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Destaques

Seis meses sem cigarro

Seis meses sem cigarro. Há um tempo parecia algo impossível de alcançar e aqui estava ele: estaria mentindo se dissesse que ainda não tinha fissura, mas havia conseguido controlar bem mais como nunca imaginara antes. Seis meses davam uma sensação boa. Seis meses sem fumar um cigarro, mesmo passando por inúmeras situações de estresse e de ansiedade. Seis meses aprendendo a regular as emoções de forma a não descontar no vício. Os meses iam passando. Datas que antes pareciam impossíveis se tornam reais. Já imaginara quando seria quando completasse um ano sem cigarro. Ia escrevendo para comemorar e lembrar que os pequenos dias também importavam. Escrevia para lembrar que o difícil não era impossível e qualquer um poderia conseguir se livrar do cigarro, por mais difícil que parecesse no início. Escrevia para agradecer a si mesmo por ter se libertado de algo que fazia tão mal e muita gente ainda acreditava que fazia bem. Escrevia para deixar claro que não queria voltar atrás e mesmo nos dias...

Uma dose diária de sol: apoio

É difícil recuperar o protagonismo da própria vida quando há momentos em que você perde o controle dos próprios pensamentos e comportamentos. Mas ter quem reconheça suas alterações, por menores que sejam, pode fazer toda diferença.

Aprendeu que colocar nos ombros do outro o papel de salvador era algo pesado demais. Mas também aprendeu que não deveria ignorar os sinais que antecedem uma crise, ainda que ela seja inevitável, era possível reduzir danos.

Foi assistindo ao drama coreano Uma Dose Diária de Sol que aprendera que todo mundo poderia adoecer um momento ou outro e estava tudo bem pedir ajuda.

Somente quem convive em alerta constante sabe a importância de poder contar com outros olhares e se permitir aproveitar o momento presente, se desligar um pouco.

Construção era algo que acontecia aos poucos. Seria o outro capaz de diferenciar quando estava em crise ou não? Ou já seria tarde demais?

Mesmo o tarde demais pode ser cedo se for identificado a tempo. O medo de perder o controle era algo que todo mundo deveria trabalhar, afinal, é pura ilusão acreditar que estará em controle o tempo todo.

Foi reaprendendo a viver. Se perdoando pelos erros do passado. Aceitando que ainda havia muita desinformação e estava tudo bem ser mal interpretado. Aceitara as coisas como elas eram.

Quanto tempo havia levado para aceitar que nada seria como antes, que abrir mão de algumas coisas eram fundamental e que estava tudo bem ter se tornado alguém tão diferente de quem era antes. 

Aprendera a colocar a saúde mental em primeiro lugar e mesmo podendo contar com uma pequena rede de apoio, ia se permitindo respirar e viver, sem o tempo inteiro lidar com falsos alarmes de uma crise que ainda não era hora e mesmo que perdesse o controle, o cenário não era o mesmo do início e havia tanta coisa que havia aprendido e os outros aprenderam sobre ele mesmo. Talvez a ansiedade em excesso poderia ser uma vilã e era preciso abrir mão dela para viver o aqui e agora. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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