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Destaques

Sorte

Às vezes, ser otimista era como um golpe de sorte. Nada como a sensação de se surpreender e poder confiar que sua intuição estava certa, ainda que para os outros parecesse errado. Então, assim, a vida surpreendia e os pensamentos positivos se tornavam realidade. Dia após dia, a espera havia chegado ao fim e tudo o que poderia fazer era acreditar que em determinadas situações manter a calma era o melhor que poderia fazer. Por pouco, se entregara ao pânico e era como mergulhar em um rio de águas escuras. Mas assim que se dera conta de que estava tudo bem em apostar em si mesmo, se permitira respirar novamente. Quando a sorte daria as caras novamente, não sabia. Sabia que uma vez por ano era o suficiente para fazê-lo acreditar no lado bom da vida novamente. Até quando estaria protegido pela sorte? Não fazia ideia. Tudo o que conseguia pensar era no agora. Agora, tudo ficaria bem. Agora, poderia ficar em paz com suas escolhas. Agora. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor ...

Terapeutização

Terminar uma série antiga com muitas temporadas é sempre uma surpresa. Diferente dos formatos atuais que são mais curtos, você se torna familiarizado com os personagens depois de tantas temporadas é isso te faz refletir episódio após episódio sobre a vida.


Em um intervalo de meses tudo pode acontecer, inclusive nada. Além das séries, vinha pensando nos livros sobre amor próprio e confessava que tinha dificuldade para determinar onde começava uma coisa e terminava outra, se o excesso de terapeutização da vida não poderia encerrar tudo o que causasse frustração.

A verdade era que tudo dependia do contexto. Séries, filmes e livros nos ensinavam sobre a vida, assim como a importante terapia. Diante de um mar de livros focados na autoestima e amor próprio, me perguntava se algumas vezes não estávamos indo longe demais. Qual é o limite? Quantos fins de ciclos precisamos passar?

Ciclos terminavam, novos começavam e o receio de que tudo se repetisse passava pela mente. Estaria perdendo tempo até o inevitável fim? Precisava se tornar mais flexível e aceitar as contradições do outro?

Ainda não tinha as respostas que precisava. Mas o mais importante, antes de consumir o conteúdo havia aprendido a se questionar. Talvez o que seja visto como uma verdade para o outro, poderia se tornar algo duvidoso ou questionável.

Então, as produções culturais e a terapia me fizeram pensar no amor próprio, mas também me fizeram questionar qual é a linha e quando precisamos aceitar as contradições do outro. Relacionamentos que poderiam ter durado mais tempo, relacionamentos ainda em construção e relacionamentos que eram parte do passado. A verdade era que, sim, sabia a importância dos fins de ciclos, mas estava cansado deles. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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