Resenha - Globalização: As Consequências Humanas – Zygmunt Bauman

*Autor: Ben Oliveira - Acadêmico de Jornalismo da UCDB

No livro “Globalização: As consequências humanas”, escrito pelo professor de sociologia Zygmunt Bauman, o autor levanta questões e discute problemas relacionados à globalização, como os efeitos da economia, política, estruturas sociais e percepções do tempo e espaço.

Além de “Globalização: As consequências humanas”, o sociólogo polonês possui outras obras onde aborda as consequências sociais da modernização que privilegia uma minoria, como “O mal-estar da pós-modernidade”, “Amor líquido”, “Vidas desperdiçadas” e “Identidade”.

Na introdução do livro o autor comenta que a globalização é vista por uns como algo bom e por outros como algo ruim, mas para todos é um processo irreversível. Causa de felicidade e infelicidade alheia. Além de ser algo que afeta a todos na mesma medida e da mesma maneira. Bauman cita o processo paradoxal da globalização: “A globalização tanto divide como une; divide enquanto une” (BAUMAN, 1999, p. 8).

Bauman explica que num mundo cada vez mais globalizado a localização é vista como privação e degradação social, enquanto a globalização deve ser o modelo seguido por todos. Esta questão é facilmente observável no nosso dia-a-dia quando vemos a valorização daquilo que faz sucesso pelo mundo, como moda, música, gastronomia, entre outros produtos culturais, e acabamos desvalorizando aquilo que é da nossa região. Em tempos de globalização, por exemplo, quem não tem internet, e não está integrado nas redes sociais, está excluído em relação aos que possuem. As ferramentas se tornaram uma febre global.

Capítulo 1. Tempo e classe
As grandes corporações são tema do primeiro capítulo do livro de Bauman, onde ele explica o conflito existente entre funcionários e investidores. Os investidores são os donos das empresas e tomam as decisões importantes, mesmo não estando presos à localidade, enquanto os empregados que não têm voz estão presos ao espaço do trabalho. A preocupação desses investidores é com o lucro, e quem deve cumprir com as obrigações e tem a mão de obra explorada são os funcionários.

O autor argumenta sobre o fim das distâncias e da fronteira geográfica. Com a mensagem eletrônica, por exemplo, o tempo de comunicação tornou-se instantâneo. Algumas palavras como “perto” e “longe”, “dentro” e “fora”, perderam o sentido que carregavam antigamente referentes à geografia, e ganharam outra dimensão: certeza e incerteza, autoconfiança e hesitação, situações problemáticas ou não.

Ainda de acordo com o autor, o progresso dos meios de transporte marcou a história moderna, com o aumento dos transportes, viagens, invenção e produção em massa de meios de transporte novos, como trens, automóveis e aviões. A disponibilização desses novos meios de transporte possibilitou o contato com outros processos sociais e culturais antigamente locais.

O transporte da informação foi um dos grandes marcos da história: “O tipo de comunicação que não envolve o movimento de corpos físicos... “(Bauman, 1999, p. 21). Segundo Bauman, a informação que antes precisava de um mensageiro, alguém que levasse fisicamente, passou por um processo de desenvolvimento de meios técnicos que permitiu que o conteúdo viajasse independente dos portadores físicos e do que se tratava. A rede de computadores (Internet), por exemplo, fez com que o aumento da velocidade de transmissão da informação aumentasse cada vez mais, podendo esta ser transmitida mais rápida do que a viagem dos corpos, perdendo a noção de viagem e distância a ser percorrida. A informação passa a ser instantaneamente disponível para o planeta.

Os custos da comunicação tornaram-se cada vez mais baratos, deixando de existir ou diminuindo a diferença entre custo local e global, e esse processo relacionou-se ao excesso e à chegada veloz de informações. “... a comunicação barata inunda e sufoca a memória, em vez de alimentá-la e estabilizá-la.” (BAUMAN, 1999, p. 23).

A elite que sempre conseguiu romper as barreiras de localização aproveita-se desta nova forma de transmissão de informações para se libertarem do espaço físico. De acordo com Bauman, a elite constrói casas e escritórios supervigiados, livres da intromissão de vizinhos importunos, isolados da comunidade local e inacessíveis a quem não esteja dentro deles confinados, uma combinação entre poder e onipotência. Como formas de evitar o contato com outras pessoas, a elite escolhe lugares de difícil acesso, espaços defendidos por barras e / ou espaço com monitoramento constante de tecnologias e seguranças, processos relacionados à extraterritorialidade e do isolamento corpóreo da nova elite em reação à localidade.
A globalização trouxe uma espécie de desestruturação das comunidades locais, como é possível conferir nesse trecho: “Longe de serem viveiros de comunidades, as populações locais são mais parecidas com feixes frouxos de extremidades soltas” (BAUMAN, 1999, p. 31).

Capítulo 2. Guerras espaciais: informe de carreira
Neste capítulo do livro Bauman fala sobre o espaço social e o espaço físico. As medidas do espaço físico e do espaço social antes bastante utilizadas, hoje já não têm mais o mesmo uso. Com a diversificação das medidas, um dos problemas encontrados pelos detentores de poder foi o de uniformizar o tratamento a todos pelos impostos. Bauman explica que para facilitar foram criadas medidas padrão, obrigatórias, de distância, superfície e volume, por exemplo, e a proibição de medidas locais.
O sociólogo também cita os mapas como uma espécie de batalha para reorganizar o espaço e de controle do ofício do cartógrafo. Para Bauman, a guerra moderna pelo espaço fez com que o Estado buscasse um mapa oficialmente aprovado e a desqualificação de outros mapas e interpretações alternativas, bem como o desativamento de outras instituições cartográficas que não fossem estabelecidos, licenciados ou financiados pelo Estado.

Bauman menciona e compara a criação dos mapas pelos poderes modernos ao modelo Panóptico concebido por Michel Foucalt, em que o filósofo fala sobre a criação de um espaço artificial com o objetivo de monitorar os indivíduos e manipular as relações sociais e a relação de poder. Os observadores viviam no mesmo espaço do que os supervisionados, porém em situações opostas. “A visão do primeiro grupo não é obstruída, enquanto o segundo precisa agir num território de névoa, opaco” (BAUMAN, 1999, p. 41). O autor prossegue explicando que para os poderes modernos não foi possível criar esse espaço artificial em uma ampla escala, portanto uma solução encontrada foi o mapeamento do espaço, uma estratégia da moderna guerra pelo espaço, que confundia os habitantes locais e remodelava os espaços. “Anteriormente, era o mapa que refletia e registrava as formas do território. Agora, era a vez do território se tornar um reflexo do mapa, ser elevado ao nível da ordenada transparência que os mapas se esforçavam por atingir” (BAUMAN, 1999, p. 42).

Ainda sobre a questão territorial, Bauman cita o escrior Morelly e a idéia utópica de uniformidade e homogeneidade dos elementos espaciais das cidades. Autor de “The Code of Nature”, obra publicada em 1755 na França, Morelly dividia a cidade em círculos, sendo o central voltado para os edifícios alternativos; a seguir, um voltado para os distritos urbanos, com ruas iguais e edifícios idênticos; já os cidadãos que não se adaptassem aos padrões de normalidade, sejam os doentes, inválidos e senis, segundo o autor, estes deveriam ser confinados em uma área fora dos círculos. Outro destaque para não atrapalhar a regularidade das cidades seria o local onde deveriam ficar os excluídos da sociedade, “mortos cívicos”, que deveriam ser trancafiados em cavernas, próximo aos cemitérios com os “mortos biológicos”.

Toda esta preocupação com a uniformidade das cidades criou uma espécie de agorafobia nos cidadãos e de intolerância.

“…a uniformidade alimenta a conformidade e a outra face da conformidade é a intolerância. Numa localidade homogénea é extremamente difícil adquirir as qualidades de carácter e habilidades necessárias para lidar com a diferença humana e situações de incerteza; e na ausência dessas habilidades e qualidades é facílimo temer o outro, simplesmente por ser outro – talvez bizarro e diferente...” (BAUMAN, 1999, p. 55).

Bauman cita Richard Sennet, um analista da vida contemporânea, que estudou redução do espaço público urbano e a retirada dos habitantes da cidade. Segundo o autor, esta busca pela homogeneização e remodelação das cidades  levaram à desintegração dos laços humanos, abandono, solidão e vazio interior. Estas tentativas de busca pela transparência fizeram com que os habitantes da cidade enfrentassem um problema de identidade.

“A experiência das cidades americanas analisadas por Sennett aponta para uma regularidade quase universal: a suspeita em relação aos outros, a intolerância face à diferença, o ressentimento com estranhos e a exigência de isolá-los e bani-los, assim como a preocupação histérica, paranóica com a “lei e a ordem”, tudo isso tende a atingir o mais alto grau nas comunidades locais mais uniformes, mais segregadas dos pontos de vista racial, étnico e de classe” (BAUMAN, 1999, p. 54).

As pessoas procuram morar em lugares onde não hajam vizinhos com diferentes pensamentos, atitudes e aparências dando uma ilusão de igualdade, porém essa uniformidade também pode ser vista como intolerância. Em tempos pós-modernos, o medo urbano é uma das constantes na vida dos cidadãos e o isolamento e fortificação do próprio lar são características marcantes. Se em outras épocas as cidades se preparavam para guerras com outras regiões, atualmente as pessoas vivem como se estivessem em guerra na própria cidade. Além da preocupação com o bairro e indivíduos da região em que moram, há os que preferem evitar total contato com os vizinhos, deixando menos uma preocupação: a de amá-los ou odiá-los. “Em vez da união, o evitamento e a separação tornaram-se as principais estratégias de sobrevivência nas megalópoles contemporâneas” (BAUMAN, 1999, 56).

Capítulo 3. Depois da Nação-Estado, o quê?

No terceiro capítulo do livro, Bauman fala sobre o rompimento da economia e do Estado. Se antigamente as nações controlavam as riquezas, nos dias de hoje observa-se uma ruptura entre Estado e economia. O autor cita como exemplo empresas globais que demitem pessoas de diversas localidades sem terem prejuízos econômicos, deixando as consequências para o Estado. Além do desemprego, o sociólogo cita as empresas que estão construindo empregos em outros países e acabam se esquecendo da população local. Um exemplo são as fábricas de tênis instaladas em países como a China, onde o custo de produção é menor e os trabalhadores vivem em condições lamentáveis, porém os produtos não deixam de ser vendidos em outras regiões por preços bem diferentes dos utilizados na sua confecção. Esta falta de fronteiras geográficas fez com que as empresas pudessem se utilizar de mão de obra barata, e não se preocupassem com a população local, somente com o seu lucro próprio.

Mestre em Ciências Sociais, Leonardo Betemps Kontz comenta que no livro o sociólogo fala a respeito de uma “desordem mundial” – não sabemos quem está no controle, e não existe consenso global. “A nova desordem mundial é uma seqüência de ações, que parte da falta de definição dos rumos a serem tomados e quem está no controle, assim como, a falta um centro que una os interesses da civilização. Portanto, globalização nada mais é do que o processo de desordem da economia e das relações sociais”, explica Kontz.

Outro ponto levantado neste livro pelo sociólogo é a falta de controle. Bauman fala sobre Kenneth Jowitt e sua obra “A Nova Desordem Mundial”, onde o autor fala sobre a necessidade de estar no controle, mesmo de forma ilusória, que as pessoas sentem falta. Se em tempos modernos as pessoas deveriam respeitar a ordem das coisas, através dos blocos de poder, atualmente faltam iniciativas e ações locais que possam falar em nome da humanidade e impor a concordância global.

A questão do Estado soberano em tempos de globalização trouxe alguns paradoxos. Existem aqueles que tentam impor ordem dentro do seu espaço, os que tentam desistir dos direitos soberanos e estados que estavam esquecidos e pretendem se tornar um Estado. Todavia, no contexto geral, aconteceu uma morte da soberania dos estados, onde estes não têm recursos suficientes e liberdade para evitar um colapso. Bauman fala sobre a fragmentação política e a globalização econômica. Em tempos de comunicação mundial, por exemplo, a economia e crescimento de um país são ressaltadas na mídia e a pobreza acaba caindo em esquecimento. Ser pobre torna-se sinônimo de passar fome, e outros complexos são ignorados, como as condições de vida, analfabetismo, agressão, famílias desestruturadas, e outros problemas condicionados à pobreza.

Capítulo 4. Turistas e vagabundos

Para Bauman, o espaço que antes era um obstáculo agora só existe para ser anulado. As pessoas estão sempre em movimento, mesmo quando não se movem fisicamente, pela internet, por exemplo, onde é possível percorrer a rede de computadores mundial e trocar mensagens com pessoas do mundo todo. Ainda de acordo com o autor, somos viajantes, nós nos tornamos nômades que estão sempre em contato. O turista e o vagabundo, os dois são consumistas, e suas relações com o mundo são puramente estética. um turista. De ter a liberdade de estar onde desejar e de comprar o que quiser.

Para os habitantes do primeiro mundo viajar é algo sedutor, "são adulados e seduzidos a viajar" como diz o autor. Já para os integrantes do segundo mundo, existem os muros da imigração, as leis de residência e a política das "ruas limpas". Muitas vezes são obrigados a viajarem sem autorização e ao chegarem ao local desejado são forçados a retornarem.

O sociólogo acredita que só há razão para ficar imóvel quando o mundo também está parado, o que não acontece em tempos pós-modernos, onde os pontos de referências estão sobre rodas e quando chega-se perto de entender algo, eles já sumiram de vista. “Não se pode ficar parado em ‘areia movediça’” (BAUMAN, p. 86, 1999).

Outra consequência da globalização bastante notada é a do consumo e competitividade. “Para abrir caminho na mata densa, escura, espalhada e ‘desregulamentada’ da competitividade global e chegar à ribalta da atenção pública, os bens, serviços e sinais devem despertar desejo e, para isso, devem seduzir os possíveis consumidores e afastar seus competidores” (BAUMAN, p. 86, 1999). Esse processo de “tentação” e “atração” acontece para manter os possíveis consumidores interessados, mas para a indústria não parar, assim que o consumidor é fisgado, abre-se para outros objetos de desejo, de forma que haja crescimento econômico. Um exemplo dessa necessidade de consumo fica evidente na produção e comercialização dos aparelhos tecnológicos, que possuem determinada “prazo de vida”. O que será produzido amanhã precisa substituir o aparelho de hoje.

Bauman argumenta no livro que vivemos em uma sociedade de consumo. Todavia, ele explica que sociedade de consumo não significa necessariamente a existência de consumidores, já que estes existem desde outros tempos. Quando o sociólogo se refere à sociedade de consumo, ele quer dizer que nos tempos modernos, na fase industrial, era a época da “sociedade de produtores”. Segundo Bauman, existe uma diferença de ênfases, se antes as pessoas deveriam ser produtores, hoje o papel que elas devem desempenhar na sociedade pós-moderna é o de consumidores. Essas mudanças fazem diferença nos aspectos da sociedade, da cultura e individual.

Esta sociedade de consumo, segundo o sociólogo, pode ser distinta das outras, já que o consumidor é diferente. Bauman comenta que se os filósofos da antiguidade refletiam se o homem trabalha para viver ou vive para trabalhar, o dilema de hoje em dia é: “é necessário consumir para viver ou se o homem vive para poder consumir”.

A fácil perda do interesse, a impaciência são algumas das características da sociedade de consumo. Além do desejo de consumir, os produtos são cada vez menos duráveis. Nesse jogo de necessidades e satisfação, Bauman diz que a promessa de satisfação é mais intensa do que a necessidade efetiva.
Segundo Bauman, os consumidores da sociedade de consumo estão sempre em movimento, procurando objetos de desejo e não se sentem mal, pois é uma espécie de aventura. Para manter o movimento, os consumidores devem estar em um estado de excitação incessante e também de insatisfação.

“Todo mundo pode ser lançado na moda do consumo; todo mundo pode desejar ser um consumidor e aproveitar as oportunidades que esse modo de vida oferece. Mas nem todo mundo pode ser um consumidor” (BAUMAN, p. 94, 1999). O sociólogo explica que todos estão sujeitos à uma vida de opções, mas nem todos tem a opção de escolher como viver.

A globalização possibilitou às pessoas a conhecerem diversas regiões do mundo, saindo de casa fisicamente ou não, mas também fez com que estas perdessem suas raízes. Como Bauman lembra existem pessoas que viajam pelo mundo à trabalho, fala diversas línguas e possui casas em países diferentes. “O tipo de cultura de que participa não é a cultura de um determinado lugar, mas a de um tempo. É a cultura do presente absoluto” (BAUMAN, p. 99, 1999). Apesar de estar sempre em lugares diferentes, o indivíduo que vive viajando consegue conversar sobre filmes, músicas e moda, por exemplo, por conta da globalização, sem falar na possibilidade de poder comer algo de uma cultura estando em outra região.

“O significado mais profundo transmitido pela idéia da globalização é o do caráter indeterminado, indisciplinado e de autopropulsão dos assuntos mundiais; a ausência de um centro, de um painel de controle, de uma comissão diretora, de um gabinete administrativo” (BAUMAN, 1999, p. 67).

Capítulo 5. Lei Global, ordens locais

No quinto capítulo do livro Globalização: As consequências humanas, Bauman cita Pierre Bourdieu e o “Estado Beneficente”, dos Estados Unidos, onde as leis que garantem segurança para as classes médias e são repressivas em relação à precária grande massa da população. A lei e a ordem são limitadas, enquanto alguns possuem uma existência ordeira e segura, para outros a força da lei é ameaçadora e espantosa.

Outro ponto levantado neste capítulo é o mercado de trabalho. Apesar de rígido, a necessidade de investimento para torna-lo mais maleável não é pensada somente por conta da variável econômica, mas também como uma forma de conduzir a mão-de-obra,  flexibilizar as relações sociais, redistribuir o poder e diminuir a resistência.

Para Bauman a globalização transformou as leis e cita como exemplo o isolamento dos presidiários. O sociólogo faz uma crítica ao sistema dizendo que com tantas restrições e isolamento, as prisões só não podem ser consideradas caixões porque os prisioneiros ainda comem e defecam. Ainda de acordo com Bauman, o encarceramento e os trabalhos a que eles são submetidos acabam sendo uma forma de correção em uma espécie de fábrica de trabalho disciplinado. O trabalho é útil e lucrativo. Para Bauman, esses internos trabalham em funções que os trabalhadores livres não gostam de exercer por livro e espontânea vontade por mais atraentes que fossem as recompensas.

De acordo com Bauman, diversos pesquisadores acreditam que as casas de correção e reabilitação de internos, onde eles são submetidos a um confinamento supervigiado não contribuem com o propósito.

O número cada vez maior de indivíduos nas prisões é um dos reflexos da globalização. Existem países que tem mais gastos com segurança e isolamento, do que com a educação. A prisão tornou-se um método eficiente de neutralizar a ameaça à ordem social e expulsão social para acalmar a ansiedade. No livro é citado, por exemplo, o estado da Califórnia, nos Estados Unidos, lugar considerado por alguns sociólogos europeus como um “paraíso da liberdade”, todavia os gastos com a construção e a manutenção das prisões ultrapassam os fundos estatais para educação superior. “A prisão é a forma última e mais radical de confinamento espacial. Também parece ser a maior preocupação e foco de atenção governamental da elite política na linha de frente da “compressão espaço-temporal” contemporânea” (BAUMAN, 1999, p. 114). Bauman descreve o confinamento especial como uma forma de lidar com setores difíceis de controlar e problemáticos. O autor dá como exemplo os escravos, leprosos, loucos, que deveriam ficar isolados fisicamente e tinham a comunicação suspensa, e quando tinham permissão para andar fora das áreas, estes indivíduos deveriam levar sinais mostrando que pertenciam a outro espaço. “O isolamento é a função essencial da separação espacial. O isolamento reduz, diminui e comprime a visão do outro” (BAUMAN, 1999, p.114).

Sobre a prisão e o isolamento, o autor argumenta que a intimidade pessoal diária com os indivíduos punidos pela lei poderia fazer com que as pessoas mudassem de ideia, mesmo com raiva das ações cometidas. Todavia, segundo Bauman, na atualidade as pessoas vivem entre si, não se conhecem e provavelmente jamais conhecerão. A quantidade cada vez maior da densidade populacional e a tendência da sociedade moderna consideram diversos atos indesejados em crimes e com consequente punição com a prisão. O aumento da densidade física da população não corresponde ao aumento da densidade moral, extrapolando a “capacidade de absorção da intimidade humana e o alcance da rede de relações pessoais” (BAUMAN, 1999, p. 115).

Conclusão
Apesar de escrito em 1998-1999, o livro “Globalização: As Consequências Humanas” mostra os resultados do fenônemo da globalização nas sociedades contemporâneas e possibilita o melhor entendimento e reflexão das consequências para o indivíduo e para a vida social.

A preocupação das grandes empresas com o lucro e com o modelo global acentuam o contraste já existente desde outros tempos. Já dizia aquela frase: “O rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre”. O crescimento da pobreza e a diminuição das condições de vida são algumas características marcantes da globalização, porém ignoradas pela sociedade.

Entender a globalização é fundamental para entender a sociedade pós-moderna em que vivemos, tanto como futuros profissionais de imprensa, quanto como cidadãos.
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About Ben Oliveira

Ben oliveira, 24 anos, graduado em Jornalismo, blogueiro e escritor com alguns contos publicados. Sonha em seguir a carreira de escritor profissional.
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1 comentários:

  1. O modelo panóptico foi um centro penitenciário ideal desenhado pelo filósofo Jeremy Bentham em 1785 e estudado por Foucault no livro Vigiar e punir.

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