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Destaques

Antraz: Documentário da Netflix revela investigações feitas pelo FBI durante anos

Um pouco após os atentados terroristas contra as torres gêmeas, em Nova Iorque, Estados Unidos, no 11 de setembro de 2001, uma ameaça de antraz colocou as autoridades, como o FBI em alerta, e espalhou pânico nos norte-americanos devido à facilidade de se espalhar sem as pessoas saberem.  Dirigido e roteirizado por Dan Krauss e produzido pela Netflix e pela BBC, 21 anos após o ataque e o primeiro caso de circulação do antraz, o documentário Antraz: EUA Sob Ataque (The Anthrax Attacks) leva o telespectador para as investigações do FBI que duraram anos. O que a princípio foi alvo de muita pressão para a solução do caso, principalmente pelo medo dos norte-americanos do esporo da bactéria continuar se espalhando pelas cartas e fazendo mais pessoas adoecerem e/ou morrerem, logo foi caindo no esquecimento conforme as investigações desenrolavam fora dos holofotes.  Com a proximidade do caso do ataque às torres gêmeas, à primeira vista, o pânico generalizado fez com quem os norte-americanos

Loucura de Amor: Filme sobre jornalista e mulher com Transtorno Bipolar passando pelos desafios do amor

Dirigido por Dani de la Orden e com roteiros de Natalia Durán e Eric Navarro, o filme espanhol Loucura de Amor (Loco Por Ella/Crazy About Her) foi lançado em 2021 na Netflix e revela tanto os desafios das diferentes fases de quem tem Transtorno Bipolar, como a tentativa de quem nunca conviveu com alguém antes ou que não experimenta na própria mente como pode levar um tempo até compreender os diferentes comportamentos em momentos de crises. 

Mostrando tanto o lado de Carla (Susana Abaitua), uma mulher que está em estado de Mania quando conhece o jornalista Adri (Álvaro Cervantes) pela primeira vez, como o lado do homem que acaba se apaixonando por ela e tenta se aproximar da realidade dela, o filme balanceia ambas perspectivas, seja a de quem se encanta, mas vai ter que lidar com os próprios preconceitos, como a da pessoa que está tão exausta dos seus episódios de alteração de humor que julga melhor ficar sozinha.

Se a adaptação cinematográfica do Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook) também cumpriu um papel importante ao mostrar dois personagens com transtornos diferentes se envolvendo gradualmente: uma com Transtorno de Personalidade Borderline e o outro com Transtorno Bipolar, Loucura de Amor tem um lado mais sensível, sem abrir mão do humor, mas mais sutil e menos sarcástico e até nos leva a questionar quantas pessoas fariam o mesmo que o protagonista de dar um jeito de se internar só para se aproximar e aprender um pouco mais sobre como o transtorno a afeta. 

Como alguém com Transtorno Bipolar não me senti ofendido pelo filme, de forma alguma, achei bem educativo, embora não seja a intenção. Mas falar de saúde mental e transtornos é sempre complexo – o mesmo acontece no mundo da Neurodiversidade e Autismo, por exemplo – cria-se o risco do telespectador ingênuo achar que todos agem do mesmo modo e o mesmo transtorno pode se manifestar de formas completamente diferentes, além de outros elementos que entram em cena, como a personalidade: todo mundo tem seu próprio modo de enxergar a vida, de se posicionar no mundo e agir.

Então, é impossível não falar sobre um ponto importante do filme sem soltar um spoiler: mas Adri está tão apaixonado por Carla que não consegue perceber que não basta sua atenção e amor para que ela saia da clínica em que está internada ou que não precisa dos remédios (algo de risco, já que os próprios pacientes em algumas situações acabam parando de tomar e entrando em crise), ela precisa cumprir à risca o tratamento para Transtorno Bipolar, no qual teve uma fase de Mania seguida por uma de Depressão profunda. Em alguns casos, a pessoa pode até mesmo se esquecer do que fez e com ela, no início, ela foi incapaz de se lembrar do homem com quem passou a noite. 

Uma das melhores cenas do filme é uma na qual Carla vai confrontar Adri sobre ele estar evitando ela, como se o fato dela ter Transtorno Bipolar significasse que ela não poderia ser namorada dele ou não soubesse se cuidar: a cena é importante, pois ressalta a autonomia e ajuda a romper estereótipos – porém, como falei, vale ressaltar que cada caso é um caso e algumas pessoas podem precisar de mais auxílio no cotidiano do que outras, a ponto de perder aspectos funcionais e ter dificuldade com atividades diárias.

“Só para deixar claro, eu não preciso ser salva. Por você ou ninguém. Mas, que droga, também não me peça para salvá-lo de mim... Não vai ser fácil... Sim, mas você vai tentar me mudar... Ninguém vai me mudar. Nem você nem nenhuma outra pessoa... Em alguns dias eu vou ficar eufórica do nada... E em outros eu vou querer morrer, mas haverão outros em que eu vou tentar te matar” – Carla

E a continuação da mesma cena que viralizou e emocionou vários telespectadores do filme da Netflix pelo mundo todo, no qual Adri comenta o que aprendeu com Carla:

“A próxima vez que eu ver alguém que parece triste,

Eu não vou pedir para eles sorrirem...

Ou prometê-los que podem melhorar.

Se eu realmente quero ajudá-los...

Vou tentar avisá-los que, 

Embora eu não possa entender o que eles estão passando,

Estarei lá se eles precisarem de mim”

Então, a evolução dos personagens nesta dinâmica em que um quer se entregar, mas não sabe como e a outra tenta fugir, embora secretamente queira estar junto, e como eles lidam com a questão dos transtorno torna o filme uma comédia romântica daquelas em que você consegue rir e respeitosamente. 

Por meio de uma metalinguagem psiquiátrica, os outros pacientes da clínica até chegam a fazer uma piada dizendo que a personagem precisa de Lítio quando ela está empolgada. Ainda que não esteja em mania, e é tudo tão natural, como no clima dentro de uma clínica, onde pessoas de vários diagnósticos se encontram, tem uma crítica nas entrelinhas, aquela em que se não tomarmos muito cuidado, as pessoas se fixam tanto em sintomas, que se esquecem de personalidade e decisões pessoais e acham que tudo precisa de medicação. 

O que era para ser uma história para rir e se emocionar de um amor diferente, extrapola seus sentidos a cada entrelinha, cumprindo como esta realidade pode ser complexa e se não o parceiro que tem dificuldade de entender o outro e desiste facilmente, o próprio paciente corre o risco de ficar tão preso no próprio diagnóstico que acaba duvidando das coisas que costumava fazer e desistindo antes mesmo de tentar.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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