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Destaques

Cafeína

Cafeína. Acordo e o primeiro gosto que sinto é o de café. Anos depois o diagnóstico de transtorno bipolar, minha quantidade de café reduziu bastante e evito energéticos – costumava amar as madrugadas, algo bem distante do meu sono atual. A verdade é que nem todo mundo consegue ou precisa cortar a cafeína, mas tomando uma dose segura e em horário que não vai afetar o sono fazem toda diferença.  Já aconteceu de dizerem: “Você é corajoso de ainda beber café”. A verdade é que cada um sabe o que está disposto a abrir mão e sem mencionar que monitoro o humor, a energia e a ansiedade diariamente. Ter autoconsciência sobre o próprio transtorno faz muita diferença. No entanto, se a pessoa não se sente confortável e causa mais ansiedade, vale a pena se questionar se realmente não é necessário cortar o café. Há quem opte pelo descafeinado. A verdade é que estímulos estão em todos cantos. Um simples bolo de chocolate pode atrapalhar o sono dependendo do horário em que comeu. Um copo de Coca-Co...

Caderno

Uma folha em branco, uma oportunidade de colocar para fora o que estava sentindo. Há dias em que tudo parece intenso demais, em que preciso me ancorar para não deixar a tempestade me arrastar.

Dia após dia, ia anotando suas vivências. Memórias que poderiam ser consultadas com o tempo. Emoções que estava sentindo e acontecimentos que de alguma forma ou outra tinham o tocado.

Nada passava despercebido. Aprendera com o autoconhecimento que mesmo quando tudo estava complicado, nomear as emoções e identificar gatilhos poderia deixar as coisas um pouco mais fáceis.

Tirar pedaços do dia para escrever. Escrever o que estava sentindo, o que estava acontecendo, usá-lo como um confidente.

Da mesma forma que em alguns dias tinha muito a escrever, em outros havia pouco ou quase nada, é isso também era um sinal, seja de que talvez estivesse melhorando ou da importância das pausas.

Escrevia para dar propósito. A escrita começava solitária, mas chegava a pessoas de diferentes partes do mundo. De repente, o caderno não era só um caderno, era um lembrete de que nunca estava sozinho. Escrevia. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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