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Destaques

Imprevisível

Era antes de dormir que vinha a vontade de escrever. Tudo parecia estar dominado pelo sol, mas a qualquer momento tudo pode mudar em Campo Grande (MS). Tudo o que posso fazer é torcer para que não haja outros prejuízos e pessoas machucadas pela tempestade. Tudo indica que venha vento, mas por enquanto nada é 100% certo. Era na ventania que percebia o humor mudar. E se lembrava da importância da calma. Uma crise precisava ter mais do que alguns ventos para ser chamada assim. Ia deitar consciente de que não queria chuva, mas que poderia acontecer. Que o sol estava ajudando na regulação do humor, mas que era mais difícil quando tudo era imprevisível. Escrevia para se despedir do sol. Para lembrar que embora houvesse risco, não necessariamente significava que iria acontecer. E de todo modo, com os alertas feitos pelos jornais de Campo Grande (MS), que as pessoas saberiam o que fazer. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicad...

Jogos Vorazes e a Pós-Modernidade


Ao assistir "Jogos Vorazes", filme lançado em março de 2012 e dirigido por Gary Ross, baseado no livro homônimo escrito por por Suzane Collins, uma palavra não conseguia sair da minha cabeça: pós-modernidade. A trama mostra os reflexos da globalização na sociedade, uma realidade não tão diferente da nossa.

O jogo, por exemplo, é uma espécie de espetáculo. A distração é uma forma de quebrar as resistências da população, principalmente das minorias. Outro ponto observado no jogo é o monitoramento dos participantes, que acontece em uma diferente espaço híbrido - físico e virtual, lembrando o modelo panóptico discutido pelo filósofo francês Michel Foucault. Relacionando o filme com a explicação do sociólogo polonês Zygmunt Bauman em seu livro "Globalização: As Consequências Humanas", no modelo panóptico, os supervisores, no caso aqueles que assistiam o jogo, estavam em espaços diferentes dos vigiados, os jogadores, onde o primeiro grupo não tem a visão obstruída sobre o que está acontecendo, e o segundo age sem saber o que se passa, além de se comportarem como se estivessem sob vigilância. Mais do que servir para fiscalizar as ações dos jogadores, o confinamento é um show ao vivo.

A supervalorização da estética fica evidente no filme, por exemplo, apesar de vir de uma região subdesenvolvida e ter uma vida precária, a protagonista passa por uma transformação para que os telespectadores do jogo possam gostar dela. A garota que passava fome é recebida com banquetes antes da competição começar. O "parecer" e a estética tornam-se mais importantes do que o "ser" e a ética. Roupas coloridas e extravagantes, maquiagem pesada e cabelos modernos ressaltam o narcisismo dos moradores da Capital, pólo econômico superdesenvolvido, contrastando com a miséria dos cidadãos de outros distritos, responsáveis pelo transporte de recursos naturais, minerais e produtos.

Parecido com as relações sociais nos dias de hoje, em que vivemos numa espécie de reality show onde ganha quem tem maior aceitação, no jogo os participantes são capazes de transformarem suas vidas em um espetáculo teatral, para agradarem os patrocinadores / telespectadores, utilizando-se de sentimentos artificiais e relacionamentos de aparência.

A indiferença em relação à violência e também à morte são mostradas no filme, semelhante ao que acontece nos meios de comunicação de massa da sociedade em que vivemos. Não importa o que acontece ou quantas pessoas tenham que se machucar se isto tudo der um bom show.

Ficção e realidade se interconectam na produção cinematográfica e literária que tornou-se a nova febre entre pessoas de diferentes lugares do mundo (olha a globalização novamente aí). Estaremos nós em um futuro próximo de lutarmos em Jogos Vorazes ou já nos comportamos como jogadores nos nossos cotidianos? Fica a reflexão para o leitor.

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