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Destaques

Tempestade

Chegou como uma tempestade, daquelas que não queriam ir embora. Fez o dia se tornar noite, causou apagão e deixou a incerteza de quando as coisas voltariam ao normal. Era só uma tempestade como qualquer outra ou era diferente? Já nem se lembrava mais, só sabia que entre as piores sensações estavam a de ficar sem energia elétrica.  Não tinha medo do escuro. Mas também não achava a sensação mais agradável do mundo. Na teoria era uma ótima oportunidade para dormir bem. Na prática, a incerteza de quando as coisas iriam normalizar. Uma tempestade era como uma crise, tinha começo, meio e fim. As crises também passavam. As tempestades também passavam. Era na hora de dormir sem energia elétrica que não fazia ideia se o celular teria bateria suficiente para acorda-lo no dia seguinte. Era na insegurança que a crise parecia mais forte do que tinha sido. Era no silêncio que antecedia a chuva e a ventania que encontrava uma dose de paz. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do...

Divididas entre livros e mamadeiras

* Matéria produzida pelos acadêmicos de Jornalismo da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) de Campo Grande (MS), Ben-Hur Oliveira e Maria Izabel Costa, para o Jornal Em Foco.

Alguns estudantes reclamam da vida acadêmica, da falta de tempo e da dificuldade que encontram em ler vários livros, estudar e estagiar. Para as acadêmicas que têm crianças em casa ou em creches esperando por elas, essa dificuldade em administrar a rotina é maior.

Regime domiciliar pós-parto para as alunas-mães
Foto: Maria Izabel Costa
A estudante do 3º semestre de enfermagem no Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande (MS), Marcia Holanda de Lemos, 38 anos, tem uma filha de 5 meses de idade, Isadora Maria. Ela conta que fica preocupada durante a aula, pois sua filha não come, não dorme e chora enquanto ela não chega da faculdade. Por ser prematura, Isadora não pode ser deixada na creche devido à baixa imunidade. A pequena Isadora é dependente da mãe Marcia que diz não deixar a preocupação com a filha atrapalhar os estudos. “Quando estou em casa fazendo trabalhos da faculdade tenho que ficar falando com ela, se não ela começa a chorar. Não posso dizer que ter uma criança pequena me atrapalha nos estudos, pois ela me acalma quando chego em casa. Ela é quem me dá forças para estudar!”, justifica.

Segundo a psicóloga Maria Inez José, a gravidez pode interferir nos estudos das acadêmicas e no ingresso de novos estudantes à universidade. “A gestante terá que se ausentar para dar a luz e cuidar do bebê recém-nascido. As faltas são abonadas, mas ela vai perder muitas aulas. Ao retornar à faculdade, se ainda estiver amamentando, ela terá que perder algumas aulas para amamentar o bebê”, explica. A psicóloga também lembra dos casos em que a mãe perde a aula porque o bebê está doente ou não tem com quem deixar o filho para ir à universidade.

Apoio

A Universidade Católica Dom Bosco é a única em Campo Grande que possui uma creche aos acadêmicos e aos funcionários da Universidade. A Coordenadora Pedagógica do Centro de Educação Infantil São Domingos da Universidade Católica Dom Bosco, Célia Regina Miglioli Mendonça fala sobre a importância da creche. “Com a revolução de nós mulheres, quando começamos a trabalhar fora nós sentimos a necessidade das mães terem um local para deixar os seus filhos. Como não tinha esse local, foi solicitada a creche para atender os filhos de professores e funcionários. Depois houve solicitação de acadêmicas que tinham dificuldades de onde deixar os seus filhos para virem”, conta. Desde então, as acadêmicas da Católica podem deixar os seus filhos no centro educacional infantil, localizado no campus da universidade.

“As mães interagem e participam das atividades. Os pais estão sempre presentes tanto nos eventos, como nas reuniões. No dia-a-dia há um diálogo entre mães e professores, as mães saem felizes de saberem que a criança ficou bem, desenvolveu atividade, brincou e interagiu com outros colegas. Nós procuramos fazer um trabalho bem aberto e participativo. Se a criança fica com febre ou se é detectado algum problema, o primeiro procedimento é falar com a família”, argumenta Célia Regina Miglioli Mendonça.

Atendimento
 
O Centro de Educação Infantil é filantrópico e foi aplicado em 1987, na antiga Fucmat (Faculdades Únicas Católicas de Mato Grosso), nos dias de hoje conhecida como UCDB (Universidade Católica Dom Bosco). Atualmente, 115 crianças estão matriculadas no CEI-DS (Centro de Educação Infantil São Domingos), desde crianças de 4 meses até 5 anos. O CEI-DS é totalmente gratuito e funciona de segunda-feira à sexta-feira das 6h30 às 19h. O atendimento é preferencial para a comunidade interna, mas a comunidade ao redor da universidade também pode solicitar. Para matricular o filho é necessário preencher uma ficha de solicitação de vagas e esta ficha vai para uma lista de espera. As vagas mais procuradas são as da creche. Existem 20% a mais de alunos matriculados no período matutino, do que no vespertino.
 

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