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Destaques

Sonho protegido

Que o meu sonha seja protegido. Que eu consiga viver dias de paz. Que tudo o que achei que não fose possível, agora se torne possível. São naqueles dias de mais preguiça, que temos que admitir ao mundo de voz alta, quase como se tivéssemos que lidar com uma vergonha mortal. A aula se desenrolava em um ritmo mais lento. Era melhor assim, naquele dia. Assim tinha mais tempo para aprender e não ficar com dúvidas. Embora também era gostoso assistir a aula com velocidade aumentada.  Cada um sabia qual era o melhor ritmo para di mesmo. Não se tratava de melhor ou pior, se tratava de encontrar o equilíbrio e deixar as coisas fluírem. Então, quando menos se dava conta, estava escrevendo novamente. Escrever o ajudava a reter os conteúdos, ajudava a tornar mais real o que antes parecia apenas possibilidade. Ia, escrevendo, como uma forma de agradecimento. A quem lia, e a mim mesmo. O processo era uma via de mão-dupla. Mas, repente, a escrita e a leitura estavam vivas e agora precisava descan...

Nossa Versão Editada

Na nossa versão editada tudo era diferente. Em vez de partir, os dois ficavam mais próximos, conscientes de que mesmo diante do amor, teriam suas diferenças. Mesmo sabendo que quando o outro estava pedindo para ir, na verdade, estava pedindo para ficar e nos momentos difíceis estariam um para o outro como um lembrete de que não estavam sozinhos.

É incrível como a mente tem a capacidade de editar nossas memórias. Esquecemos a parte triste, tentamos nos agarrar na parte feliz. Todas as pequenas brigas parecem sem sentido. Tudo o que a mente quer é reviver aquele momento que sabe que nunca será igual com outra pessoa.

E de tanto mentir para si mesmo e engolir as emoções, certo dia elas vêm à tona, como um furacão.  Então, como alguém num barco afundando que se enche de água, você pega o balde e vai tentando esvaziar a mente pouco a pouco, até que as memórias voltem a descansar, mas consciente de que elas vão voltar novamente.

Os dias, as semanas, os meses, os anos passam, mas algumas coisas nunca mudam. Tudo perto, tudo longe. Tudo certo, tudo errado. Tudo igual, tudo diferente. Tudo intenso demais, tudo indiferente demais. O coração continuava pulsando, mesmo nos dias mais sombrios em que achava que não daria conta.

Então, eram as memórias que mais amava que eram sua salvação, mas também sua condenação. Um simples nome era capaz de fazer o corpo inteiro tremer e a mente ser inundada por tantas memórias, que seja por felicidade ou frustração, o faziam entrar em colapso. Era o tipo de emoção que o queimava, mas queria mais e mais, até deixar o fogo consumi-lo por completo e inundá-lo com novas memórias editadas, desta vez, juntos em um multiverso de personagens, onde não importava quem eles fossem, sempre estariam juntos.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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