quinta-feira, 21 de julho de 2011

Jornalista Oswaldo Ribeiro conta sobre pioneirismo da extinta rádio CBN em MS

* Texto de Ben-hur Oliveira / Entrevista Ben-hur Oliveira e Maria Izabel Costa

Inaugurada no dia 02 de março de 1995, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a extinta Rádio CBN (Central Brasileira de Notícias) foi pioneira no Estado com sua programação de 24 horas de notícias. Considerada "uma escola de radiojornalismo para os jornalistas que passaram por ela", segundo palavras do jornalista Oswaldo Ribeiro, a CBN foi a única rádio All News que a cidade teve. A última transmissão da rádio foi ao ar em outubro de 2004, e durante esses nove anos de existência, o jornalista, professor e coordenador do curso de jornalismo da Universidade Católica Dom Bosco, que trabalhou durante 8 anos no local, Oswaldo Ribeiro compartilha suas experiências.

Jornalista Oswaldo Ribeiro no evento '72 Horas de Jornalismo'
Foto: arquivo/Thaianny Regina
Oswaldo Ribeiro contou que começou na CBN como produtor de estúdio, onde fazia ligações para os entrevistados durante o programa e em seguida produzia as entrevistas para o próximo programa. "Eu trabalhava no programa da tarde e da manhã. Durante um período de 7 a 8 anos, eu trabalhei também com reportagens especiais, fui editor-executivo, editor, e apresentador do 'Notícia da Tarde'", lembra.

Para o jornalista, trabalhar na CBN, com o formato pioneiro em MS, foi uma experiência interessante. Antes de trabalhar na rádio, Oswaldo Ribeiro fazia reportagens e produzia um programa de videoclipes na TV Guanandi. "Era um jornalismo mais da linha de entretenimento", diz. A primeira oportunidade em que trabalhou "exatamente como jornalista", onde Ribeiro teve contato com o jornalismo diário, foi na CBN, que só tocava notícias. "O programa 'Notícia da Tarde' tinha duas horas de duração, aqui para Campo Grande, duas horas de informações é muito. Não tocava músicas, era uma informação atrás da outra, entrevistas, reportagens, notas", justifica.

Questionado sobre uma história que marcou sua passagem na CBN, Oswaldo conta sobre uma cobertura da eleições. "Nós fizemos apurações e entrevistas com os candidatos. Foi uma experiência interessante porque nós tivemos um feedback muito grande do ouvinte-eleitor a partir das opiniões que nós dávamos", narra. Diversos ouvintes ligaram após o jornalista falar sobre a grande quantidade de votos em branco e a necessidade das pessoas votarem. "Duas pessoas contaram que votaram em branco porque os candidatos não supriam suas necessidades para eleger alguém, e que elas tinham o direito de votar em branco. O feedback foi grande e é quando você sente o poder de um microfone e uma idéia pré-concebida. A reação pode ser algo que você não esperava. Quem votou em branco reagiu à minha colocação", relata.

"Eu acredito que a CBN influenciou outras rádios e programas. Eu costumo dizer, que no período de 95 até 98, nós fomos o que hoje a internet é para as redações de jornalismo. Todo mundo tinha um rádio ligado na CBN para ouvir as notícias", argumenta. Após nove anos, a CBN fechou, mas continuou influenciando formatos de programas. O professor conta que esta não comportava em Campo Grande porque a cidade não tinha tantas informações, além de perder espaço para os sites de notícias, as crises do rádio e a perda de espaço publicitário para televisão.

Será que algum dia a rádio poderá ser reaberta em Campo Grande? "A CBN nos grandes centros, como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, é uma emissora que trabalha numa linha de prestação de serviços que tem muita ligação ao trânsito. E em 94-95 nós tínhamos em Campo Grande um trânsito relativamente trânquilo, hoje ele é caótico. Eu estava conversando esses dias com minha esposa e disse que achava que a CBN seria legal para trabalhar com o trânsito e com outras informações da cidade. É inegável que com a tecnologia, as pessoas se informem de outras formas, mas com a CBN que tinha vários repórteres na rua, com informações que aconteciam naquele momento, ela funcionaria. A volta da CBN seria interessante até para o mercado de trabalho, para que outros jornalistas possam passar por essa experiência também", finaliza.

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