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Destaques

Escrita em movimento

Escrita em movimento. Há dias em que a escrita flui após uma corrida ou durante a caminhada. É como se a mente entrasse em estado de flow, quase uma meditação e as palavras borbulhavam no papel. Poderia parecer contra intuitivo indicar fazer uma atividade mais ao mesmo tempo, mas a escrita ocupava uma pequena fração do tempo, de forma que não atrapalhasse a atividade física. Tentava respiração consciente. Em alguns dias, a ansiedade dava uma trégua. Em outras, mesmo as técnicas de mindfulness não eram suficientes para dar conta.  A escrita vinha como uma forma complementar, mais algo terapêutico para o dia. Ao organizar os pensamentos e colocar as emoções para fora, o dia ficava mais leve. Então, de repente, bastavam alguns minutos para conseguir escrever. Quer esteja parado após se movimentar ou em movimento, a pessoa que escrevia o texto não era mais a mesma do início, algo havia se transformado.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror...

A Caixa

Dentro de cada um de nós há uma caixa repleta de coisas que não dizemos e gostaríamos de ter dito. Essa caixa pode estar organizada por nomes, datas e acontecimentos ou completamente bagunçada sem critérios, gerida pelo caos. 

Há quem consiga manter essa caixa tão escondida de si mesmo, que é como se ela deixasse de existir. Mas há também quem mantenha sempre consciente de que a caixa não para de expandir a cada vez que se engole palavras e sentimentos.

A caixa pode ser pesada ou leve, tudo depende de como se passou a vida. De tanto engolir as coisas pode-se ficar com indigestão. O peso das palavras não ditas é esmagador e por vezes parece intolerável, como se o simples ato de se dar conta dele, fosse capaz de provocar uma terrível ressaca moral.

Mas não são só as coisas não ditas que se acumulam na caixa. A caixa também traz aquelas coisas que dizemos e gostaríamos de não ter dito. Todas emoções mal digeridas vão criando ondas arrebatadoras que uma vez aberta a caixa é praticamente impossível de fechar.

A pergunta que fica é como você está cuidando da caixa: está deixando ela crescer de forma monstruosa ou está reorganizando as notas e tentando tirar algumas lições para a vida? Sem a caixa, ficamos mais leves, mas também podemos nos esquecer de coisas que foram importantes um dia. Cabe a cada um ter mais cuidado com as coisas ditas e não ditas, com as expectativas que criamos e situações que projetamos. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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