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Destaques

Escrita Maldita: Livro de terror indicado por página literária do Instagram

Escrita Maldita foi indicado pela página literária @redrum.literario , no dia 11 de outubro de 2026. Fiquei muito feliz com esse apoio à literatura nacional independente. Fica aqui a minha gratidão. A escritora Elisangela Domingos da Silva escreveu um texto indicando Escrita Maldita. Vou tentar resumir um pouco do que foi dito. Mas vocês podem acessar o Instagram redrum.literario e saber mais informações. “Tem livros que a gente lê, guarda na estante, e mesmo depois de muito tempo sente vontade de reencontrar e esse é um dos títulos que voltaram à minha lembrança”. “O que me chama a atenção nessa proposta é justamente essa relação entre quem escreve e aquilo que cria. Para quem gosta de terror, existe algo muito interessante na possibilidade de uma história ultrapassar as páginas e invadir a vida de quem está quem está por trás dela”. “Quem acompanha o mundo literário sabe que, às vezes, perdemos o contato com autores cujos livros passaram em nossas mãos. A vida segue, chegam novas lei...

A Plantinha e a Resiliência

Em dezembro de 2013 ganhei uma planta suculenta. Ela era tão pequena, tão linda, tão frágil. Agora já não é mais tão pequena, embora não tenha crescido tanto, continua linda e diferente do que eu pensava ela era tudo, menos frágil.

Colocava a plantinha na janela do meu quarto. Pensava que ela precisava tomar um pouco de sol. Não me esquecia de colocar um pouco de água, só o suficiente. Tomava todo o cuidado com ela, como se fosse um bichinho de estimação. Sempre que eu colocava minha suculenta na janela, me certificava de que eu não a encostaria sem querer e a derrubaria.

Algumas coisas são inevitáveis de acontecer. Eu sabia que um dia ela cairia. Um dia eu não prestaria atenção o suficiente e esbarraria nela. Seria o fim. De tanto me preocupar com ela e tentar agradar, uma hora ou outra eu seria responsável pela destruição dela. Até o cuidado em excesso faz mal.

Minha plantinha estava se refrescando na garoa. Eu estava de costas para ela, mexendo no computador, quando por instinto acabei fechando a janela. E eu quase podia ouvi-la gritando: “Por que você fez isso comigo?”, enquanto ela caia com tanta rapidez que não houve tempo para fazer uma cena mais dramática.

“Merda”, eu gritei. “Eu sabia que isso ia acontecer. Maldita desatenção”. Desci a escada e segurei minha vítima. Ela havia perdido algumas folhas e grande parte da terra do mini vaso havia se espalhado pelo chão – as evidências do crime.

Depois daquele dia, não deixei mais minha plantinha no meu quarto. A mesma atenção que eu desviaria para cuidar dela seria responsável por prejudica-la novamente. Coloquei mais terra no vaso, deixei-a próxima de outras plantas e um dia ou outro da semana a visitava para molhá-la.

Fiquei pensando no quanto subestimamos aquilo que parece delicado. A plantinha não era feita de porcelana. Confesso ter pensado que ela nunca mais cresceria. Me senti como um assassino de suculentas. Mas, a planta me surpreendeu e não poderia estar melhor. Ela seguiu em frente. As folhas caídas ficaram para trás. A terra antiga já havia sido levada pela chuva. A suculenta se estabilizou.

Relacionamentos são como plantinhas, pensei. Às vezes, achamos que eles não vão aguentar algumas quedas e eles nos mostram que foi só um arranhão e tudo pode ficar bem novamente. Às vezes, tentamos cuidar tanto de alguém e ensiná-la o que aprendemos, pois não queremos que ela passe pelos mesmos problemas que nós e acabamos sufocando a outra pessoa e a machucamos sem querer. Por mais difícil que seja, às vezes, precisamos reconhecer que cada um tem o seu tempo, tem a sua carência, o seu jeito, as suas crises... E quanto mais tentamos cuidar do outro, assim como a suculenta, pode ser jogada pela janela quando menos esperamos ou pior ainda, podemos matá-la com excesso de água, excesso de adubo, excesso de atenção, preocupação e carinho.

A natureza mais uma vez me deu uma lição. Uma lição de equilíbrio. Tudo em excesso mata. Assim como nem tudo é tão frágil quanto parece e tem mais resiliência do que imaginávamos.

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