Páginas arrancadas
Arranquei as páginas de nossas histórias, amassei e coloquei o papel para a reciclagem. Foi tão libertador poder abrir mão: as pessoas que éramos no início não eram as mesmas do final. Tanto tempo gasto tentando te entender, que percebi que o que precisava era de aceitação radical. Você não ia mudar, tampouco eu. E mesmo se não tivéssemos nos afastado antes, era só uma questão de tempo. Então, as memórias agora já não fazem parte da minha vida. Uma parte de mim, esperou que você fosse mudar. Mas você se tornou cada vez mais você e não tinha como lutar contra isso, do aceitar. Arranquei tantas páginas que o meu caderno ficou fino. Tinha tanto que eu anotava. Tanta coisa que agora eu não queria mais lembrar. Reciprocidade até para a falta de reciprocidade. Cada um sabe seus erros e acertos. Cada um sabe. Não há como não abrir um sorriso quando finalmente nos desconectamos, e você sempre dizia para eu parar de bobeira. Enfim, nos desconectamos e apaguei tudo que me lembrava você. Não...
