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Destaques

Posicionado

Diante de mais de 5 mil denúncias de Assédio Eleitoral, começo a me perguntar se poder se posicionar é um privilégio que nem todos têm. Então, o não posicionamento do outro nem sempre tem a ver com o que ele pensa, mas por questões que não precisa se justificar. Quando colocamos expectativas em algo e/ou alguém, estamos sujeitos à frustração. É normal sentir decepção quando algo não acontece do modo que esperávamos, mas nem tudo é simples como parece. Enquanto milhões de brasileiros usaram as redes sociais para se posicionar, teve muita gente que não fez, não necessariamente porque não queria. Então, diante do medo e do assédio eleitoral, ou por qualquer outro motivo, temos que aceitar que cada um fez o melhor que pode e cada um sabe o que é melhor para si mesmo. Tenho muita gratidão por cada pessoa que se manifestou. Mas também carrego a esperança de que nem todo mundo pode ou quer, seja lá por qual motivo e está tudo bem. Amadurecer envolve lidar com a frustração.  Então, só entã...

Ponto final

Não sentia falta das brincadeiras sem graça. Tampouco de como pelo simples fato de gostar, deixava todas bandeiras vermelhas passarem. O que precisava naquele momento era de um ponto final, uma chance de se reajustar e encontrar uma maneira mais saudável de se relacionar.

A saudade deu lugar à indiferença. A paciência foi arrastada pela irritação. Era exaustivo pedir para parar e nunca ser levado a sério. Chegou ao limite de exaustão e a única coisa que conseguia pensar era em distância.

Foi, então, entendendo por qual motivo outros também já haviam se distanciado. Era como se não houvesse mais motivo para ser. Os relógios haviam congelado e jamais bateriam de novo ao mesmo tempo.

Se deixou levar pelos dias. Um dia logo se tornava dois ou três, e quando menos se dera conta já não conversavam mais diariamente. Se havia alguma parte dele que sentia saudade, agora ela estava enterrada e gostava do novo jeito que as coisas estavam: sem precisar agradar, sem precisar ser agradado.

Não fazia sentido em tentar se comunicar com alguém que vivia em um mundo tão diferente, como se falassem idiomas distintos. Não, foi só deixando a natureza se encarregar das coisas, consciente de que havia tentado tantas vezes, mas era simplesmente ignorado. 

As bandeiras vermelhas do outro deram lugar à bandeira branca. Queria paz, tranquilidade e o que antes parecia um espaço seguro, havia se tornado tão desconfortável que as coisas não se encaixavam mais. Era só mais um fim, acompanhado de um recomeço.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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