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Destaques

Dias de sono

Os dias de sono voltaram. Dias em que parecia que não importava o quanto dormisse, sentia mais vontade de dormir. Uma fome sem fim. Seria desejo de sonhar? Vontade de esquecer um pouco a realidade? Ou quem sabe algo ligado à mudança de tempo? Não sabia definir completamente. Sabia que os dias estavam passando. Sabia que faltavam poucos dias para completar um ano sem cigarro, aquilo que costumava usar para manter acordado ao se levantar junto com o cafezinho. Em um ano muita coisa poderia mudar. E era inevitável não encarar as mudanças. Tinha dias de nostalgia, mas também dias em que queria se manter firme no momento presente. Escrevia para manter viva a chama da criatividade. Escrevia para se entender melhor e também para que o leitor se compreendesse. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Liv...

Ia escrevendo

Mesmo quando falavam do mesmo assunto, eram como dois livros diferentes. Estranho era como se havia conectado com alguém completamente diferente. Uma dose de nostalgia, outra de fantasia, e assim se misturavam os sentimentos que nutria pelo outro.

Aprendera na terapia que era possível gostar de alguém e não querer estar com essa pessoa. Aprendera a definir os próprios limites sobre o que aceitava ou não. Aprendera que não poderia ignorar tudo só por gostar do outro e dar um tratamento especial, que estava longe de ser recíproco.

Ia escrevendo sobre os dias que iria esquecer. Ia escrevendo na esperança de que o passado ficasse para trás. Ia escrevendo.

Então, não havia muito sobre o que pensar. Aceitar que algumas diferenças eram irreconciliáveis, que não se tratava de gostar ou não um do outro, mas de aceitar que algumas coisas não se encaixavam.

Escrevia como um adeus. Escrevia como uma forma de dizer que estava tudo bem desistir, quando só um dos lados procurava consertar as coisas, enquanto o outro estava preso ao papel de quem estava sempre certo.

Continuaria escrevendo, até abrir as veias e deixar tudo sangrar. Escreveria com a tinta vermelha para lembrar que alguns relacionamentos mais machucavam do que faziam bem e estava tudo bem se afastar. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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