terça-feira, 4 de outubro de 2011

Resenha: Dear John (Querido John)

Em 'Querido John' (Dear John), nome do livro escrito pelo norte-americano Nicholas Sparks e lançado em 2006, é mostrada uma história de amor, tristeza, felicidade, saudade e drama, a fórmula de sentimentos interrelacionados em nossas vidas já conhecida pelos leitores do autor, e que continua fazendo sucesso. Todavia, apesar de agradar, o estilo do escritor pode se tornar um pouco maçante, principalmente se você faz parte do tipo de pessoa que gosta de ler vários livros do mesmo autor.


A vida de John Tyree, um jovem ex-rebelde é transformada quando este entra para o exército. A disciplina ajudou a moldar o caráter do rapaz, mas quem melhor para ensinar uma lição sobre a vida para as pessoas do que o amor, um dos sentimentos mais puros? Aproveitando os seus dias de licença do exército, quando estava na praia, John ajudou Savannah e a partir do momento em que se conheceram a intensidade dos sentimentos entre os dois aumentou cada vez mais, como se fosse paixão à primeira vista. Aliás, existe tempo certo para se apaixonar ou para amar? E qual a diferença entre essas duas palavrinhas? Parece que os personagens do livro não sabem a resposta para esta pergunta, pois em um curto período de tempo os dois já estão loucamente se amando e dispostos a enfrentar o que vier.

O jeito que Nicholas Sparks conta a história consegue envolver o leitor do começo ao fim. Talvez este seja uma das grandes razões pelas quais os livros do autor, que por sinal são best-sellers, tenham tornado-se ótimos filmes. Baseados nas obras do autor, alguns filmes conseguem por meio dos recursos audio-visuais superar as expectativas e emocionar os telespectadores, muitas vezes, mais do que os próprios livros. Com Querido John não é diferente.

Pode o amor suportar a distância e o tempo? Até determinada parte da história somos levados a acreditar que sim: “o amor tudo suporta”. A utopia se faz presente nas obras de Sparks, que de tão forçadas, por mais que uma parte nossa tente acreditar sobre uma ínfima possibilidade de acontecer na vida real, a outra elimina qualquer expectativa.

Quando Savannah sabe que John vai ter que voltar para o exército e passar cerca de um ano fora, a jovem decide que vale a pena esperar. Neste período os dois trocam diversas cartas, uma forma de se manterem conectados, mesmo quando o rapaz está em locais de pouca acessibilidade, além de ser uma forma de demonstrarem o seu amor pelo outro e o apoio. Um ano não é suficiente para enfraquecer os sentimentos dos dois, até porque John não tem a mínima culpa de ter que voltar para o exército e Savannah já estava consciente de que isto aconteceria.

A história de amor entre os dois toma outro rumo quando após a volta do rapaz, este decide voltar para servir mais tempo no exército, mas desta vez, por decisão própria. Savannah esperara o jovem por um ano, e tenta respeitar a decisão do jovem, prometendo continuar escrevendo com regularidade. Dizem que a saudade é como o vento e o fogo, pode aumentar ou apagar totalmente a chama. No caso do relacionamento dos dois, o amor não foi forte o suficiente para mantê-los juntos. À medida que o tempo passa, as cartas de Savannah são enviadas com menor frequência e John não entende o por quê. O homem só entende quando finalmente recebe uma carta que mudou a sua vida, em que a jovem explicava a ausência de suas cartas. Savannah não aguentava lidar mais com a dor e acabara se apaixonando por outra pessoa. Qualquer coincidência entre esta história e a de outros livros do autor não são mera coincidências, parece que Nicholas Sparks usa os mesmos elementos em sua história, mudando somente os personagens e as situações. Explico: em “Um amor para recordar” é contada a história de um casal de jovens, que no início do seu relacionamento são marcados pelas diferenças de personalidade, depois acabam se apaixonando e o protagonista perde o amor de sua vida por conta de um câncer; já em “Diário de uma Paixão”, os protagonistas são proibidos de se ver quando são novos, ficam vários anos separados, após ficarem muito tempo casados, a mulher do homem fica com Mal de Alzheimer.

Em Querido John quem está doente não é nenhum dos dois protagonistas, mas o pai de John. Após a morte do pai de John, o rapaz volta para sua cidade natal para resolver os assuntos pendentes relacionados ao velório do seu pai e por curiosidade, o homem acaba procurando Savannah. Muitos anos se passaram desde que os dois tinham se visto pela última vez, mas a tensão entre ambos é evidente. Mesmo com outro homem, que aliás está com câncer, John vende a coleção favoritas de moedas do seu pai e doa o dinheiro de forma anônima para contribuir com o tratamento do marido de Savannah.

O livro nos faz refletir sobre as escolhas que fazemos em nossas vidas. John teve a oportunidade de seguir um dos seus sonhos, mas ao mesmo tempo acabou perdendo Savannah. O enredo é interessante, mas como dito acima, parece que Sparks é um romântico típico, daqueles que acreditam em finais felizes, mas exalando drama. O amor é visto como um elemento de transformação, um sentimento tão forte capaz de unir duas pessoas inteiramente diferentes.

Enfim, para os que acreditam em contos de fadas as histórias de Nicholas Sparks são ótimas, já para os amantes de uma dose de amor realista, esta obra literária pode não agradar muito. A santificação e transcendência do amor podem funcionar muito bem na ficção para entreter e comover, mas quando se trata da vida real, o jardim não é tão verde assim.

4 comentários:

  1. Sou apaixonada pelos romances escritos e filmes dos livros de Nicholas Sparks. Li e assisti a quase todos eles...mais uma vez, parabéns pelo blog!!!

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    1. Oi, Paloma!
      Fico muito feliz que tenha gostado do blog! Também adoro os livros do Nicholas Sparks, embora ler vários em seguido torne a leitura maçante.
      Abraços!

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  2. amei o filme e parabens gostei mto de sua resenha...

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    1. Oi, Ana Paula!
      Fico muito feliz em saber que tenha gostado do filme e da resenha. Particularmente, eu prefiro o filme Querido John do que o livro. Devo ser uma das poucas pessoas que gostou mais da adaptação cinematográfica.
      Abraços!

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Obrigado pelo comentário. Volte sempre!

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