Pular para o conteúdo principal

Destaques

Um ano e um mês sem fumar cigarro

 No primeiro ano e um mês sem fumar cigarro situações estressantes podem servir como gatilho para uma recaída, mas consegui me manter longe do cigarro. Até quando vou conseguir? Não faço ideia, mas preciso continuar tentando. A ilusão de que o cigarro pode ajudar com a ansiedade, nos faz esquecer que ele próprio pode causar ansiedade. Logo, mesmo que sirva como um alívio momentâneo, não significa que é a melhor escolha. Assim como vivem aqueles com dependência, é preciso saber viver um dia de cada vez e estar preparado para caso o pior aconteça. Manter-se a uma distância segura dos gatilhos pode diminuir o impacto e não aumentar a dose repentina de fumar cigarro. Tudo muito mais fácil na teoria do que na prática, mas que funciona. Ia, então, passando os dias. Preenchi as horas com poesia. Tinha sempre algo novo a aprender. E ia renovando a esperança de deixar o cigarro no passado de uma vez por todas. Ia aprendendo a regular as emoções e não dar mais importância do que as coisas ti...

Sobre Amores e Calças Jeans


Picture: Thinkstock
Uma frase que eu li hoje me fez pensar: "Quantos corações rasgados são necessários para se viver um verdadeiro amor?". Às vezes penso que este coração aqui está cansado e não vai mais aguentar um próximo round, mas a vida nos surpreende com doces paixões tão gostosas quanto aquelas balas artificiais baratas que derretem na sua boca. Amores que colorem a sua vida, deixam um cheiro gostoso pelo ar, possuem um gosto agridoce, te marcam, mas desaparecem quando você finalmente está começando a sentir algo.

Apesar de achar algumas histórias clichês e utópicas, acredito, que no fundo, de tanto ouvirmos elas serem contadas, imaginamos que poderiam acontecer conosco também. São romances mostrados em livros, novelas, seriados, filmes, músicas, propagandas... O amor se tornou um produto. Um produto que vende. Um objeto de consumo. Mas como a maioria dos produtos de grife, não são todas as pessoas que possuem condições de comprá-lo ou melhor possuí-lo. A sensação de possuir algo que você quer é muito boa, porém passageira quando o seu valor diminui após conseguí-lo.

Se o amor tornou-se um bem de consumo, elemento necessário para a nossa satisfação, nada mais justo do que compará-lo a roupas. Sabe aquela calça jeans que você se apaixonou de 300 reais?

Achar um jeans que combine com você nem sempre é uma tarefa fácil. Assim como o amor, chega um momento que você está pensando em desistir, mas então, aparece ela lá, e você não sabe dizer se é ela que está brilhando ou são seus próprios olhos. De todos os tipos existentes: skinny, cós alto, cintura alta, boca reta, boca larga, lavagem escura, entre outras, a modelagem daquela calça parece ter sido feita exatamente para o seu corpo. Mesmo não sendo um valor que você gostaria de pagar, você acredita que vale a pena e dá um jeito, afinal, "ela foi feita para você". Era como se aquela calça tivesse sido destinada para você.

Com o tempo, pouco ou muito, vai depender da sua sorte, todas as promessas que aquela vendedora fez de que a calça não mudaria de tamanho ou que ela não desbotaria começam a ser desfeitas. Você percebe que o tecido não se ajusta mais ao seu corpo como costumava e que o brilho e as cores também não são os mesmos que te faziam sentir tão confortável e satisfeito com ela.

O amor é como uma calça. Chega um momento da sua vida em que você precisa se afastar daquela roupa e por ter te feito tão bem por um tempo e custado tão caro, você acredita que apesar de não servir mais em você, ela ainda pode servir em outra pessoa. Se desfazer de algo que você tanto gostou não é simples, porém não é impossível e nem tão doloroso quanto você imaginou que poderia ser.

Os dias passam e você precisa de uma calça nova. Aquela que costumava ser sua favorita já não faz mais parte da sua vida, mas sempre tem alguma foto ou outra com ela para te lembrar daquela sensação boa que você costumava sentir com ela. Amor ou não, vocês se sentiam tão bem juntos. Passando na frente de algumas lojas, apesar de sentir que você realmente está precisando de uma nova peça de roupa, você não consegue encontrar alguma que encaixe tão bem quanto aquela costumava no seu corpo.

Quase desistindo, como sempre acontece quando você está à procura do amor, você passa na frente de um brechó. Ao entrar na loja, você vê uma estande com várias calças jeans com preços a partir de vinte reais. Muitas calças empilhadas, opções para todos os gostos e tamanhos. Cansado de tanto olhar, você pega qualquer calça e se dirige ao caixa.

– Trinta reais. – a vendedora diz para o rapaz que está na sua frente, todo alegre por ter achado uma calça que combina com ele.

A sua surpresa é enorme ao perceber que aquela era a sua calça e como ela tinha ficado tão barata. Antes que o rapaz pegue o troco dele, você devolve a peça para a pilha de roupas e percebe que não vale a pena pagar tão caro por algo que pode perder o seu valor, como aquele antigo pedaço de tecido desbotado que um dia te encantou, mas que também não compensa comprar algo tão barato para preencher a falta da outra. Sai da loja sem olhar para trás. Talvez não seja tão ruim assim ficar sem uma calça nova por uns tempos...

Leia também: Amores de Plástico

Mais lidas da semana