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Destaques

Seis meses sem cigarro

Seis meses sem cigarro. Há um tempo parecia algo impossível de alcançar e aqui estava ele: estaria mentindo se dissesse que ainda não tinha fissura, mas havia conseguido controlar bem mais como nunca imaginara antes. Seis meses davam uma sensação boa. Seis meses sem fumar um cigarro, mesmo passando por inúmeras situações de estresse e de ansiedade. Seis meses aprendendo a regular as emoções de forma a não descontar no vício. Os meses iam passando. Datas que antes pareciam impossíveis se tornam reais. Já imaginara quando seria quando completasse um ano sem cigarro. Ia escrevendo para comemorar e lembrar que os pequenos dias também importavam. Escrevia para lembrar que o difícil não era impossível e qualquer um poderia conseguir se livrar do cigarro, por mais difícil que parecesse no início. Escrevia para agradecer a si mesmo por ter se libertado de algo que fazia tão mal e muita gente ainda acreditava que fazia bem. Escrevia para deixar claro que não queria voltar atrás e mesmo nos dias...

Sem interferências

Os dias que não voltariam não eram necessariamente ruins. Aprendera a aceitar que certas coisas não se repetiam. Aprendera a deixar tudo como era, sem interferências. 

Mesmo quando a nostalgia batia mais forte, tinha que se lembrar de que não poderia fazer nada para mudar. Era ao aceitar que o presente poderia ser diferente do passado que abria as portas para algo novo.

Era no novo que conseguia respirar, por mais irônico que parecesse. Aprendera a reconhecer novos padrões e encontrado estabilidade mesmo diante do caos.

Não sentia falta dos dias caóticos. Mas também não havia se tornado a pessoa que mentiria estar feliz com tantas restrições. Era como a vida era e quem sabe pouco a pouco, seria capaz de expandir seus limites. 

Ia, então, pensando em como havia se tornado bom em encerrar ciclos. Ia se lembrando de como coisas pequenas que antes o machucavam, agora não tinham o mesmo impacto. Ia seguindo em frente, consciente de que fizera o melhor no passado.

Os dias passavam e a saudade que antes era pauta, havia se tornado algo distante. Dia após dia, ia processando as emoções e se reequilibrando, sem deixar o caos exterior fazer morada dentro dele. Preferia a paz.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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