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Destaques

Dia de Conscientização do Autismo: Data batida por causa do Coronavírus

Hoje foi dia de conscientização do autismo. Com tantas preocupações sobre o Coronavírus, a data acabou passando batida. Mas para quem apoia a causa, além de usar o mês inteiro para abordar o assunto, a vida se torna uma constante aula de aceitação.



Sempre disse que nunca vestiria os símbolos que não concordo, por motivos internacionais, mas como disse minha psicóloga uma vez, não posso ficar comparando a realidade de outro país com a nossa (embora seja quase impossível pra mim).

Embora muitos autistas não gostem do quebra-cabeça e do laço (me incluo entre eles), prefiro o símbolo do infinito da Neurodiversidade, cheguei a conclusão que é só um estresse a mais e não adianta explicar para as pessoas.

Tal qual a palavra autista foi ressignificada, talvez seja melhor ressignificar do que ficar dando murro na ponta da faca (acertei a expressão?).

Enfim, só para não passar batido, foto com a camiseta que minha mãe pegou para mim em um evento de autismo em Campo Grande (MS).

Quando ganhei, p…

Resenha: O Armário – Fabrício Viana

Esta semana terminei de ler o livro O Armário: Vida e Pensamento do Desejo Proibido, do psicólogo e escritor Fabrício Viana. Atualmente em sua terceira edição, a obra tem um tom autobiográfico, mas também traz conhecimentos sobre psicologia e sexualidade ajudando o leitor a compreender mais a questão da homossexualidade, por que alguns gays ficam no armário por anos e quais as vantagens de poder ser quem você é. A primeira edição foi lançada em 2006 e esgotou em um ano.

Livro O armário, Fabrício VianaNa primeira parte do livro, o autor relata suas experiências. Para quem é gay assumido ou não, este é o momento em que escritor e leitor trocam confidências, intimidades e compartilham a identificação com as fases de desenvolvimento e descobertas dos homossexuais. Fabrício descreve desde o primeiro contato com outro rapaz quando era adolescente, até suas descobertas sexuais, saídas para noite gay, namoros, saída do armário e o seu casamento com Alex França.

É impossível ler o livro e não se identificar com as atitudes de quem está se descobrindo, o papel da internet em ajudar os jovens gays a conhecerem outras pessoas, a auto aceitação quando existe o convívio com outros homossexuais, o preconceito interno e o machismo tanto com os comportamentos nos meios sociais quanto dentro de quatro paredes com a questão de quem é ativo ou passivo, como as expectativas, os ciúmes e o excesso de convivência podem afetar os relacionamentos.

Dividido em várias partes, o livro aborda desde o significado do armário na vida de um homossexual até pontos que podem ajudar em sua saída. “O armário torna-se um símbolo importantíssimo para representar o local de nossa personalidade em que escondemos e trancamos – para que os outros não possam ver – nossos desejos proibidos. Nossos desejos homossexuais”, define o autor Fabrício Viana.

Ao abordar por que muitos gays sentem necessidade se fecharem, o autor comenta que esta repressão dos desejos pode causar uma série de problemas para a saúde, principalmente mental.  Depois de falar sobre O Armário, Fabrício Viana explica um pouco sobre a condenação da homossexualidade ao longo dos tempos, passando por desde os primórdios da humanidade, Grécia, Roma, transformação do sexo em pecado até a época em que a ciência considerada esta orientação sexual como uma doença, até sua remoção da lista de patologias.

Com o entendimento dos mecanismos de repressão impostos pelas religiões, pela ciência e pela sociedade, fica mais fácil entender por que muitos homossexuais entram no armário. O próprio autor do livro permaneceu algum tempo sem coragem de se assumir. Após ouvir a vida inteira pensamentos negativos sobre a homossexualidade, segundo Fabrício Viana, o gay acaba internalizando a homofobia, o que acontece de forma gradual e que mesmo após a auto aceitação, ainda permanece dentro da própria comunidade gay.

O Armário também aborda as falsas curas gays impostas pelas religiões, nas quais muitas pessoas reprimem os seus desejos, mas depois de determinado tempo ou elas se rendem e revelam que o tratamento não deu certo ou passam a vida toda vivendo uma mentira e manifestando alguns sintomas de problemas neurológicos.

Depois de descrever o processo de entrada e permanência no armário, o autor Fabrício Viana explica que é possível sair do armário, remar contra a maré e enfrentar os seus medos. Todos os conhecimentos obtidos nas primeiras partes do livro facilitam para o leitor entender por que é importante não ter vergonha de se assumir. Segundo Viana, por exemplo, quando a pessoa é mal resolvida, é como se ela gastasse energia escondendo sua segunda vida, mentindo, entre outras ações, que poderia ser usada para ter uma vida saudável e equilibrada.

Aceitar a própria sexualidade, como lembra o autor do livro, possibilita viver em paz consigo mesmo e não contribuir para o aumento da homofobia, já que muitos homofóbicos, na verdade, são assim porque reprimem os próprios desejos. Para Fabrício Viana, não existe uma forma fácil e nem uma receita para sair do armário, porém buscando autenticidade, o indivíduo pode juntar coragem para revelar para a família, amigos, colegas de trabalho.

Em um capítulo de O Armário, Fabrício Viana argumenta como a homofobia está relacionada ao machismo. Da mesma maneira que o machismo inferioriza as mulheres, quando se trata da homofobia, o autor comenta que existe o preconceito contra gays afeminados, transexuais, drag queens, homossexuais passivos, travestis, enfim, imagens que tenham relação com o lado feminino, enquanto o lado masculino ou macho é sempre valorizado.

No último capítulo do livro é abordado como mudar o mundo através da militância e disseminação de informações corretas sobre a homossexualidade. Há muitos textos de religiosos na internet, por exemplo, que contribuem para o preconceito contra homossexuais e ao invés de orientar quem está tentando se descobrir, acaba atrapalhando e, muitas vezes, fazendo com que muitos jovens gays cometam suicídio, sentam-se culpados, alimentem pensamentos negativos e internalizem a homofobia. Logo, iniciativas como o livro do Fabrício Viana, o seu site, obras de literatura LGBT, pesquisas, portais e atitudes de cada um, podem contribuir para que a homossexualidade deixe de ser vista como um bicho de sete cabeças.

Ao final do livro Fabrício Viana traz uma bibliografia comentada com os livros sobre sexualidade e psicologia utilizados como pesquisa para escrever O Armário, apresenta informações sobre o autor, além de recomendar links com temática LGBT, como portais, jornais e revistas, igrejas inclusivas e ONGs.

Escritor Fabrício VianaSobre o autor do livro O Armário – Fabrício Viana é formado em Psicologia pela Universidade Camilo Castelo Branco e concentrou seus estudos na área de sexualidade e homossexualidade durante anos. Além de escrever para portais e revistas, ministras palestras e workshops, o militante também já participou de projetos sociais voltados para a causa LGBT. Site do Fabrício Viana: http://fabricioviana.com/.

O livro O Armário está disponível para compra no seu site oficial: http://www.oarmario.com

*Texto: Ben Oliveira

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