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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Nostalgia Fantasma

Nossos dedos não se tocarão de novo, tudo o que tenho é gravado na minha memória a última vez em que nos encontramos. Nós não ficaremos tão próximos, que é possível sentir seu perfume. Não, havíamos nos tornado fantasmas uns dos outros, algo congelado no passado que um dos dois havia seguido em frente e outro se perdia em fantasias de que um dia nos reencontraríamos.


Era nessa nostalgia fantasma que nós dois existíamos. Nossas versões idealizadas brilhavam mais do que como realmente éramos e talvez essa fosse um pouco da graça. Era uma química viciante que fazia qualquer vício parecer algo leve. Era sentir falta de algo que jamais iria se repetir e mesmo sabendo logicamente disto, deixando as emoções tomarem conta.

Ia aos poucos se aproximando. Aos poucos, ia se afastando. Aos poucos, reencontrava um ponto de equilíbrio, onde poderia existir e ser. Abraçava, mas logo em seguida, deixava ir. Sabia que tudo não se passava de uma fantasia criada pela mente. Sabia que só restava aceitar o adeus.

Como fantasmas, às vezes, esperávamos algo impossível acontecer. Sabia que o relógio não acertaria duas vezes no mesmo lugar, mas havia algo dentro dele que fantasiava uma nova realidade, uma nova versão dos dois. Não, isso jamais aconteceria.

Talvez precisávamos de fantasmas em determinadas fases da vida. Talvez uma vez que eles cumpriam seus papéis, estava na hora de deixá-los ir. Talvez ao aceitar que essa nostalgia fantasma era impossível, que finalmente conseguia se libertar, pouco a pouco. Deixando os dedos se soltarem, suportando a ausência do outro, consciente de que nada iria mudar. As coisas eram como eram e o máximo que poderiam ser eram fantasmas uns dos outros: perto demais, longe demais, mas nunca as coisas seriam como antes.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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