Pular para o conteúdo principal

Destaques

Hipervigilância

Acordo e minha mente logo entra em estado de hipervigilância. A cada batida do coração sinto que algo aconteceu, acontece e acontecerá. O medo de perder o controle toma conta de mim. Era verdade que a ansiedade havia melhorado nos últimos dias. Porém, era difícil distinguir uma melhora terapêutica de um início de crise. Às vezes, tudo o que poderia fazer era relaxar. Fecho os olhos e tento me concentrar na minha respiração. Só por hoje, não há necessidade de me preocupar. A verdade era que a hipervigilância nunca sumia completamente, mas tão ruim quanto uma crise, era viver neste constante estado em que algo ruim pode acontecer. Permitia-se relaxar. Permitia-se não se preocupar um pouco. Permitia-se. Era tão difícil se permitir em alguns dias, que quando conseguia, era possível sentir uma dose de paz. A verdade era que nunca saberia completamente distinguir o otimismo de uma possível crise. Havia aprendido a identificar os sinais de crise, mas poucos profissionais ensinavam a distingui...

Histórias Interrompidas


Texto: Ben Oliveira

Já começou, escreveu ou leu uma história e quando você finalmente conseguiu terminar aquela parte, ela foi bruscamente interrompida? É mais ou menos como um acidente de carro ou como a paixão, seja lá como você queira definir, acontece tão rápido que você nem tem tempo de processar o que está acontecendo.

O problema com tudo o que te encanta de primeira te remete a aquela maldita frase: "Easy come, easy go" – algo como, o que vem fácil, vai mais fácil ainda. E não importa quantas vezes você passe por uma situação assim, é sempre mais forte do que você, a ponto de você conseguir dizer não.

Ele acordou animado para escrever aquele texto. Era como se ele não botasse para fora o que estava sentindo, aquilo consumiria todas as suas energias. Quando a inspiração aparece, é melhor se render e deixar aquele estado frenético passar, do que tentar nadar contra a maré.

E depois de deixar o fogo consumir, você percebe que só restaram cinzas e queimaduras. Aquela história ficou incompleta e o máximo que você pode fazer é joga-la fora ou guardar na sua memória, mas publica-la não era opção.

Talvez nem todas histórias são destinadas a serem grandes romances, no sentido literal da palavra – gênero literário –, talvez algumas não tenham potencial para tal e sejam um daqueles entretenimentos consumidos em uma sentada, como uma crônica ou um conto, e o que as diferenciam é o quanto o leitor sentiu-se preso naquela teia de palavras.

Tal como um conto pode ser muito melhor do que um longo romance, maçante e com excesso de detalhes, existem romances de valores históricos, clássicos da literatura que foram imortalizados.

Contar uma história em poucas palavras pode ser fascinante. Um conto é como uma paixão, tudo acontece tão rápido, omitindo os detalhes pormenores e deixando com gosto de quero mais, mas só o romance torna possível você conhecer um personagem, se identificar e viver uma série de altos e baixos, mergulhar nas centenas de páginas e se contentar com os dramas entrelaçados.

Por mais gostoso que seja ler um conto e se apaixonar, é o romance e o amor que se aproximam da complexidade da vida e seus relacionamentos.

Mais lidas da semana