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Destaques

Limites

Estava aprendendo a cada dia mais a importância dos limites. Era ao usar as redes sociais quando via limites sendo ultrapassados o tempo todo e muitos comentários desrespeitosos, que levavam à importância de bloquear. Bloquear alguém no início poderia ser desconfortável, mas depois era libertador. Por que damos tanta importância para as opiniões dos outros? Por que abrimos a porta para que entrem e bagunçam nossas mentes? Não sabia porquê, mas havia um intervalo de tempo em que as coisas começavam a fazer sentido. “Eu não preciso passar por isso... Opiniões de estranhos não deveriam importar tanto assim”. Então, ia percebendo um padrão nesses comentários, mas preferia bloquear silenciosamente. A verdade era que nós ensinavámos aos outros como poderiam nos tratar. Escrevia como um lembrete e uma forma de autovalidação, de se confortar de que estava fazendo o certo. Escrevia para lembrar aos outros que seus limites também importavam. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jo...

Histórias Interrompidas


Texto: Ben Oliveira

Já começou, escreveu ou leu uma história e quando você finalmente conseguiu terminar aquela parte, ela foi bruscamente interrompida? É mais ou menos como um acidente de carro ou como a paixão, seja lá como você queira definir, acontece tão rápido que você nem tem tempo de processar o que está acontecendo.

O problema com tudo o que te encanta de primeira te remete a aquela maldita frase: "Easy come, easy go" – algo como, o que vem fácil, vai mais fácil ainda. E não importa quantas vezes você passe por uma situação assim, é sempre mais forte do que você, a ponto de você conseguir dizer não.

Ele acordou animado para escrever aquele texto. Era como se ele não botasse para fora o que estava sentindo, aquilo consumiria todas as suas energias. Quando a inspiração aparece, é melhor se render e deixar aquele estado frenético passar, do que tentar nadar contra a maré.

E depois de deixar o fogo consumir, você percebe que só restaram cinzas e queimaduras. Aquela história ficou incompleta e o máximo que você pode fazer é joga-la fora ou guardar na sua memória, mas publica-la não era opção.

Talvez nem todas histórias são destinadas a serem grandes romances, no sentido literal da palavra – gênero literário –, talvez algumas não tenham potencial para tal e sejam um daqueles entretenimentos consumidos em uma sentada, como uma crônica ou um conto, e o que as diferenciam é o quanto o leitor sentiu-se preso naquela teia de palavras.

Tal como um conto pode ser muito melhor do que um longo romance, maçante e com excesso de detalhes, existem romances de valores históricos, clássicos da literatura que foram imortalizados.

Contar uma história em poucas palavras pode ser fascinante. Um conto é como uma paixão, tudo acontece tão rápido, omitindo os detalhes pormenores e deixando com gosto de quero mais, mas só o romance torna possível você conhecer um personagem, se identificar e viver uma série de altos e baixos, mergulhar nas centenas de páginas e se contentar com os dramas entrelaçados.

Por mais gostoso que seja ler um conto e se apaixonar, é o romance e o amor que se aproximam da complexidade da vida e seus relacionamentos.

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