Pular para o conteúdo principal

Destaques

11 Meses Sem Fumar Cigarro

Quase completando 11 meses sem fumar cigarro, se dera conta de que um dia parecia impossível, havia se tornado real. E faltava tão pouco para completar o primeiro ano sem cigarro. Estaria mentindo se dissesse que vez ou outra não sentia uma vontade súbita de fumar cigarro, mas se sentia no controle da situação e era capaz de dizer não. Dizer não se tornava cada vez mais fácil com o passar do tempo. Mas era ilusão achar que nunca mais seria tomado pela vontade. A diferença era que agora era muito mais fácil se negar. Dizer não ao cigarro significava dizer sim para outras coisas. Parar de negar o quanto fumar fazia mal à saúde e aceitar que por mais difícil que fosse se manter longe do cigarro, os benefícios valiam a pena. Então, era um dia qualquer para os outros, mas para quem havia parado de fumar, celebrar esses pequenos passos fazia toda diferença. Só mais um dia sem fumar cigarro. Só mais um dia para ignorar os pensamentos de que não ia conseguir. Só mais um dia provando que era ca...

Ia escrevendo

Mesmo quando falavam do mesmo assunto, eram como dois livros diferentes. Estranho era como se havia conectado com alguém completamente diferente. Uma dose de nostalgia, outra de fantasia, e assim se misturavam os sentimentos que nutria pelo outro.

Aprendera na terapia que era possível gostar de alguém e não querer estar com essa pessoa. Aprendera a definir os próprios limites sobre o que aceitava ou não. Aprendera que não poderia ignorar tudo só por gostar do outro e dar um tratamento especial, que estava longe de ser recíproco.

Ia escrevendo sobre os dias que iria esquecer. Ia escrevendo na esperança de que o passado ficasse para trás. Ia escrevendo.

Então, não havia muito sobre o que pensar. Aceitar que algumas diferenças eram irreconciliáveis, que não se tratava de gostar ou não um do outro, mas de aceitar que algumas coisas não se encaixavam.

Escrevia como um adeus. Escrevia como uma forma de dizer que estava tudo bem desistir, quando só um dos lados procurava consertar as coisas, enquanto o outro estava preso ao papel de quem estava sempre certo.

Continuaria escrevendo, até abrir as veias e deixar tudo sangrar. Escreveria com a tinta vermelha para lembrar que alguns relacionamentos mais machucavam do que faziam bem e estava tudo bem se afastar. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Mais lidas da semana