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Destaques

Páginas arrancadas

Arranquei as páginas de nossas histórias, amassei e coloquei o papel para a reciclagem. Foi tão libertador poder abrir mão: as pessoas que éramos no início não eram as mesmas do final. Tanto tempo gasto tentando te entender, que percebi que o que precisava era de aceitação radical. Você não ia mudar, tampouco eu. E mesmo se não tivéssemos nos afastado antes, era só uma questão de tempo. Então, as memórias agora já não fazem parte da minha vida. Uma parte de mim, esperou que você fosse mudar. Mas você se tornou cada vez mais você e não tinha como lutar contra isso, do aceitar. Arranquei tantas páginas que o meu caderno ficou fino. Tinha tanto que eu anotava. Tanta coisa que agora eu não queria mais lembrar. Reciprocidade até para a falta de reciprocidade. Cada um sabe seus erros e acertos. Cada um sabe. Não há como não abrir um sorriso quando finalmente nos desconectamos, e você sempre dizia para eu parar de bobeira. Enfim, nos desconectamos e apaguei tudo que me lembrava você.  Não...

Resenha: O Foco Narrativo – Ligia Chiappini Moraes Leite

O Foco Narrativo é o título do livro escrito por Ligia Chiappini Moraes Leite e publicado pela Editora Ática, em 1985, integrante da Série Princípios. A obra aborda de forma didática este recurso artístico presente na construção de narrativas, possibilitando analisar o texto de ficção.

Ao longo do livro, a autora fala sobre a narração, ficção e valor, comentando algumas teorias do foco narrativo, críticas, revisões e análises. O segundo capítulo aborda a tipologia de Norman Friedman, no qual Ligia descreve cada um dos tipos de narradores: Autor Onisciente Intruso, Narrador Onisciente Neutro, “Eu” como testemunha, Narrador-Protagonista, Onisciência Seletiva Múltipla, Onisciência Seletiva, Modo Dramático, Câmera, Análise Mental, Monólogo Interior e Fluxo de Consciência.

Para finalizar, são feitos levantamentos relacionando a História à Ficção, questionando um possível sumiço do narrador com o passar do tempo. De acordo com a autora, o foco narrativo é complexo de abordar, pois não se trata somente de técnica, mas também problemas ideológicos e epistemológicos.

Trecho do livro: "Quem narra, narra o que viu, o que viveu, o que testemunhou, mas também o que imaginou, o que sonhou, o que desejou. Por isso, Narração e Ficção praticamente nascem juntas".

Um vocabulário crítico e a bibliografia comentada possibilitam o melhor entendimento do conteúdo do livro e o aprofundamento para quem quiser aprender mais sobre o foco narrativo. Recomendo a obra para estudantes de Letras, Comunicação Social, escritores, blogueiros, críticos e jornalistas.

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