Pular para o conteúdo principal

Destaques

Coronavírus e Saúde Pública: O momento não pede negação nem omissão | Ben Oliveira

Me tirar do sério não é fácil. Tenho mais de 8 anos de prática de yoga e uma paciência quase infinita. Mas quando se trata do que tem acontecido nos últimos tempos, impossível seria me silenciar.


Para começar: muitas pessoas religiosas e espiritualizadas acham erradamente que cultivar a não-violência é se silenciar diante do caos que esse DesPresidente tem causado. Não poderiam estar mais errados, afinal, ser omisso à violência é uma forma de aumentá-la.

O momento não pede negação nem omissão. Os brasileiros elegeram um homem sem empatia, que sempre se demonstrou ser frio, manipulador e ignorante.

Sim, ele é um reflexo de muitos que não tiveram acesso à educação ou desprezam a intelectualidade, mas é também alguém que não está colocando só a própria vida em perigo, mas de milhares de brasileiros ao ignorar as recomendações de saúde, protocolos de pesquisas com medicamentos e conhecimentos BÁSICOS de saúde: qualquer pessoa que tenha um conhecimento raso de biologia, química e estatísti…

Leia um trecho do livro Escrita Maldita, de Ben Oliveira

Foto: Rosi Villas Boas (@rovillasboas / Instagram).

Leia um trecho do livro Escrita Maldita, de Ben Oliveira:


Sentado em frente ao computador, Daniel Luckman encarava o bloqueio criativo. A tela em branco o irritava. Marissa ainda dormia. Começou a escrever sobre sua incapacidade de deixar as ideias fluírem. Quando viu já tinha preenchido uma página, mas não era aquele texto que ele buscava, não era a história que queria contar.

Daniel vestia seu moletom cinza, regata branca e o tênis Nike, quando decidiu correr para remover os alfinetes da memória. Pior do que não conseguir começar ou continuar a escrever uma história, era ficar parado por horas em frente ao computador. Não, ele precisava dar um jeito de circular as energias, oxigenar o cérebro e eventualmente, os personagens voltariam a conversar com ele. Pelo menos, foi assim que ele fez para escrever seu primeiro romance publicado.

Ele não se alongou, apesar de saber que era errado e teria que lidar com as terríveis dores depois e os analgésicos que o deixariam sonolento e o fariam perder mais um dia. O escritor queria enfrentar seus problemas de frente. Quanto mais tempo ele perdia se sentindo um derrotado, mais deprimido ele se sentia. Tique-taque, tique-taque. O relógio se movia e o tempo que ele perdia dedicando à inércia, eram minutos que ele poderia usar para ler e aperfeiçoar a escrita, dar atenção à mulher ou ajudá-la a organizar as contas. Nada podia fazer se era do ócio que sua musa gostava.

Enquanto corria pela grama, ele sentia o cheiro verde inundar as narinas. Adorava estar cercado da natureza. Aprendeu com ela que todos os seres vivos estão relacionados e a vida de um deles não para só por que outro morreu. Não, ele nem mesmo ficou de luto quando Nick morreu. O pai, aquele velho miserável que se enforcou, deixando centenas de contas para a mãe. Agatha se liberou das amarras da família. Sem um marido para atormentá-la e o filho escritor – a escória da família –, para se preocupar, ela podia fazer o que tivesse vontade. Desde que Nick se foi, o homem que passou a vida toda lutando contra seus demônios, ou melhor, cedendo às vontades daquelas criaturas sombrias que habitavam o interior de sua alma, Agatha nunca mais ligou para Daniel, nem mesmo para parabenizá-lo pelo livro. Deveria estar louca, ou feliz demais com sua própria existência para se importar com o filho.

O coração acelerado o fazia se sentir vivo. Estava tão acostumado a correr naquele campo, onde sabia que não encontraria ninguém tão próximo por pelo menos 100 km, que Daniel se sentia realizado ali. Não precisava se preocupar com o cabelo amassado, com as olheiras tão roxas quanto às memórias que floresciam em sua mente ou com o visual de louco. Ele não dava a mínima. Nem mesmo se ficasse rico com a venda dos seus livros mudaria o seu jeito. Tudo o que ele queria era escrever suas histórias, transportar os leitores para a ficção, onde coisas terríveis podiam acontecer a qualquer pessoa, a qualquer momento, independente de serem bondosas ou se mereciam.

Leia Escrita Maldita, disponível para Kindle na Amazon: http://amzn.to/2kIQ15W




Confira a sinopse do livro:


Após se tornar um best-seller com seu romance de terror de estreia, Daniel Luckman está prestes a realizar um sonho: escrever um livro com Laurence Loud, um dos melhores escritores de horror dos últimos tempos. Quando o colega põe os pés em sua casa, coisas estranhas começam acontecer. A linha entre a ficção e a realidade, a loucura e a sanidade, os pesadelos e as alucinações se dissolvem. Uma história de mistérios, passados sombrios e amor. Quando dois escritores de terror se juntam para escrever uma história, tudo pode acontecer.


O processo de criação pode ser intenso, as emoções podem ficar confusas. Você estaria disposto a sacrificar tudo pelos seus sonhos?

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e do livro de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1), disponível no Wattpad.

Comentários