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Destaques

Dias de Chuva

Os dias de chuva chegaram sem previsão de quando vão embora. Aquela dose diária de sol que faz tanta falta para ajudar a despertar o cérebro já não está disponível. Estaria mentindo se dissesse que não gostava de chuva, mas a verdade era que tanta escuridão já estava afetando o humor. Ia passando dia após dia, sem saber quando a chuva ia finalmente chegar ao fim. A verdade era que quando se tratava da saúde mental, dias assim poderiam prejudicar mais do que ajudar. Escrevia enquanto a chuva caia. Escrevia fugindo do molhado. Escrevia pensando que às vezes, a vida era feita de dias de chuva e estava sem guarda-chuva. Escrevia para deixar a chuva levar tudo o que não queria lembrar. Escrevia para que chegasse o último dia de chuva. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , dispo...

Autorregulação e nostalgia

Em um ano marcado por tantas referências de nostalgia, é difícil não se lembrar do passado. Mas, às vezes, as respostas que buscava estavam no presente, naqueles que permaneceram mesmo com tanta intensidade, incoerência e riscos.

Talvez em vez de focar nos ciclos que se encerraram, deveria se focar nos que permaneceram abertos. O tempo de lamentar fora mais do que o suficiente.

Então, mesmo com excesso de compreensão, precisava se soltar de uma vez por todas: um exercício muito mais fácil na teoria do que na prática. 

Em um ano muita coisa poderia mudar. Pensara em como finalmente havia conseguido abandonar o cigarro, por exemplo, e se lembrava de que vícios não eram tão diferentes de relacionamentos que não estavam funcionando: mesmo quando sabemos que algo não está bem, às vezes, continuamos.

Às vezes, escolhemos deixar para trás. Aceitamos a importância do novo e parar de encontrar conforto somente no conhecido. Às vezes, a beleza está em descobrir o novo, mesmo que a princípio possa não fazer sentido.

Havia mudado. Pequenas mudanças poderiam ser grandes mudanças. Mesmo sabendo que poderia contar com os outros, dia após dia ia desenvolvendo um pouco mais a autorregulação. Abrir-se ao novo envolvia não saber como os outros iriam reagir se um dia o vissem em crise, mas também envolvia saber que havia acolhimento e, dia após dia, continuava aprendendo. Aprendera que tão bom quanto abraçar a nostalgia, era saber a hora de deixá-la ir.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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