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Caderno

Uma folha em branco, uma oportunidade de colocar para fora o que estava sentindo. Há dias em que tudo parece intenso demais, em que preciso me ancorar para não deixar a tempestade me arrastar.

Dia após dia, ia anotando suas vivências. Memórias que poderiam ser consultadas com o tempo. Emoções que estava sentindo e acontecimentos que de alguma forma ou outra tinham o tocado.

Nada passava despercebido. Aprendera com o autoconhecimento que mesmo quando tudo estava complicado, nomear as emoções e identificar gatilhos poderia deixar as coisas um pouco mais fáceis.

Tirar pedaços do dia para escrever. Escrever o que estava sentindo, o que estava acontecendo, usá-lo como um confidente.

Da mesma forma que em alguns dias tinha muito a escrever, em outros havia pouco ou quase nada, é isso também era um sinal, seja de que talvez estivesse melhorando ou da importância das pausas.

Escrevia para dar propósito. A escrita começava solitária, mas chegava a pessoas de diferentes partes do mundo. De repente, o caderno não era só um caderno, era um lembrete de que nunca estava sozinho. Escrevia. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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