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Turbotecnomachonazifascismo: 10 Motivos para Ler o Livro da filósofa brasileira Márcia Tiburi

Como a internet e a mídia ajudaram a eleger pessoas com ideias tão absurdas e comportamentos condenáveis? O que desperta o fascínio de alguns em figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro, ambos com atitudes grotescas em relação à diversidade, à imprensa e à democracia? Essas e muitas outras questões são levantadas pela filósofa brasileira Márcia Tiburi em seu livro Como derrotar o turbotecnomachonazifascismo , publicado pela Editora Record , em 2020. Compre o livro Como derrotar o turbotecnomachonazifascismo (Marcia Tiburi): https://amzn.to/3cVWDXc Depois de mais de um ano de pandemia e com a proximidade das Eleições 2022, entre outras questões que estão acontecendo pelo país, como a CPI da Pandemia que tem investigado as omissões do governo Bolsonaro na compra das vacinas, incentivo à comercialização e consumo de tratamentos sem comprovação científica contra Covid-19, e inúmeros absurdos, como a falta de diplomacia com países que ofereceram ajuda, entender melhor como políticos sem

O Dilema das Redes: Documentário traz curiosidades dos algoritmos e influências no comportamento

O Dilema das Redes (The Social Dilemma) é um documentário que conta com a participação de vários profissionais e especialistas em tecnologia que trabalharam em diversas empresas famosas na internet, como Facebook, Twitter, Instagram, Google e Mozilla. Eles dão seus pontos de vista sobre os perigos da hipervalorização do modelo de negócios e desvalorização dos impactos sociais causados pelos algoritmos dentro e fora do mundo digital. 

Dirigido por Jeff Orlowski que também foi roteirista e escreveu junto com Davis Coombe e Vickie Curtis e inúmeros produtores, entre eles, Larissa Rhodes, O Dilema das Redes estreou em janeiro de 2020 no Sundance Film Festival e foi distribuído pela Netflix, a partir de setembro de 2020. 

Como definir até que ponto nossos comportamentos são influenciados pelas redes sociais e ferramentas digitais? De forma bem visual e didática, os entrevistados para o documentário revelam como as experiências de interação e os algoritmos moldam o conteúdo que terá mais destaque na página inicial e na busca do Google – embora a informação seja básica para muita gente, há milhares de pessoas que não entendem como funcionam as plataformas online e acreditam que pessoas do mesmo círculo social recebem os mesmos conteúdos, por exemplo, e essa informação não é verdadeira.

Uma das entrevistadas chega a definir a internet nos dias atuais como um grande shopping. Essa afirmação pode ser relacionada a várias coisas, tanto às vendas de dados dos perfis dos usuários para empresas, como ao excesso de anúncios e/ou de maior preocupação com o modelo de negócios do que com o bem-estar dos usuários. 

Os profissionais comentam que não acreditam que as propostas iniciais dessas ferramentas digitais tenham sido essa atual, mas com o maior interesse pelo lucro, os algoritmos das mídias sociais acabam servindo para influenciar o comportamento e isso se torna uma arma valiosa para empresas e governos.

Além de estimular comportamentos viciantes, por meio de funções que mantêm o usuário mais tempo online, o documentário também critica como a polarização e bolhas sociais têm se tornado cada vez mais frequentes, provocando problemas que vão além de discussões nos ambientes digitais.

Um assunto polêmico foi deixado de lado: o da compra de seguidores. Já que muitos sistemas são monetizados com base nas interações e números, nos dias atuais, cada vez mais pessoas encontram meios de crescer, seja pagando por seguidores falsos ou reais.

Voltar atrás parece impossível, especialmente como cada vez mais serviços estão integrados às mídias sociais, no entanto, ver profissionais e especialistas no assunto discutindo essas questões dá ao telespectador esperança de que algo pode mudar e melhorar no futuro. 

Vale lembrar também que, além das questões dos algoritmos e comportamentos, ao longo dos anos, várias críticas foram feitas e nem sempre levadas em consideração. Questões de segurança e privacidade, transparência no uso de dados e publicidade, vícios e saúde mental… Qual seria o melhor caminho para educar a população? Creio que por isso o documentário foi desenvolvido com uma linguagem simples de entender.

Se levarmos em conta pessoas que trabalham com o assunto, embora nem todos realmente tenham conhecimento e os próprios algoritmos estão sempre mudando, alguns são mais conscientes sobre os mecanismos de gratificação e entrega de conteúdos. Porém, a autopercepção de algumas pessoas pode ficar afetada nas mídias sociais, ao não entenderem porque alguns conteúdos têm mais interação do que outros, por exemplo, e levar para o lado pessoal e para as comparações.

Jeff Orlowski criou um documentário com o potencial de abrir as portas para mais discussões aprofundadas e específicas sobre as diferentes plataformas, especialmente porque os algoritmos podem mudar bastante, bem como a influência das tendências no comportamento humano. É óbvio que as mídias sociais transformaram nossas vidas não só de maneira negativa, mas não ignorar alguns pontos que poderiam melhorar seria o mais sensato. 

Embora discutido de forma breve, a pandemia de Covid-19, por exemplo, dará ótimos estudos de caso sobre como as mídias sociais e informações falsas circulam com mais velocidade e conspiracionistas tendem a ficar presos nos próprios conteúdos graças aos algoritmos, reforçando suas visões de mundo. Quando pessoas com pensamentos parecidos começam a espalhar as mesmas mentiras várias vezes, seja criando por conta própria ou por influência de propagadores de fake news, cria-se uma falsa sensação de que o conteúdo é confiável.

O Dilema das Redes leva a reflexão sobre como mudamos nossa maneira de agir nas redes sociais de acordo com o que é estimulado. Isso me faz pensar no TikTok, no qual muitas pessoas repetem o que está em tendência no momento sem nem sempre pensar nas consequências para a própria imagem, ou até mesmo nos desafios que viralizavam no YouTube e levaram a várias tragédias, entre inúmeros casos que nem sempre chegam aos jornais, mas acontecem diariamente. 

Mais do que uma discussão sobre liberdade de expressão, o documentário nos faz pensar em como empresas digitais que lucram com anúncios em seus espaços deveriam ter um controle melhor do que é publicado e pensar que, em muitos casos, essas informações falsas impulsionadas por anúncios pagos podem levar até mesmo à morte (como no caso dos tratamentos falsos).

Se você se interessou pela temática do documentário, pode ser que se interesse pelo livro escrito por um dos entrevistados: Dez Argumentos Para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais, Jaron Lanier

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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