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Destaques

Desconhecer

 “Vamos nos Desconhecer”. Você respondia não e dizia que era uma ideia ruim. Mas o tempo foi mais forte e quando menos nos demos conta, estávamos em um processo de afastamento e encerramento de ciclo. Não responder também era uma reposta. Não perguntar sobre como o outro estava. Não aceitar os limites do outro. Não entender que estava tudo bem discordar e continuar conversando. A verdade é que a permanência de ninguém está em nossas mãos. Não temos controle sobre quem vai, quem fica, mas podemos lembrar de ao menos termos tentado e as coisas não darem certas. Olhando assim, talvez até parecia que só havia uma tragédia. Mas a verdade era que aprendera com o outro, coisas úteis e também aprendera como não queria ser. Escrevia como uma forma de colocar o luto para fora. Escrevia como quem sabia desde o começo: um dia iríamos nos desconhecer, e não seria uma questão só de escolher, e sim de como a vida era. Havia me deixado mal acostumado. Sempre achando que estaria disponível. Até que...

Uma dose diária de sol: apoio

É difícil recuperar o protagonismo da própria vida quando há momentos em que você perde o controle dos próprios pensamentos e comportamentos. Mas ter quem reconheça suas alterações, por menores que sejam, pode fazer toda diferença.

Aprendeu que colocar nos ombros do outro o papel de salvador era algo pesado demais. Mas também aprendeu que não deveria ignorar os sinais que antecedem uma crise, ainda que ela seja inevitável, era possível reduzir danos.

Foi assistindo ao drama coreano Uma Dose Diária de Sol que aprendera que todo mundo poderia adoecer um momento ou outro e estava tudo bem pedir ajuda.

Somente quem convive em alerta constante sabe a importância de poder contar com outros olhares e se permitir aproveitar o momento presente, se desligar um pouco.

Construção era algo que acontecia aos poucos. Seria o outro capaz de diferenciar quando estava em crise ou não? Ou já seria tarde demais?

Mesmo o tarde demais pode ser cedo se for identificado a tempo. O medo de perder o controle era algo que todo mundo deveria trabalhar, afinal, é pura ilusão acreditar que estará em controle o tempo todo.

Foi reaprendendo a viver. Se perdoando pelos erros do passado. Aceitando que ainda havia muita desinformação e estava tudo bem ser mal interpretado. Aceitara as coisas como elas eram.

Quanto tempo havia levado para aceitar que nada seria como antes, que abrir mão de algumas coisas eram fundamental e que estava tudo bem ter se tornado alguém tão diferente de quem era antes. 

Aprendera a colocar a saúde mental em primeiro lugar e mesmo podendo contar com uma pequena rede de apoio, ia se permitindo respirar e viver, sem o tempo inteiro lidar com falsos alarmes de uma crise que ainda não era hora e mesmo que perdesse o controle, o cenário não era o mesmo do início e havia tanta coisa que havia aprendido e os outros aprenderam sobre ele mesmo. Talvez a ansiedade em excesso poderia ser uma vilã e era preciso abrir mão dela para viver o aqui e agora. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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