adaptar. Assim como acontece durante o Ensino Médio, em que os alunos se esforçam mais durante o último ano por causa do vestibular e processos seletivos, existe quem conclua a graduação sem saber o suficiente da sua área de formação, pela falta de dedicação, principalmente durante os semestres iniciais, achando que universidade e festas são sinônimos, transformando o ensino em um carnaval. O professor precisa ficar avisando toda hora para não deixar o aparelho celular tocar na sala, pedindo silêncio e atenção, forçando sua voz na tentativa de superar os ruídos e punir os alunos com trabalhos, provas e redução de notas, como se eles não tivessem aprendido com os erros da adolescência. Mesmo deixando claro para os alunos que quiserem conversar saírem, os mesmos continuam dialogando, como se não conseguissem interpretar uma simples frase. Aliás, a falta de leitura, as dificuldades de interpretação de texto e erros básicos de português são alguns dos fantasmas que perseguem alguns alunos pelo resto da vida.

Seria uma generalização dizer que todos são desta maneira. Existem professores, por exemplo, que conseguem captar a atenção dos seus alunos, do começo ao final da aula, abordando assuntos que levam à reflexão e discussão de temas polêmicos. Em uma época de indiferença, indisciplina e falta de estruturas, às vezes, o profissional precisa ter mão de ferro para liderar a turma ou pode ficar surdo, cego e mudo diante da turma, se sentindo impotente. Poucos alunos fazem contato visual com o professor, escutam e transformam as informações absorvidas em conhecimento. Se durante o ensino infantil e fundamental, os pais apontam os professores como os culpados, preferindo não enxergar que os seus filhos são os responsáveis, durante o ensino superior eles carregam esta mesma atitude, sempre apontando o dedo para o docente, se eximindo da culpa. No ensino superior particular, há quem use o discurso de que está pagando e, portanto, os docentes não podem tratá-lo com rigidez ou podem pedir para trocar de professor, se comportando como crianças mimadas. O mesmo cenário é diferente quando se trata do ensino das universidades públicas, no qual os professores desafiam seus alunos a irem atrás das informações que precisam, recomendando livros, sem ficar passando sempre a mão na cabeça dos jovens ou se preocupando, às vezes, os tratando com indiferença.

Não me surpreende que cada vez menos profissionais estejam querendo atuar na área da educação. Se os baixos salários não são motivo suficiente para muitas pessoas estarem evitando ministrar aulas, principalmente durante a infância e a adolescência, a falta de interesse de quem está lá para aprender também contribui. Imagino que muitos trabalhem por causa da paixão pela educação, assim como acontece na área do Jornalismo, na qual muitos profissionais seguem na esperança de ajudarem a transformar a sociedade, só que nem sempre é possível seguir o coração, quando a realidade é mais fria do que parece e muitos profissionais precisam de trabalhos múltiplos para ganhar uma quantidade de dinheiro satisfatória para sobreviver.

Em tempos onde as crianças, adolescentes e jovens não ganham educação dentro de suas próprias casas, sem estruturas desde o ensino fundamental, não é tão assustador perceber que as pessoas não estão preparadas para o ensino superior. Não adianta brincar do jogo da culpa, onde os dedos apontam para todas as direções, menos para si mesmos. Como diria um professor meu, não é possível esperar que alguém seja um prédio de muitos andares, quando elas não têm uma base resistente e pode desmoronar a qualquer momento. Assim como uma construção não pode ser pensada somente na sua aparência, devendo levar em conta o seu material, qualidade e serviço, o mesmo deve ser feito com a educação. Não se pode esperar que um universitário se comporte como tal, quando o ensino está tão precário, que muitos concluíram sua educação sem nem mesmo estarem aptos, e pior ainda, serão os novos profissionais do mercado de trabalho, tendo empurrado na barriga também os anos de graduação.

5 comentários:

  1. Luciano Cilindro de Souza5 de agosto de 2013 12:42

    Poucas pessoas na sua idade se preocupam com essas questões, nem sequer pensam sobre elas. Na verdade eu acredito que a educação precisa ser individualizada. O alumo deveria escolher, com a maior franqueza possível, até onde deseja ir nos estudos. Ao lado disso, um sistema bastante eficiente de recompensa por mérito. Aqueles que encararam mais estudos e foram mais bem sucedidos ganhariam mais. Sinto que é preciso haver uma estratificação de alunos não por idade, mas por capacidade e determinação. Os mais esforçados seriam colocados em salas de aula separadas, os mediocres como eu em outras. Isso permitiria ao professor exercer suas técnicas de ensino com mais tranquilidade, ajustando-se ao grua de interesse dos alunos. A verdade é que você é uma exceção. A maioria das pessoas não quer, não gosta de estudar mesmo. A maioria nem percebe que seus esforços são proporcionais ao seu sucesso, querem tudo no mole. Talvez eu esteja errado, mas a verdade é que esse modelo de educação que aí está não serve mais.

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  2. Nossa matéria perfeita. Vivo isso todos os dias, alunos que não respeitam nem a si próprios, pais que pouco se importam e tantas outras coisas mais.Penso que esta na relação familiar o problema maior, pais que dão cada vez menos atenção e cuidados aos seus filhos, os tratam como se não existissem, logo farão o mesmo com o restante da sociedade. Não creio que mudar a forma de ensino melhoria o interesse dos alunos, creio que uma boa educação com princípios morais adequados melhoria grande parte do problema, pois não pense o nós professores não tentamos muitas saídas, pelo contrario, mas sem a ajuda dos pais fica impossível conseguir um bom resultado. Confesso que mal comecei e já me sinto cansada de tentar pois é governo, pais e pessoas que não trabalham dentro da educação que me apontam como culpada, de não dar conta do recado e tantas outras coisas mais.

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    1. Hélen, fico feliz que tenha gostado do texto. Realmente, o texto reflete uma situação do cotidiano, tanto para professores quanto para alunos. Me parece que a sala de aula se transformou em um teatro, onde um finge que aprende e outro finge que ensina.
      Obrigado pela visita e comentário!

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  3. Parabéns, ótimo texto. É verdade que apontar culpados não vai contribuir muito com a nossa formação, mas não podemos deixar de criticar os péssimos docentes que existem. Eu vejo o ensino superior público como uma brincadeira de gente grande, cheia de regras que merecem atenção! Claro, existem alunos que entram sem perceber o quanto é preciso pensar e agir por conta própria, mas são muitos os professores que estão brincando de ensinar. Então, nesse caso, resta entrar na brincadeira e fingir que estamos aprendendo. Porém, os que conseguirem identificar as regras da brincadeira vão se destacar e superar todos os obstáculos. Logo, a procrastinação acaba sendo o principal fator desse ciclo vicioso.

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    1. Epifanio, muito obrigado pelo comentário e visita. Realmente existem docentes que não dão a mínima para seus alunos, não sabem ministrar uma aula e acabam disfarçando. Cabe aos alunos interessados, neste caso, lutar pelos seus direitos. Minha crítica fica para os alunos distraídos e mimados que se sentem no direito de reclamar de algo que não estão 'merecendo'.

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