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Destaques

Descanso consciente

 Descansar. Tudo o que conseguia pensar era em descansar. Estava exausto, mas sabia que fazia parte do processo de aprendizagem e tirava um tempo só para fazer nada. Era verdade que o cérebro estranhava no início. Cheio de estímulos, quando ficava em uma pausa sem estímulos, poderia sentir uma sensação de estranhamento, mas era tudo o que precisava. Era engraçado como só valorizamos algo quando parece que vamos perder. Então, não, não abriria mão do tempo de descanso, mesmo que o tempo fosse mínimo. Escrevia pensando nos dias que ainda estavam por vir. Escrevia pensando em dar um novo rumo para a própria história. Escrevia. Escrever era uma forma de ativar, mas também de aliviar a mente. E quando menos se dava conta, estava descansando. Precisava de um tempo para si mesmo. Já sabia o que acontecia quando entrava em sobrecarga mental. Agora queria experimentar um descanso consciente.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Mald...

Nossa Versão Editada

Na nossa versão editada tudo era diferente. Em vez de partir, os dois ficavam mais próximos, conscientes de que mesmo diante do amor, teriam suas diferenças. Mesmo sabendo que quando o outro estava pedindo para ir, na verdade, estava pedindo para ficar e nos momentos difíceis estariam um para o outro como um lembrete de que não estavam sozinhos.

É incrível como a mente tem a capacidade de editar nossas memórias. Esquecemos a parte triste, tentamos nos agarrar na parte feliz. Todas as pequenas brigas parecem sem sentido. Tudo o que a mente quer é reviver aquele momento que sabe que nunca será igual com outra pessoa.

E de tanto mentir para si mesmo e engolir as emoções, certo dia elas vêm à tona, como um furacão.  Então, como alguém num barco afundando que se enche de água, você pega o balde e vai tentando esvaziar a mente pouco a pouco, até que as memórias voltem a descansar, mas consciente de que elas vão voltar novamente.

Os dias, as semanas, os meses, os anos passam, mas algumas coisas nunca mudam. Tudo perto, tudo longe. Tudo certo, tudo errado. Tudo igual, tudo diferente. Tudo intenso demais, tudo indiferente demais. O coração continuava pulsando, mesmo nos dias mais sombrios em que achava que não daria conta.

Então, eram as memórias que mais amava que eram sua salvação, mas também sua condenação. Um simples nome era capaz de fazer o corpo inteiro tremer e a mente ser inundada por tantas memórias, que seja por felicidade ou frustração, o faziam entrar em colapso. Era o tipo de emoção que o queimava, mas queria mais e mais, até deixar o fogo consumi-lo por completo e inundá-lo com novas memórias editadas, desta vez, juntos em um multiverso de personagens, onde não importava quem eles fossem, sempre estariam juntos.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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