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Destaques

Dose de poesia

Uma dose de poesia, às vezes, era tudo o que precisava para levar o dia. Tomava uma dose, mesmo sem saber sobre o que viria pela frente, gostava de se deixar surpreender pelo texto. Em dias mais tristes, encontrava certo conforto na poesia. Já nos dias mais felizes, encontrava uma certa dose de validação. O silêncio também poderia ser poesia. E havia certa beleza em desfrutar da paz. Era em dias barulhentos que mais valorizávamos o silêncio. Continuava se alimentando de letras, na esperança de produzir novas histórias e manter o fluxo de palavras livre. A cada poesia que lia era como se alimentar de uma colherada de uma sopa de letrinhas. Não sabia explicar o como, mas encontrava conforto para o espírito. A cada texto lido, algo se mudava dentro de mim e a pessoa que lia vai se transformando. Bastava uma dose de poesia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bru...

O preço da mudança

As coisas serão diferentes dessa vez. Você repete as palavras até acreditar que seja verdade, mas os comportamentos do outro revelam que tudo vai ser igual mais uma vez. É nessa tentativa de enxergar o melhor do outro, de ser compreensivo, que você se dá conta de que há muitas situações que não toleraria e passou a tolerar por causa do outro.

Os dias passam lentamente. Cada dia sem falar com o outro parece uma eternidade. Pelo menos é assim nos primeiros dias. Mas já estava acostumado com a distância, com a dificuldade de ser lido direito pelo outro e a necessidade de se afastar, mesmo quando uma parte ainda insistia em querer manter por perto.

Da outra vez, levara 10 dias para esquecer. Desta vez, havia deixado o outro se aproximar enquanto baixara a guarda. Era tão baixo e havia algo tão podre na maneira que o outro gostava de se manter no controle da narrativa, distorcendo histórias para sempre sair como uma vítima, mesmo quando agia como vilão.

Não era o primeiro relacionamento tóxico na vida, mas uma pergunta se repetia: por que ainda insistia, mesmo quando tudo dizia para ficar longe? Os relacionamentos tóxicos não eram impossíveis de identificar, mas certamente também não tinham só o lado sombrio, fazendo com que a confusão se instalasse.

Desejar alguém que não fosse tóxico era o mínimo que esperava em todas áreas da vida. Tolerar os comportamentos do outro era algo que deveria acontecer somente quando valia a pena. Havia pessoas que só estavam de passagem na vida, pessoas destinadas ao adeus. Pessoas que nem sequer valia a tentativa. Pessoas incapazes de reconhecer os próprios erros e que sempre repetiam os mesmos comportamentos. Não se enganem: pessoas mudam, mas nem todas e não quando queremos. 

E essa mudança exige coragem para reconhecer a si mesmo, muita dose de autoconhecimento e de percepção de que algo precisava mudar. O excesso de compreensão e de presença, muitas vezes, te torna invisível aos outros. Às vezes, tudo o que você precisa é de distância, para cada um reconhecer seus próprios papéis na história e perceber que narrativas iam muito além de heróis e vilões, mas de reconhecer que todos temos uma parte tóxica e até que ponto estamos dispostos a mantê-la ou mudar pelos outros.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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