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Destaques

Sobrecarregar

Impor limites nem sempre era fácil, mas às vezes fundamental para preservar a própria saúde mental. Então, ia aos poucos se fechando, permitindo ficar mais tempo offline do que online. Negociar limites talvez fosse o melhor termo. De todo modo, nem sempre as pessoas iriam entender. Às vezes, o silêncio era a melhor resposta. Escrevia para se lembrar. Escrevia para que as coisas fizessem sentido. Escrevia. Ia se soltando aos poucos. O que havia começado com empolgação, havia se tornado uma frustração. Aos poucos tentava diminuir o acesso às redes sociais, na esperança de voltar a respirar em paz. Ia impondo limites, pois era mais fácil se recuperar antes de se sobrecarregar do que depois. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , disponíveis no  Wattpad  e na loja Kindle.

Últimos meses

Escrevia para se dar conta do quanto havia mudado nos últimos meses. O cigarro, que antes julgava impossível de abrir mão, agora havia ficado no passado. Relacionamentos que pareciam durar, agora não estavam no presente. Novos relacionamentos ganhavam espaço e vida dia após dia.


Fizera as pazes com o passado quando aceitara que já tinha cumprido seu papel. Entre abrir mão e aceitar que estava tudo bem não fazer parte da vida do outro, a vida acontecia.

A frustração de achar que as coisas seriam diferentes. A repetição de padrões problemáticos. A pergunta: por que aceitar o inaceitável? A mudança que era sustentada dia após dia, até parecer que o passado já não incomodaria.

Era ao aceitar que não tinha controle sobre tudo. Era ao entender que aceitar ajuda dos outros e não precisava carregar tudo sozinho. Era ao se dar conta de que o que algum dia fizera sentido, agora poderia não fazer.

Dia após dia, seguindo em frente, mesmo quando parecia que nada estava acontecendo. Se dera conta de quanto havia usado o tempo para costurar novas possibilidades e manter a estabilidade, mesmo quando tudo parecia tremer ao redor.

Escrevia, então, como um lembrete de que não estava sozinho, mesmo quando parecia. Escrevia para que o leitor soubesse o mesmo. Escrevia para lembrar que os pequenos progressos também importavam. Escrevia para se lembrar de que estava tudo bem continuar seguindo em frente e que a nostalgia poderia ser tentadora, mas o verdadeiro desafio estava no aqui e agora.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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