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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Nostalgia Intensa

Todas brigam foram esquecidas. Todo mal-estar que um causava no outro havia desaparecido, dando lugar à nostalgia intensa, da qual tentava se livrar, mas nem sempre conseguia. O passado era como uma sereia que o seduzia com seu canto e o levava a se afogar.

Nosso cérebro, às vezes, pode ser nosso pior inimigo. A versão real do que realmente havia acontecido tinha sido substituída por uma fantasia, cheia de idealizações, e não importava o quanto tentasse se apegar à razão, a mente se prendia às emoções. 

Havia ignorado por tempo suficiente, até se dar conta de que não adiantava ignorar as coisas. Alguma coisa estava errada com ele. Ia, então, mergulhando no autoconhecimento e se apoiando na escuta atenta da psicóloga, procurando respostas para os comportamentos que pareciam não fazer sentido.

Não importava o quanto tempo havia passado. Na mente dele, ainda era como se tudo tivesse acontecido ontem. Aprendera que quanto mais alimentara a nostalgia, pior era. Precisava, sim, se distrair, até dar menos poder para as coisas que não tinha controle.

Quando a nostalgia intensa chegaria ao fim? Precisava conhecer novas pessoas? Precisava fazer as pazes com o passado? Era algo que iria descobrir no processo da terapia. Era algo novo. A possibilidade de um diagnóstico que o fazia agir de forma tão intensa e instável nas emoções.

Ia, então, ressignificando o passado. Tentando mudar a narrativa. Tentando se soltar do passado, abrindo mais espaço para o presente e possibilidades para o futuro. Ia se soltando dos braços da nostalgia, consciente de que mais do que uma saudade, era uma fantasia de algo que não se repetiria novamente, mas que a mente se prendia às expectativas irreais. Era um passado que não se repetiria no presente e tudo o que precisava era fazer as pazes com isso.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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