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Destaques

Sobre rabiscos e telas brancas

A tela branca pode ser um convite à explosão criativa ou uma tortura ao artista que sente seu espírito definhando diante da pesada realidade. Em tempos de crise e ódio, a arte fica esquecida e é vista como desimportante; ironicamente, é quando mais precisamos dela, de algo que nos faça sentir vivo e toque as partes atordoadas.


O som dos dedos se movendo pelo teclado era como fantasmas de uma vida distante. É incrível perceber quantas vezes nós deixamos algumas partes nossas morrerem ao longo de nossas existências; as máscaras, antes tão confortáveis, agora incomodam e não nos servem mais. Leva tempo até ficarmos satisfeitos e ajustados à nova realidade. Viver é admitir que sabemos pouco sobre nós mesmos e há sempre algo novo que pode nos transformar, seja para o bem ou para o mal.

O artista encara a tinta respingando pela tela. Para o espectador sem intimidade, nada faz sentido, a desconexão de ideias é tormentosa; para ele, o lembrete de que sua arte nunca o abandonaria. Como poderia…

Crítica - E A Vida Continua


Ontem fui ao cinema assistir "E a Vida Continua", filme dirigido por Paulo Figueiro e lançado em setembro de 2012. O roteiro do filme é uma adaptação infeliz do 13º e último livro da série "A Vida no mundo Espiritual", obra de Chico Xavier ditada pelo espírito André Luiz.

O enredo da história não deixa muito a desejar já que o roteiro foi baseado em um livro e as chances de errar são mínimas. Todavia, quando se trata da fotografia cinematográfica, edição, efeitos especiais, interpretações, a vontade que eu tive foi de levantar da poltrona e ir embora, como muitas pessoas da sala de cinema fizeram, porém aguentei e assisti até o final.

Não há dúvidas de que o filme deve atrair um grande público por conta de sua história e relação com o
espiritismo, porém quem tiver  um bom gosto e mínimo conhecimento sobre cinema vai logo perceber o fracasso cinematográfico de "E a vida continua". Além da falta de qualidade nas imagens, outro problema do filme é o áudio. Apesar da produção ser brasileira, em algumas cenas parece que foi utilizado o recurso de dublagem, deixando momentos que deveriam ser dramáticos se tornarem engraçados e decepcionando ainda mais quem já estava inconformado com as imperfeições técnicas.

Se por um lado o filme me decepcionou em termos técnicos, por outro me deixou com vontade de ler a obra psicografada por Chico Xavier. A história do filme mostra como estamos relacionados direta ou indiretamente com as pessoas ao nosso redor, uma conexão que vem de outras vidas e persiste até que nós consigamos corrigir os nossos erros, passar nos nossos testes e cumprir nossas missões.

Evelina (Amanda Costa) está enfrentando um câncer e antes de passar por uma cirurgia, a jovem tem um encontro inesperado com um homem chamado Ernesto (Luiz Baccelli), que também está doente, quando o seu carro quebra na estrada. Uma amizade surge entre os dois, que apesar de não terem se conhecido previamente, acreditam que existem muitas coincidências no encontro, nas doenças e no fato de estarem hospedados no mesmo hotel.

Após os dois passarem por uma cirurgia, ambos morrem e se reencontram novamente no outro plano, um lugar que se parece com um hospital. As coisas começam a ficar estranhas quando Evelina e Ernesto conversam com outros pacientes e ouvem histórias sobre eles não estarem no Planeta Terra e já estarem mortos. Todas aquelas informações provocaram em Evelina um choque de crenças.

Os amigos são mandados para um conselheiro e só depois de contarem como tinham sido suas vidas, eles passam a entender mais sobre a relação que tinham com cada uma das pessoas da Terra e também entre si.

As lições transmitidas pelo Espiritismo referentes à Paciência, Amor, Amizade, Egoísmo, Moralidade, Família, Inveja, Morte e Vida são mostradas no filme e levam o telespectador a refletir sobre as atitudes tomadas nos seus cotidianos. A necessidade de fazer o bem é transmitida, não importa o quão complicada ou fácil seja uma situação. A moral do filme pode ser resumida no conhecido Provérbio Chinês: "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória".

Confira o trailer

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