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Destaques

Resenha: Ed e Lorraine Warren: Vidas Eternas – Robert Curran e Jack & Janet Smurl

Entre o ceticismo e a curiosidade, as histórias de Ed e Lorraine Warren conquistaram pessoas de vários países graças às adaptações para filmes de terror inspiradas em casos investigados pelo casal de investigadores paranormais. Levando em conta o interesse dos leitores, a editora DarkSide Books publicou o livro Ed e Lorraine Warren:Vidas Eternas, escrito por Robert Curran que conta a experiência vivida por Jack e Janet Smurl. A obra foi lançada em 2019, com tradução de Eduardo Alves.


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Histórias como a da família Smurl, ainda que sejam questionáveis sobre o que teria realmente acontecido, quais partes foram aumentadas e/ou inventadas pela família, pelo escritor e/ou pelos próprios investigadores paranormais, deixam um gosto de nostalgia e também nos fazem pensar no sucesso de adaptações com temáticas semelhantes para o cinema.

A humanidade sempre tenta explicar o que não consegue entender. Divididos entre ficar em negação e se acostum…

Criação literária e psicologia


Texto: Ben Oliveira

Qual é a relação entre a psicanálise e a criação literária? Muitas pessoas tem curiosidade sobre a produção literária, tanto para descobrirem mais sobre seus escritores favoritos, quanto para encontrarem alguma fórmula de escrita.

Psicanalista e escritora, Ana Cecília Carvalho publicou em 1994, na revista Psicologia: Ciência e profissão, o artigo "O processo de criação na produção literária: um depoimento", no qual a autora aborda um pouco deste tema tão complexo e que desperta o interesse nos leitores.

Ana Cecília Carvalho explica a criação literária vista através da psicologia, sendo a primeira a  arte que possibilita a invenção e reinvenção do mundo, fantasiando e inventando pessoas, situações e realidades.
Segundo a autora do artigo, o escritor criativo tem a capacidade de "recriar a partir do caos, dando forma ao que não tem forma".

Ao escrever, a psicanalista acredita que o escritor precisa lidar com a sensação do vazio, do desprendimento, de luto, e por isto, muitos deles buscam o distanciamento físico e geográfico, uma forma de entrarem em contato consigo mesmo. Carvalho justifica que a escrita tem o poder de restauração, algo perdido é transformado por meio das palavras e ganha um significado.

Portanto, segundo o artigo, a produção literária consegue dar sentido para coisas sem sentido, resultante do distanciamento interno do escritor – uma maneira de se buscar os silêncio, explorar questões profundas da alma e proporcionar alívio das tensões de quem está lendo.

Quando se está escrevendo é preciso romper consigo mesmo. Porém, ao mesmo tempo em que a produção literária representa o rompimento, Ana Cecília Carvalho afirma que ela tem o poder de reparação, no momento em que ela está pronta e é entregue ao mundo. A psicanalista compara o texto pronto aos filhos, comentando que um dia ele vai embora.

A autora ainda fala sobre a capacidade do escritor se desnudar e se disfarçar no texto literário, produzindo inúmeras possibilidades. "Ao falar de todos, o escritor criativo fala de um, e ao falar de um, todos os outros se reconhecerão", ressalta Ana Cecília Carvalho.

Além de aliviar tensões, o texto literário também tem seu caráter agressivo. Ana Cecília Carvalho dá como exemplo o conto, gênero literário no qual o leitor é pego de surpresa e leve uma espécie de "soco no estômago" no final do texto.

Mais do que repetir, o escritor transforma, e ao mesmo tempo em que aproxima, ele limita. "Escrever é tornar possível a impossibilidade", justifica.

Confira o artigo na íntegra: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-98931994000100002&script=sci_arttext

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