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Destaques

Seis meses sem cigarro

Seis meses sem cigarro. Há um tempo parecia algo impossível de alcançar e aqui estava ele: estaria mentindo se dissesse que ainda não tinha fissura, mas havia conseguido controlar bem mais como nunca imaginara antes. Seis meses davam uma sensação boa. Seis meses sem fumar um cigarro, mesmo passando por inúmeras situações de estresse e de ansiedade. Seis meses aprendendo a regular as emoções de forma a não descontar no vício. Os meses iam passando. Datas que antes pareciam impossíveis se tornam reais. Já imaginara quando seria quando completasse um ano sem cigarro. Ia escrevendo para comemorar e lembrar que os pequenos dias também importavam. Escrevia para lembrar que o difícil não era impossível e qualquer um poderia conseguir se livrar do cigarro, por mais difícil que parecesse no início. Escrevia para agradecer a si mesmo por ter se libertado de algo que fazia tão mal e muita gente ainda acreditava que fazia bem. Escrevia para deixar claro que não queria voltar atrás e mesmo nos dias...

Uma viagem pelo tempo com os amigos


Não era um aniversário qualquer. Aproveitou para comemorar mais um ano de vida e tecer um capítulo onde quem estivesse acompanhando aquela história pudesse entendê-la mesmo sem tê-la observado desde o início. Não deixaria a audiência diminuir mais, caso contrário corria o risco de perder o seu próprio seriado com o registro de sua vida e dos seus principais amigos.

Todo ano era sempre igual. Somente por alguns minutos, eles viajavam para a vida passada. Prometeram a si mesmos que limitariam a ação de se transportar pelas malhas do tempo. Uma vez a cada temporada era mais do que suficiente. Não havia muito que o roteirista pudesse fazer, somente assistir aquela cena que se repetia e repetia. Por um minuto ele sentava e assistia o roteiro que já havia sido escrito, dando lugar para os mesmos personagens em outras histórias paralelas.

O garoto que queria ser uma bruxa na verdade estava interessado em outros planetas; enquanto o outro queria saber do seu castelo. Um buscava trazer para o presente uma amizade do passado, já o outro desejava poder parar de cometer os mesmos erros todas as vezes.

Todos estavam juntos e separados ao mesmo tempo, era como se todas as histórias passassem em lugares e tempos diferentes, mas todos estavam reunidos como deveria ser. Como algo podia ser tão singular e tão coletivo? A resposta era uma só. Eles se conheceram em cada uma das viagens que tiveram. Era sempre aquele velho grupo de amigos.

Várias regras foram quebradas. A primeira e principal delas dizia que eles não podiam chamar a atenção que deveria ser totalmente destinada ao amigo. Faltavam apenas alguns dias para o ano novo. Os jovens decidiram seguir por caminhos diferentes: passado, presente e futuro. Eles não poderiam falar sobre o passado, nem sobre o que ainda não havia acontecido neste plano, caso contrário poderiam alterar as suas vidas para sempre.

No final, todos conseguiram o que queriam. As histórias continuariam por mais um ano. Era só mais um daqueles finais de temporada confundido com final de série. Como sempre faziam, episódio após episódio, eles esqueceram o passado, e o que se lembravam era confundido com ficção. Uma história dentro de outra. Quem poderia julgar a loucura deles tentando sobreviver em um mundo tão diferente do que estavam acostumados.  Ilusão ou realidade, eles conseguiram salvar suas próprias vidas sem querer. Eram fantoches criados para entreter o autor daquela história e quem mais tivesse interesse no que acontecia na vida daqueles quatro jovens rapazes.

O jogo devia continuar. "Eles dizem não odeiem o jogador, odeiem o jogo. Mas quando você inventou as regras, perder é realmente uma droga".

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