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Destaques

Quando a previsão do tempo erra

Quando a previsão do tempo erra podemos ficar felizes ou frustrados. Se gostamos de sol e não queremos chuva ou frio, é uma alegria quando a previsão do tempo erra. A verdade é que nem sempre a previsão do tempo acerta e está tudo bem. O mesmo vale sobre pessoas – há momentos em que podemos ficar felizes ou frustrados –, mas fazia parte da vida. Então, quer você estivesse torcendo por um dia de chuva ou desejando que o sol tomasse conta, é importante lembrar que nem sempre o que queremos, é o que o outro quer e está tudo bem. É até um exercício de empatia, de se colocar no lugar do outro e tentar entender, como duas pessoas poderiam querer coisas opostas. Havia aprendido que mais de uma coisa poderia ser verdade. Então, havia conseguido tomar sua dose diária de sol. Precisava, pois ajudava na sua regulação do humor. Mas também entendia quem se alegrava com a chuva e o frio. Mudávamos com o tempo e as previsões do tempo também mudavam. Ficamos felizes, frustados, mas dificilmente indife...

Crônica: Deixa eu te rabiscar

Senta aqui. Me dá sua mão. Deixa eu te contar de todas as coisas que sonhei sobre nós dois. Ou talvez seja melhor eu desacelerar, esperar meu coração se recuperar deste baque: como é possível você estar tão perto de mim? Minha mente se divide entre fantasias e loucuras. Você me toca e tudo parece tão real.


Será que me enxerga enquanto você está aí sentado? Seu olhar continua brilhando, mas há algo te incomodando. Penso em ti, logo sinto a minha boca se rasgando num sorriso que tua presença provoca. É a saudade que não me deixa me concentrar.

Abro o livro. Vejo seu nome rabiscado em cada canto. Os parágrafos se transformam em lamentações e cada vírgula traz uma fissura causada pela falta daquilo que nunca tive. Em algum outro plano, sua boca acolhe a minha e me sinto derretendo. Por um segundo, tive a ilusão de que me abraçava. Os flashes vêm e vão. A cada abrir e fechar de olhos, sua imagem dança em meu peito, escorrendo para cada músculo que eu o deixaria morder.

Acorda e me olha. Sento ao seu lado. Você não tem ideia de que sua jornada já não é solitária. Ganhou meu coração sem nem mesmo pedir. Me fez sorrir sem ganhar nada em troca. É dessa sua alegria que meus minutos têm se movimentado. Meu relógio não quebrou; Ele só quis sincronizar com o seu. Vejo seus ponteiros, e como eu queria que eles se juntassem aos meus. Uma hora a mais, uma hora a menos, quando você vai me conhecer?

É provável que estejamos nos enganando. É provável que o universo tenha encontrado algo para nos puxar pelo calcanhar. Não me solta, mas não me toca. Não me deixe, mas não se vá. Eu queria, como eu queria, que você estivesse ao meu lado. Viveríamos as mais tolas histórias. Desde que a felicidade se fosse rotina, eu te adoraria e não haveria nada que pudesse nos separar, nem mesmo nós mesmos com nossas teimosias. 

Eu te inventaria, como se não houvesse nada no mundo parecido o suficiente com cada um de seus tons. Eu te amaria e você nem se daria conta de que cada vez que se ausenta, uma parte de mim se apaga. Basta um olhar para tudo ficar bem. Um olhar que atravessa telas, fios, quilômetros e atinge minha pele, queimando meus neurônios e me deixando dopado com seu doce veneno.

Abro sua foto. Há um espaço negro que preenche o lugar em que você costumava ficar. Onde está? Por que sumiu do meu lado? Precisamos fechar um acordo com o universo, para que uma vez ou outra possamos nos encontrar e deixar os sentimentos virem à tona. Não me cansei, mas não me agrada te ver tão longe, quando tudo o que eu mais queria agora era te abraçar e sussurrar no seu ouvido que tudo vai ficar bem. Você me beijaria com sua paixão e uma dose de safadeza e diria como nunca encontraria outra pessoa como eu.

Somos especiais? Somos feitos um para o outro? Ou será que lemos o roteiro errado? Talvez tudo não passe de um grande engano. Talvez eu tenha te imaginado e projetado cada um dos meus desejos mais secretos. Me despeço, me despedaço, me despeito. Sem você aqui, sou a flor murcha, que antecede os momentos de secura e solidão. 

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