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Destaques

Ressignificar dia após dia

A linha era tênue entre a verdade e a autoficção, mas a literatura era um espaço para criar e não tinha compromisso com a realidade. Como tinta invisível, personagens às vezes se misturam e podem confundir. Um personagem pode ser vários e a graça não está em descobrir quem é quem, mas de aproveitar a leitura. Escrever em blog poderia não ser a mesma coisa do que escrever um livro de ficção ou de memórias, mas a verdade era que acabava servindo para as duas coisas. Às vezes o passado estava no passado. Às vezes o presente apontava para o futuro. Mas nunca dá para saber sobre quem se está escrevendo e há beleza nisso. A beleza de que personagens não eram pessoas, de que não precisava contar a verdade sempre, que às vezes quatro personagens poderiam se tornar um. Saber quem é quem parecia o menos importante, mas apreciar a beleza das entrelinhas. Ia escrevendo como uma forma de esvaziar a mente e o coração, sentindo o corpo mais leve. Escrevia e continuaria escrevendo sempre que sentisse ...

Sobre a Esperança, os Contos de Fadas e o Amor

Impossível assistir Once Upon A Time sem se emocionar e refletir sobre a vida. O seriado mostra como seria a vida dos personagens de contos de fadas se estes vivessem no mundo real, leia-se aquele em que nós vivemos, sem magia. Quando ficção e realidade se misturam, literalmente. Se eu pudesse resumir a série em uma palavra, certamente seria: Esperança.

A falta de magia para os personagens da série equivale à falta de amor para nós nos dias de hoje. As pessoas estão divididas entre aqueles que não acreditam em relacionamentos, às vezes, por medo de sofrerem, outras por não quererem se prender, e os que acham que aquilo o que sentem é amor, quando não passa de um sentimento superficial, por vezes egoísta, possessivo e destrutivo.

Acreditar na magia e no amor fica cada vez mais difícil quando tudo o que você encontrou pelo caminho te provou justamente o contrário. Experiências deveriam somar e contribuírem com o aprendizado, e não te fazerem desistir diante dos desafios.

Ao longo da série vemos a luta constante de Henry, filho da protagonista da série, Emma, tentando fazer com que sua mãe biológica acredite que os contos de fadas existem. O garoto explica para a mulher que uma maldição lançada pela Rainha faz com que todos os personagens esqueçam de quem eles realmente são e somente ela pode salvar a todos, mas a missão torna-se inviável quando Emma mostra-se uma pessoa extremamente cética.

Como fazer alguém acreditar em algo tão improvável como a magia? O garoto tentou inúmeras tentativas, sem mencionar uma ajuda especial do Pinocchio que tentou mostrar o seu corpo de madeira para Emma, mas nada importava, porque só enxergamos aquilo o que desejamos ver.

De forma semelhante a vida, aprendemos a dar valor em algumas coisas só depois que a perdemos. Isso quando aprendemos... Por que algumas pessoas cometem os mesmos erros a vida toda. Foi preciso que Henry quase morresse para que Emma finalmente enxergasse a verdade.

Quantas mortes ou fins poderiam ser evitados caso as pessoas acreditassem mais no amor, naquele que na série, talvez pela raridade, é considerado “a magia mais poderosa”? As pessoas só veem aquilo que desejam, e muitas vezes é preciso mais do que uma luz para as tirarem da escuridão que habitam. Perdas também podem ser ganhos

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